Mas que música grudenta!

No jornal O Globo, saiu uma matéria interessante que tenta explicar por que uma música como Ai se eu te pego, ou a atual Despacito, dos porto-riquenhos Luis Fonsi e Daddy Yankee, parecem “grudar” na memória de quem escuta. A matéria diz que estudos na área de neurociência e psicologia encontraram certos elementos em comum nas chamadas “músicas-chiclete”.

Jessica Grahn, cientista da Universidade do Oeste de Ontario, no Canadá, especialista em estudos ligados à música, conta que “A música ativa as áreas do cérebro relacionadas com sons e movimentos, mas também as áreas associadas às emoções e recompensas (…) canções que geram maior comunicação entre as áreas do cérebro ligadas ao som e às emoções são as que mais agradam.”

Mas como fazer essa conexão, hein? Não há uma fórmula mágica, mas certos elementos funcionam como “guloseimas” para o cérebro.

O primeiro ingrediente é o ritmo. Quando uma canção tem uma batida fácil de seguir, como é o caso de Despacito, ela aumenta a atividade cerebral na zona associada ao movimento, segundo experimentos. Mesmo se a pessoa estiver totalmente quieta.

Em geral, as canções pop a que estamos expostos têm ritmos familiares, o que até certo ponto é previsível. Essa característica, diz Grahn, funciona como uma espécie de recompensa para o cérebro, pois é agradável que a canção se desenvolva como pensamos que vai ocorrer.

A “mágica”, porém, acontece quando a canção inclui algum elemento que fuja do previsível. Trata-se usar a batida, mas fazê-la mais interessante com alguma novidade. Fazer a canção interessante, mas sem tirar muito do que esperamos ouvir.

Nahúm García, um produtor de música espanhol, acredita ter encontrado o pequeno detalhe que tornou Despacito algo especial. Ele disse no twitter: “Vocês riem de ‘Despacito’, mas a maneira como o ritmo quebra antes do refrão é uma genialidade”.

García se refere ao que acontece após 1m23s de canção, momento em que a melodia para e Fonsi diz pela primeira vez a palavra despacito “devagarzinho” em espanhol. Solta aí Lalá:

Despacito
Luis Fonsi 
Daddy Yankee

y
Fonsi
DY
Oh, oh no, oh no
Oh, yeah
Diridiri, dirididi Daddy
Go

Sí, sabes que ya llevo un rato mirándote
Tengo que bailar contigo hoy (DY)
Vi que tu mirada ya estaba llamándome
Muéstrame el camino que yo voy (oh)

Tú, tú eres el imán y yo soy el metal
Me voy acercando y voy armando el plan
Solo con pensarlo se acelera el pulso (oh, yeah)

Ya, ya me está gustando más de lo normal
Todos mis sentidos van pidiendo más
Esto hay que tomarlo sin ningún apuro

Despacito
Quiero respirar tu cuello despacito
Deja que te diga cosas al oído
Para que te acuerdes si no estás conmigo

Despacito
Quiero desnudarte a besos despacito
Firmar las paredes de tu laberinto
Y hacer de tu cuerpo todo un manuscrito

Sube, sube, sube
Sube, sube

Quiero ver bailar tu pelo
Quiero ser tu ritmo
Que le enseñes a mi boca
Tus lugares favoritos (favoritos, favoritos, baby)

Déjame sobrepasar tus zonas de peligro
Hasta provocar tus gritos
Y que olvides tu apellido

Si te pido un beso, ven dámelo
Yo sé que estás pensándolo
Llevo tiempo intentándolo
Mami, esto es dando y dándolo
Sabes que tu corazón conmigo te hace bom-bom
Sabes que esa beba está buscando de mi bom-bom
Ven prueba de mi boca para ver como te sabe
Quiero, quiero, quiero ver cuanto amor a ti te cabe
Yo no tengo prisa yo me quiero dar el viaje
Empezamos lento, después salvaje

Pasito a pasito, suave suavecito
Nos vamos pegando, poquito a poquito
Cuando tú me besas con esa destreza
Veo que eres malicia con delicadeza

Pasito a pasito, suave suavecito
Nos vamos pegando, poquito a poquito
Y es que esa belleza es un rompecabezas
Pero pa montarlo aquí tengo la pieza

Despacito
Quiero respirar tu cuello despacito
Deja que te diga cosas al oído
Para que te acuerdes si no estás conmigo

Despacito
Quiero desnudarte a besos despacito
Firmar las paredes de tu laberinto
Y hacer de tu cuerpo todo un manuscrito

Sube, sube, sube
Sube, sube

Quiero ver bailar tu pelo
Quiero ser tu ritmo
Que le enseñes a mi boca
Tus lugares favoritos (favoritos, favoritos, baby)

Déjame sobrepasar tus zonas de peligro
Hasta provocar tus gritos
Y que olvides tu apellido

