Flávio Bolsonaro e Rodrigo Bacellar em Búzios |5.7.2025| Imagem reprodução viral nas redes sociais via jornal ‘O DIA’
| Brasília (DF)
30 de maio de 2026
De acordo com o colunista da Folha de S. Paulo, Celso Rocha de Barros, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "é aliado de um importante líder terrorista", em se considerando a recente "classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas" pelo Departamento de Estado americano".
Em matéria de opinião sob o título 'Flávio Bolsonaro é terrorista?', postada no veículo na tarde deste sábado (30/mai), o doutor em sociologia lembra que o senador, pretenso candidato à cadeira do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Executivo federal, "é aliado de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro".
Barros lembra que a PF (Polícia Federal) considera Bacellar "o chefe do núcleo político do Comando Vermelho". Para além disso, Flávio Bolsonaro também se "declarou irmão de Vorcaro", conforme citado pelo sociólogo em seu texto, referindo-se ao áudio vazado no Intercept Brasil, no qual o senador pede uma suntuosa quantia ao ex-banqueiro preso.
O sociólogo frisa no subtítulo: "Discordo de quem acha que Flávio, CV e PCC são terroristas, mas respeito os argumentos".
O Master tinha vínculos estreitos com a Reag Investimentos, acusada de lavagem de dinheiro do PCC, e administrava o fundo proprietário da casa de Daniel Vorcaro, conforme matéria da Folha em agosto de 2025, recorda Barros.
"Ou seja, se o Departamento de Estado americano estiver certo, Flávio Bolsonaro ganhou R$ 60 milhões inexplicáveis de um sócio da turma que lavava dinheiro do grupo terrorista PCC", observa o sociólogo.
O autor discorda do Departamento de Estado americano, afirmando que, ao contrário da Al Qaeda e do IRA, o CV e o PCC não buscam objetivos políticos ou ideológicos, apesar de manterem um reinado de terror em seus territórios.
A nova definição proposta pelo Departamento de Estado americano é defendida por vínculos suspeitos entre o CV, o PCC e o bolsonarismo, diz.
Em seu texto, Barros recorda que o bolsonarismo realizou um atentado terrorista ao tentar explodir o aeroporto de Brasília na véspera de Natal de 2022, liderado por um ex-assessor do ministério de Damares Alves. Um dos envolvidos estava presente no Congresso em 30 de novembro de 2022, durante uma reunião da bancada bolsonarista que solicitou um golpe de Estado.
Segundo o autor, aquele atentado se encaixa muito melhor na definição tradicional de terrorismo do que as barbaridades perpetradas por CV e PCC, pois os terroristas de Brasília buscavam, por métodos violentos dirigidos à população civil, criar um clima de caos que levasse a uma adesão dos militares à tentativa de golpe de Estado conduzida pelo presidiário Jair Bolsonaro.
Apesar disso, Celso Rocha de Barros pega leve ao afirmar:
"Flávio Bolsonaro é o herdeiro da liderança do movimento que fez o atentado da véspera de Natal em 2022. Mesmo assim, sou generoso o suficiente para hesitar antes de chamar Flávio Bolsonaro de terrorista".
Mas, para o autor, deve-se investigar se Flávio Bolsonaro e outros bolsonaristas são criminosos comuns, como os do CV ou os do PCC.
O dinheiro dos aposentados "roubado pelo governo bolsonarista do Rio de Janeiro e transferido à quadrilha Banco Master", segundo Celso Rocha de Barros, que citou essa investigação da PF, chegava a quase R$ 4 bilhões.
E citou que o governo do Distrito Federal assinou, na semana passada, um acordo, homologado no STF (Supremo Tribunal Federal), para viabilizar um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com o objetivo de cobrir o rombo no Banco de Brasília (BRB) gerado por operações irregulares envolvendo o Banco Master.
Celso Rocha de Barros repetiu:
"Discordo de quem acha que Flávio Bolsonaro, o CV e o PCC são terroristas, mas respeito os argumentos de quem acha que são".
Para o colunista, "o que é indiscutível é que não podemos deixar Flávio usar essa polêmica para abafar um escândalo que tirou de cofres públicos administrados por bolsonaristas um mínimo de R$ 10 bilhões que poderiam ter sido usados para treinar e pagar o salário de um policial para patrulhar a rua em que você mora.
"Ao invés disso, foram gastos com surubas de políticos de direita, uísque em evento de US$ 1 milhão e o filme do Bolsonaro", pontua o sociólogo.
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