Despacito
Vamos a hacerlo en una playa en Puerto Rico
Hasta que las olas griten: ¡Ay, bendito!
Para que mi sello se quede contigo

Pasito a pasito, suave suavecito
Nos vamos pegando, poquito a poquito
Que le enseñes a mi boca
Tus lugares favoritos (favorito, favorito, baby)

Pasito a pasito, suave suavecito
Nos vamos pegando, poquito a poquito
Hasta provocar tus gritos (Fonsi)
Y que olvides tu apellido (DY)
Despacito

Despacito

ó
Fonsi
DY
Oh, oh não, oh não
Oh, sim
Diridiri, papai dirididi
ir

Sim, você sabe que eu tenho observado você por um tempo
Eu tenho que dançar com você hoje (DY)
Vi que seus olhos já estavam me chamando
Mostre-me a maneira que eu vá (oh)

Você, você é o ímã e eu sou o metal
Eu estou chegando mais perto e eu estou colocando juntos o plano
Só de pensar o pulso (oh, yeah) acelera

E isso já está me gostando mais do que o habitual
Todos os meus sentidos estão pedindo mais
Isto deve ser tomado sem qualquer problema

despacito
Eu quero respirar o seu pescoço lentamente
Deixe-me dizer-lhe coisas em seu ouvido
Para lembrar, se você não está comigo

despacito
Quero despir beija lentamente
Entrar nas paredes de seu labirinto
E fazer seu corpo um manuscrito inteiro

Subindo, subindo, até
Up, up

Quero ver sua dança cabelo
Eu quero ser seu próprio ritmo
Que você ensina minha boca
Seus lugares favoritos (favoritos, bookmarks, baby)

Deixe-me exceder as suas zonas de perigo
Para fazer com que você gritar
E esquecer o seu nome

Se eu pedir um beijo, venha me dê
Eu sei que você está pensando
Eu tomo tempo tentando
Mami, que está dando e dando
Você conhece o seu coração comigo você faz Bom-Bom
Você sabe que o bebê está olhando para o meu bom-bom de
Venha testar a minha boca para ver como você sabe
Quero, eu quero ver o quanto amo você será
Eu não tenho nenhuma pressa Eu quero me dar a viagem
Comece devagar, então selvagem

Passo a passo, suavecito suave
Nós vamos colar, pouco a pouco
Quando você me beija com essa habilidade
Vejo que você está malícia delicadamente

Passo a passo, suavecito suave
Nós vamos colar, pouco a pouco
E é que a beleza é um quebra-cabeça
Mas aqui eu montar a peça pa

despacito
Eu quero respirar o seu pescoço lentamente
Deixe-me dizer-lhe coisas em seu ouvido
Para lembrar, se você não está comigo

despacito
Quero despir beija lentamente
Entrar nas paredes de seu labirinto
E fazer seu corpo um manuscrito inteiro

Subindo, subindo, até
Up, up

Quero ver sua dança cabelo
Eu quero ser seu próprio ritmo
Que você ensina minha boca
Seu favorito (favoritos, favorito, bebê) lugares

Deixe-me exceder as suas zonas de perigo
Para fazer com que você gritar
E esquecer o seu nome

despacito
Vamos fazê-lo em uma praia em Puerto Rico
Até as ondas gritar: Oh, abençoado!
Para ficar com você meu selo

Passo a passo, suavecito suave
Nós vamos colar, pouco a pouco
Que você ensina minha boca
Seu favorito (favoritos, favorito, bebê) lugares

Passo a passo, suavecito suave
Nós vamos colar, pouco a pouco
Para fazer com que você gritar
E esquecer o seu nome
despacito

(Passo a passo, suavecito suave
Nós vamos colar, pouco a pouco
Hey, hey, hey, hey)

(Passo a passo, suavecito suave
Nós vamos colar, pouco a pouco
Hey, hey, hey, hey)

E a matéria continua dizendo que é quase imperceptível, mas o fraseado “atravessa” o ritmo durante uma parada da batida. E o García diz: “A ruptura é radical e faz alusão a intenção sexual da letra que contém um pedido de ritmo mais lento para o ato, criando uma unidade entre intenção e efeito (…) O cérebro se dá conta de que houve uma parada incomum e isso chama a atenção.”

Segundo García, esse truque não é muito comum na música pop, mas eu acho que ele está tentando valorizar. O Lalá já gritou aqui que é muuiito comum sim. Aliás é mais que previsível… Já foi usado milhares de vezes.

Mas… por que esse efeito ocorre apenas na entrada do primeiro refrão, hein? O espanhol diz que “Se usado de novo, pode cansar. Não se pode quebrar o ritmo de uma canção muitas vezes, porque isso resulta em um esforço para o cérebro.”

Psicólogos e cientistas chamam canções-chiclete de “vermes de ouvido”. O termo foi criado por James Kellaris, compositor e professor de marketing da Universidade de Cincinnati, nos EUA, e cujos estudos têm como tema a influência da música sobre consumidores.

Kellaris argumenta que os “vermes” são normalmente canções repetitivas e pouco complexas seja em ritmo, letra ou ambos. Mas outra característica é justamente que a canção conta com elementos inesperados, como um compasso irregular ou um padrão de melodia pouco usual.

Bom, e além disso, só tem quatro acordes, né… Quatro!

“Despacito tem elementos de um ‘verme’. É animada, simples, repetitiva e tem um ritmo pegajoso”, diz Kellaris.

Mas o especialista americano menciona outros elementos que ajudam a explicar o sucesso, como o atraente vídeo ou o nível de exposição que as pessoas tiveram à canção.

O êxito é inegável: Despacito já encabeçou as paradas de sucesso em 45 países e se tornou a primeira canção em espanhol a chegar ao posto de número um da revista americana de música Billboard desde 1996, quando Macarena tomou o mundo de assalto.

O vídeo da música já ultrapassou a impressionante marca de 1 bilhão de visualizações no YouTube.

Os estudiosos dizem que a música começou milhares de anos atrás com o homem tentando reproduzir sons da natureza que tinham algum ritmo. Um coração batendo, as ondas do mar quebrando na praia, o vento, trovões… Por isso a música seria como um eco desses padrões e até os dias de hoje, quando ouvimos uma batida forte, sentimos uma injeção de adrenalina. É aquele lagarto interior lembrando daquele trovão forte. Ou quando ouvimos uma flauta nos sentimos calmos e relaxados… é o lagarto lembrando das brisas e dos passarinhos cantando. Daí a razão de nos apegarmos a determinados ritmos e… Pois é… a explicação é muito boa, viu? … mas acho que tem mais coisa por trás. Por exemplo, e se a gente quebrar tudo, mudar a batida, acabar com a paradinha? A coisa funciona?

Que tal, hein? Claudia Gomes e Eron Guarnieri, que formam o Duett Von Cler, numa interpretação jazzística surpreendente e deliciosa da música que até agora você não gostava… e que descobriu que é boa, cara?

Eu já falei sobre isso num Podcast anterior: o que faz a música ser ruim, brega, cafona é… o arranjo…

Que tal, hein? Esse aí é um vocal. Só vocal. Não tem instrumento aí não de um grupo chamado Aula 39, que tal?

Os norte americanos chamam essas músicas grudentas de “catchy tunes”, melodias cativantes, os tais “vermes de ouvido”, que consistem basicamente em formas ou frases musicais que fisgam nossas mentes e nos forçam a repetir e repetir e repetir…uma vez ouvi uma definição legal: essas músicas-chiclete fazem o cérebro da gente coçar e a única forma de coçar é repetir a música mentalmente… olha que tortura!

Em 1845, Edgar Allan Poe escreveu que era muito comum sentir-se incomodado ou atormentado com o som ou a memória de alguma musiquinha ordinária. Esse tipo de memória-fantasma foi muito estudado ao longo dos anos e os pesquisadores descobriram que pessoas com capacidade cognitiva superior, isto é, aquelas que lidam melhor com o raciocínio e o processamento de informações, sofrem com as músicas-chiclete por menos tempo.

Veja que interessante: o mundo a nossa volta está repleto de padrões que se repetem todo dia a todo momento. Imagine uma longa cerca… ela é toda igual, o padrão se repete indefinidamente. Mas você pode olhar a cerca de ângulos diferentes, sob iluminações diferentes. Com as músicas, não cara! Bote pra tocar no seu carro e… pronto! Lá vem ela… Sempre igual…

Aquela explicação  da maneira como o ritmo de ‘Despacito’, quebra antes do refrão trata de uma das características dos trechos que grudam na mente. Eles têm de ter algo que quebre o padrão, ou então desaparecem entre outras memórias.

Os pesquisadores descobriram também que temos diversos sistemas que nos expõem a esses vermes de ouvido. Tem o “olho da mente” que captura estímulos visuais, tem o ouvido interior, a parte que usávamos para lembrar os números de telefone antes de comprar um celular. São esses sistemas que parecem mais vulneráveis a serem infectados pelos vermes do ouvido. Você está ali focado numa tarefa e, de repente…

E assim um sistema que nasceu para nos ajudar a não ter de pensar nas coisas que fazemos automaticamente, se transforma num tormento, uma espécie de toca-fitas que toca sem que a gente queira. É, meu caro, minha cara, nossa mente é um mundo subterrâneo que desconhecemos e sobre o qual não temos controle.

Lembra daquela brincadeira antiga? Vou modernizar. Eu quero que você não pense no Tiririca…. no que é que você pensou? Pois é, esse  é um paradoxo da mente, ela pensa exatamente naquilo que você quer evitar. A solução normalmente é se ocupar de alguma tarefa que desvie sua atenção. A gente pensa que está enganando a mente, né? Pois é. Mas piscou?

Meu que tortura, cara! Como fazer então? Tem quem receite mascar um chiclete… Mas parece que a melhor saída é você cantarolar outras canções que sejam similares. Parece que isso apaga as memórias do verme anterior e assim voc…

NÃO LALÁ, NÃÃÃÃO….

Porra, meu a Paradinha da Anitta… lá vou eu…

Muito bem. Já que não dá pra se livrar deles, vou mais é me divertir com eles. Lalá, manda aquele outro aí…

Só Os Cambito 
Whindersson Nunes

Ele vem vindo em minha direção
Mete medo porque ele é bombadão yeah
Daqueles que só pensam em pegar mulher
Cheio de suor

Fica doido se acaba o whey
Pede o meu mas eu já tomei
Malha e grita tanto que eu fico longe

Toda hora pergunta se eu vou acabar
Eu digo que acabei de começar

Ele quer revezar mas nunca
Nunca acaba o exercício
Pensa que ele é o dono do supino

Tú!
Teu peito é de carne e o meu é de metal
Eu levanto tudo, eu sou um animal

Pego no supino
Sai da jaula o monstro
Oh yeah!

Já! já tá me olhando mais do que o normal
Tô achando esquisito e me sentindo mal
Eu quero saber o que é que tu tá vendo

Teus
cam
bito!
Em cima é bombado!
Embaixo é só os cambito!
Os braços é grosso e as pernas só o graveto!
Vendo assim de longe parece um corneto!

Só os cambito!
Os ombros gigantes e as pernas só os cambito!
Os peitos imenso e as pernas só os cambito!
Teu corpo ta em cima é de dois palito!!

Eu quero ver pegar mulher
Com tu malhando o glúteo!
Supino reto ou inclinado
Meus exercícios favoritos!

O que importa é braço o peito
Que fica bonito!
Dia de braço eu chego cedo
No dia das pernas eu falto!

Quando tu fica me olhando-lo
Eu sei o que tu ta pensando-lo
Eu to até malhando-lo
Mas não me sinto inchado-lo
Eu já malhei perna mas nunca senti um
Tcham!
Tcham!
Eu malho peito e ombro que aparece no instagram

Se eu visto uma regata
A alegria me invade
Mas se eu compro calca cinco pernas nela cabem
Fazer legpress eu acho muita fuleragem
Mas usar um short tenho que ter coragem

Cambito cambito
Malha esse cambito
Que eles vão crescendo
Poquito a poquito
Pra não quebrar tem que ter delicadeza
Tua perna parece a perna de uma mesa

Cambito cambito
Malha esse cambito
Que eles vão crescendo
Poquito a poquito
Pra não quebrar tem que ter delicadeza
Tua perna parece a perna de uma mesa
Oh yeah!

Teus cambito
Em cima é bombado!
Embaixo é só os cambito!
Os braços é grosso e as pernas só o graveto!
Vendo assim de longe parece um corneto!

Só os cambito!
Os ombros gigantes e as pernas só os cambito!
Os peitos imenso e as pernas só os cambito!
Teu corpo tá em cima é de dois palito!!

Eu quero ver pegar mulher
Com tu malhando o glúteo!
Supino reto ou inclinado
Meus exercícios favoritos!

O que importa é braço o peito
Que fica bonito!
Dia de braço eu chego cedo
No dia das pernas eu falto!

Teus
Cam
Bito!
Em cima é bombado!
Embaixo é só os cambito!
Os braços é grosso e as pernas só o graveto!
Vendo assim de longe parece um corneto!

Cambito cambito
Malha esse cambito
Que eles vão crescendo
Poquito a poquito
Supino reto ou inclinado
Meus exercícios favoritos!

Cambito cambito
Malha esse cambito
Que eles vão crescendo
Poquito a poquito
Pra não quebrar tem que ter delicadeza
Tua perna parece a perna de uma mesa

Teus cambito

É assim, ao som de SÓ OS CAMBITO, com Whindersson Nunes e o Tirulipa, que nosso Cafezinho vai embora…

 

Fonte: portalcafebrasil

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OAB/SP envergonha sua história ao banir José Dirceu da advocacia

1

A OAB TOMOU A CARTEIRA DE ADVOGADO DE JOSÉ DIRCEU. O PT NÃO PODE EXISTIR

Por Roberto Tardelli

A cassação do registro é a mais grave das penalidades que um advogado pode receber de sua própria classe e significa seu banimento definitivo da advocacia. Nunca mais poderá exercer a defesa técnica de quem quer que seja, mesmo a sua própria, pela singela e terrificante razão de não mais ser advogado. Pouco importa sua competência técnica ou sua erudição, a cassação é a pena drástica, que impede o advogado de ostentar esse grau. Funciona como se ele jamais houvesse passado da condição de bacharel em direito.

A exclusão é prevista para os mais graves a casos de desvio de atuação funcional, todos eles previstos pela Lei Orgânica da Advocacia, Lei 8.906/94, porém, em tipos penais funcionais que fariam corar Torquemada:

Art. 34. Constitui infração disciplinar:
(…)
XXVII – tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da acvocacia;
XXVIII – praticar crime infamante;

Ambos os dispositivos são os chamados tipos abertos, porque neles se insere qualquer coisa que venha a desagradar o sentinela da moral e dos bons costumes que estiver de plantão. Desde 1872, portanto, passados cento e quarenta anos, Ihering já nos libertava desse imenso Inferno, que é onde padecem aqueles que confundem Moral e Direito. O que é ser moralmente inidôneo, senão aquilo que assim entenderem os lobos da reserva moral.

Não há, no Brasil, nenhuma lei que defina o rol dos crimes infamantes, aqueles que, como se imaginaria, resultassem na infâmia, não àquele que o praticou, que suportaria sempre as consequências penais da falta praticada, mas da Ordem e da classe dos advogados, em geral.

Eu mesmo conheci um advogado que fez o curso de Direito, cumprindo pena. Graduou-se, prestou o exame de ordem e foi aprovado, outorgando-se a ele – corretamente –o grau de advogado, verdadeiro direito ao recomeço, ainda que seu crime tenha sido tráfico internacional de drogas. A OAB, sim, o resgatou.

Cumprida sua pena, estava moralmente reabilitado e que fosse ele cuidar de sua vida, entrar na sala de audiência, não mais como réu algemado, mas como advogado, com dignidade e altivez republicanas.

Se nos ativermos à lembrança do espetacular Philadelfia, um dos maiores filmes sobre a advocacia já feitos, Andrew Beckett, vivido por Tom Hanks, era um advogado com talento e carreira aberta em um prestigiado escritório de advocacia, até ver seu mundo cair quando foi forçado a revelar duas condições: ser homossexual e ser portador do vírus HIV.

Spoilers à parte, trava-se uma angustiante batalha moral, em torno da advocacia. Philadelphia, talvez, tenha envelhecido, mas não a discussão que abre. Quem impõe o que vem a ser moralmente aceito é, na verdade, tirano todo-poderoso, naquele momento histórico. Dele é a moral e a ética.

Prova desse fato é que Alfredo Buzaid, Ministro da Justiça do Ditador Medici, jamais foi molestado pela OABSP, não obstante em sua gestão o DOI-CODI tenha funcionado em regime integral. Seu colega de ditadura, Luiz Antônio da Gama e Silva, o Gaminha, foi o grande artífice do mais vergonhoso édito jurídico do Brasil, o tenebroso Ato Institucional nº 05, AI-5 para os íntimos, que mergulhou o país de vez na trevas obscurantistas da ditadura militar, que também jamais incomodado pela OABSP; muito pelo contrário, o primeiro foi, além de Ministro, saudado como o grande modernizador do Código de Processo Civil, e o segundo, alçado ao cargo de Diretor da mais renomada faculdade de Direito do país.

A existência de mortos e de torturados, de desaparecidos, exilados, os perseguidos, algo que sempre se soube, como, de resto, se sabia do protagonismo de ambos nas sombras do regime, não se constituiu em crimes infamantes, tampouco os tornou moralmente inidôneos para o exercício da advocacia, ainda que vários dos presos, dos mortos, dos desaparecidos tenham sido colegas advogados de ambos. Sim, na melhor das hipóteses, toleraram, sentados nas confortáveis poltronas do poder, que se pudesse matar e torturar advogados(as) e nem por isso foram incomodados.

A pena de exclusão, todavia, coube a Zé Dirceu, que, como advogado, jamais foi um ícone do mercado, porque sabemos que sua atuação sempre foi na política e sempre na esquerda.

Por mais greves que tenha liderado quando mais jovem ou por mais miseráveis que tenha resgatado quando adulto, nunca se soube de ter ele conduzido a ferros um seu colega advogado, que houvesse permitido torturas, choques elétricos, ratos em vaginas, paus de arara, cadeiras do dragão. Nunca.

Sua condenação se deu no âmbito de um processo, ação penal 470, que ainda será foco de atenções de juristas e historiadores, cujo relator saiu das luzes da mídia fácil para um ostracismo absoluto. Foi condenado também no âmbito da Lava-Jato, cujos desdobramentos e estrelismos resultaram, queiram ou não, no pavoroso suicídio do reitor da UFSC, verdadeiramente torturado em uma prisão que era manifestamente ilegal, tanto assim que revogada já no dia seguinte à sua decretação.

A exclusão de Zé Dirceu dos quadros da advocacia, que coincide com o aniversário dessa odiada Constituição Federal, cujo maior defeito foi tentar, de forma institucional, reduzir a miséria e a desigualdade econômica no país, marca mais um página triste da OAB, mas não dos advogados, muitos deles formados à custa de programas de financiamento escolar, concebidos e executados pelo Governo no qual ele era a diretriz ideológica.

Há centenas ou milhares de profissionais do Direito que devem a ele a chance de ter saído da enxada, do sol queimando na moleira, como ocorreu e ainda ocorre com seu pai ou com sua mãe opa seu irmão. O filho do roceiro é doutor, muito graças a José Dirceu. Esses não o cassariam e foram um pouco cassados com sua exclusão. 

A OAB apoiou o golpe de 1964. De seus quadros, vieram notáveis colaboradores do regime ditatorial. Apóia novamente agora o golpe que se desenha e, pior, a ele se antecipa, rasgando e cassando a carta de profissão de um cidadão que mudou a História do Brasil, agindo como o fizeram os chefes militares do passado, arruinando o indivíduo, ao proibi-lo, ao arrepio do art. 6º da Constituição Federal, de exercer a profissão para a qual estava regularmente habilitado, forma única de cada qual garantir sua subsistência com dignidade.

É de gelar a alma. No pira moralista e incandescente acesa pelos lobos da moral, a próxima carne que queimará ao sol será a do Estado Democrático de Direito.

Roberto Tardelli é Advogado Sócio da Banca Tardelli, Giacon e Conway.

#GloboLixo: após viralizar e sites ‘entregarem’, o Twitter derruba a hashtag

SIMPLESMENTE DESAPARECEU DO TRENDS DO TWITTER

Acessamos o site e verificamos que #GloboLixo está nas galáxias

Leia mais:

Até o fechamento desta edição anterior, a repulsa dos internautas pelo grupo GLOBO foi contabilizada em 119 mil tweets

Parece que o povo brasileiro está se cansando de ser enganado por esta emissora de TV que, na quase totalidade de seus programas, tem apresentado um baixíssimo nível de qualidade.

O microblog twitter está bombando, neste momento, com vários assuntos. Mas chama a atenção aquele que lidera essa lista: a hashtag #GloboLixo é a campeã. O que aconteceu com a líder de audiência e poderosa Rede Globo e suas filiais? Vamos entender mais adiante.

Um bom exemplo a ser comentado é o arcaico ‘Fantástico’ – programa da idade da pedra – que há tempos não faz juz à nomenclatura de exibição. No dia 8, apresentou a polêmica em torno da exposição em que crianças interagem com um homem completamente sem roupa em uma performance no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Fotos e vídeos mostrando essa interação, que ocorreu na última semana, se espalharam pela internet, e o fato tornou-se um assunto de muita discussão, onde a maioria do público, com muitos conservadores, criticou fortemente a situação, enquanto outra ala, formada principalmente por liberais e artistas, saíram em defesa da exposição.

Na mesma matéria, foi retratado o caso de outra exposição, essa realizada em Porto Alegre, que sofreu boicote de muitos indivíduos, sendo acusada de fazer apologia à pedofilia, zoofilia e profanar contra símbolos religiosos. A exposição acabou sendo fechada por decisão do banco que a patrocinava. A matéria foi elaborada quase que de forma unilateral, com depoimentos de especialistas que apresentavam à lei que defende a liberdade de expressão nesses casos, e opiniões de outros que se mostraram a favor da representação e da arte, sugerindo que aqueles que são contra, não passam de intolerantes.

Tudo isso sem falar que a emissora é acusada de liderar o Quarto Poder, que é a mídia favorável ao golpe 2016 e que noticia inverdades com o objetivo de desconstruir a imagem do Partido dos Trabalhadores e seus coadjuvantes. Desta forma, colaborando fortemente para uma campanha neoliberal em torno da política que tem tantos opositores a ponto de dividir a opinião pública ao meio. Mas há quem diga que poderia ser o Quinto Poder, já que a Odebrecht é votadíssima para a posição que a mídia ocupa.

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Tudo isso sem falar que a emissora é acusada de liderar o Quarto Poder, que é a mídia favorável ao golpe 2016 e que noticia inverdades com o objetivo de desconstruir a imagem do Partido dos Trabalhadores e seus coadjuvantes. Desta forma, colaborando fortemente para uma campanha neoliberal em torno da política que tem tantos opositores a ponto de dividir a opinião pública ao meio. Mas há quem diga que poderia ser o Quinto Poder, já que a Odebrecht é votadíssima para a posição que a mídia ocupa.

Vergonha de ser brasileiro – texto/poema

Vergonha de ser brasileiro atinge recorde de 47%, disse o Datafolha em jun/2017

Extraído das redes sociais, esta literatura revela a indignação e a força da resistência ao golpe 2016. Um achado valioso da representatividade do pensamento dos brasileiros que souberam identificar de imediato o que de fato estava acontecendo com a democracia e quais suas consequências na soberania nacional.

Vergonha

Eu tenho vergonha da vergonha que não sentem os ‘sem vergonha’, que apoiaram e apoiam o golpe.

Eu tenho vergonha daqueles que, assim como eu, descendem das etnias negra e indígena e, mesmo assim, apoiam a barbárie, a ditadura, em detrimento do respeito e do amor.

Eu tenho vergonha de comemorar a “abolição da escravatura” no dia 13 de MAIO, quando ela: A ESCRAVIDÃO caminha a passos largos e galopantes, livre e dissimulada.

Eu tenho vergonha dos que fingem não enxergar quando o que está em jogo é a barganha; o jeitinho ‘larápio’ e desonesto de ser ‘brasileiro’; de tirar proveito do que não lhes pertencem.

Eu tenho vergonha de precisar brigar pelo que me pertence, pelo que é justo e óbvio. Vergonha da segregação, da herança colonial maldita e torpe.

Eu tenho vergonha da misoginia, do machismo, dos que se corrompem. Vergonha de todos os ‘ismos’ do ‘semvergonhismo’.

Tenho vergonha dos que não cumprem com a palavra quando esta os impõem, impulsionam à pratica da alteridade, do respeito, da justiça, o reconhecimento do valor do outro.

Eu tenho vergonha dos que subestimam à minha inteligência, mas ainda mais vergonha dos que subestimam à inteligência dos ‘iletrados’. Pois, estes sim, são suas principais vítimas. Dormem em berços de espinhos e perigam não acordar.

Eu tenho vergonha da TV que finge homenagear ( no 13 de maio) a GENTE de pele negra, quando esta mesma TV é a protagonista e disseminadora de toda forma de discriminação e preconceitos. Não me queira manipular, eu tenho vergonha. Não me queira subestimar, me cegar. Eu sou fermentação e ebulição de vergonha, a pressa da vergonha, a precipitação.

Eu tenho vergonha dos que não se prestam a abraçar uma causa para corrigir injustiças, porque tal correção implicaria em prejuízos materiais, prejuízo ao status enganoso, falso, digno apenas de piedade.

Eu tenho vergonha dos que partirão e deixarão suas ‘posses’ (que lhes agrega esse tal poder), posses que são frutos de exploração humana e que certamente promoverão guerras aos que lhes herdam o vermelho sangue ‘azul’.

Eu jamais terei vergonha do sangue vermelho que brota dos meus olhos em forma de lágrimas pelos que se doaram, que morreram para que eu hoje soubesse utilizar uma caneta desesperadamente e dizer que tenho vergonha dos que mentem para si mesmos. Mas sinceramente, eu teria muito mais vergonha de não honrar à minha gente, essa gente.

Tenho, sobretudo orgulho e gratidão por queles que abriram horizontes e estradas de esperança por onde ainda posso caminhar, ainda que, solitária ou de braços dados, e ainda que a escravidão se faça notar.

A data 13 de maio comemora a libertação dos escravos. Mas após mais de um século da tentativa de “abolição” desse mal, a escravidão continua.

Lúcia Costa.

Demissão de servidores por ‘mau desempenho’ poderá camuflar assédio político nas repartições

Juíza do trabalho, Valdete Souto, diz que concursados estão diante de mais outra precarização do golpe

Ricardo Boechat, em uma manhã de argumentações no seu programa de rádio, comentou o PL 116 que define o ‘mau desempenho‘ como justificativa para a demissão de servidores públicos concursados.

Ao ouvir Boechat em defesa do que considera mais uma precarização do governo de Michel Temer, imediatamente depois, a juíza do trabalho Valdete Souto enviou um e-mail para o jornalista solicitando sua reflexão para os termos de algumas considerações que fez baseadas em sua rotineira experiência.

Confira o e-mail enviado que foi divulgado pela juíza nas redes sociais:

Caro Boechat

Escuto todas as manhãs teu programa. Sou juíza do trabalho em Porto Alegre, e Doutora em Direito do Trabalho pela USP.
Esta manhã, falastes do projeto defendido por Lasier Martins, que infelizmente foi eleito pelo meu estado.
Pois bem, gostaria de esclarecer alguns pontos importantes.

Em primeiro lugar, a lei vigente (Lei 8112) já permite a demissão do servidor que não desempenhar bem suas funções (artigos 127 e seguintes). Então, nesse aspecto, não há novidade. Os servidores também já são avaliados periodicamente.

A novidade é inserir critério subjetivo para o que será considerado “mau desempenho”, a fim de facilitar a demissão. Note que a possibilidade de utilização de critério subjetivo permite que o administrador descarte, inclusive, o servidor que com ele não compactua em termos de ideologia política, por exemplo. Ou seja, permite que a ameaça de perda do emprego seja fator de facilitação de perseguição política e assédio moral no serviço público. E isso em uma realidade na qual já está ocorrendo sucateamento das instituições públicas, parcelamento de salários e perseguição política.

Bem sabemos do momento de exceção em que estamos vivendo. Tu dissestes no programa de hoje que os serviços públicos muitas vezes são mal prestados. É verdade. O problema, porém, não é a garantia que os servidores têm contra a despedida. Se isso fosse verdade, os serviços de telefonia, já privatizados, seriam eficientes. Não são. Temos estruturas deficitárias, demandas em quantidade maior do que a capacidade de atendimento e tantos outros fatores que teriam de ser considerados e que impedem a análise simplista que joga a culpa sob os ombros dos servidores.

Praticamente todos os países ocidentais (todos os europeus certamente) reconhecem garantia contra a despedida para empregados de empresas privadas e estabilidade para várias categorias. Nem por isso, os serviços na Alemanha, por exemplo, são mal prestados. Servidores não tem privilégios, tem direitos! Direitos que deveriam ser estendidos à iniciativa privada, e não suprimidos.

Não podemos capitular diante de um discurso liberal que está rifando direitos mínimos. O mesmo já ocorreu com a reforma trabalhista, que sob falsos argumentos precariza ainda mais as condições de quem trabalha no Brasil, prejudicando com isso não apenas o trabalhador e sua família, mas também o próprio mercado interno, porque reduz consumo; o próprio estado, porque suprime base de arrecadação para a previdência.

Retirar proteção para o trabalhador servidor (que na realidade do estado que o senador Lazier representa está tendo seus salários parcelados), privatizar, retirar direitos trabalhistas, é criar instabilidade. Ou seja, é ruim para todos. A questão aqui não passa pela qualificação do serviço, mas pela intenção de reduzir ainda mais o número de servidores, prejudicando a prestação eficiente do serviço.

Essa lei, se aprovada, ao lado da EC 95, implicará a completa falência dos serviços públicos que, para a realidade concreta de um número expressivo de brasileiros, é a única via para obtenção de saúde, segurança ou justiça. A proteção contra a despedida que é direito dos servidores, atende ao interesse público, pois evita (ou tende a evitar) que esses trabalhadores atuem pressionados pelo medo da perda do trabalho, permite que se qualifiquem ao longo do tempo e lhes dá a tranquilidade para bem exercer seu mister.

Caro Boechat, em um país com tantos desempregados e miseráveis, com tão alta concentração de renda, deveríamos estar batalhando para estender aos empregados da iniciativa privada o direito de não serem despedidos, senão pelo cometimento de falta grave como, repito, já é possível hoje, pela legislação vigente, em relação aos servidores públicos.
Será que não retrocedemos o suficiente com a reforma trabalhista?

Chega de retirar direitos sociais! O que conseguiremos com isso será a potencialização da miséria, da violência urbana, das doenças ligadas à instabilidade da vida contemporânea.
Esse discurso de retirada de direitos não promove avanço, não irá qualificar a prestação do serviço público. E não atende ao anseio da sociedade, basta ver os números da consulta pública no site do Senado (101605 contra e 34820 a favor).

Por te considerar um dos melhores comunicadores da atualidade no Brasil, te peço que reflita acerca da defesa desse projeto nefasto, cuja “propaganda” é já enganosa, pois distorce a realidade vigente. E cujas consequências atingirão, inclusive, o cidadão que busca tais serviços.
Abraço fraterno,

Valdete Souto Severo

Lulismo toma dimensão filosófica, dizem sociólogos

“O Lula não é o Lula. O Lula é uma ideia. O Lula é uma ideia assumida por milhões de pessoas. E eles não sabem que o Lula já renasceu em milhões de mulheres e homens.”

A frase foi dita nesta semana pelo próprio Lula, consciente de sua valiosa participação política impecável e inédita em toda a história do Brasil – quem sabe, de todo o mundo – o que segundo André Singer, USP, criou no brasileiro a expectativa  de “… um Estado o suficientemente forte para diminuir a desigualdade…”

A força de Lula vem de ao menos três fontes. A primeira é sua base eleitoral muito grande, maior e mais sólida do que a de qualquer político em nossa história. Ela foi construída ao longo de uma sucessão de candidaturas nacionais, próprias ou não, que fizeram dele um personagem cuja presença no centro da vida política brasileira dura quase o dobro do que durou toda a República de 1946, a única experiência de democracia que conhecemos até o fim do século XX.

As identidades políticas (como outras, associativas, clubistas etc.), formam-se no tempo e na repetição, à medida que o indivíduo se define e se confirma nela. Os lulistas tornaram-se, cada vez que votavam de novo em Lula, mais lulistas, mais comprometidos com suas escolhas passadas e mais predispostos a, mesmo na adversidade, permanecer lulistas.

A segunda fonte é a satisfação da vasta maioria da opinião pública com o desempenho de Lula no governo. Sua vantagem em relação ao melhor nome que as oposições tiveram para contrapor-se a ele, o de Fernando Henrique Cardoso, chega a ser acachapante em algumas áreas. No quesito “O presidente que teve mais preocupação com os pobres” bate o tucano por 77% a 6%.

A terceira é a mais óbvia: a identificação do cidadão comum com sua figura. Diante de adversários com rosto e biografia típicos das elites tradicionais, é fácil ter mais confiança em alguém como ele.