O presidente dos EUA, Donald Trump, e o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, concedem coletiva conjunta, após reunião bilateral na Casa Branca |nesta segunda-feira |29.9.2025| Imagem reprodução The White House
São Paulo (SP) · 12 de abril de 2026
A colunista Dorrit Harazim, do jornal O Globo (edição impressa), recorreu a William Shakespeare para descrever o momento vivido pela comunidade internacional.
Em texto publicado em seu blog de opinião, ela cita a frase do Conde de Gloucester em “Rei Lear”: “É a desgraça destes tempos que os loucos guiem os cegos”.
Harazim relaciona a inversão moral da peça — na qual incapazes ou corruptos conduzem os vulneráveis — ao cenário atual, marcado pela exaustão mundial diante de líderes que se distanciam da lucidez e do Direito Internacional.
A jornalista destaca as palavras do economista Jeffrey Sachs, professor de políticas públicas na Universidade Columbia, publicadas no site Common Dreams sob o título “Dois loucos brincando de Deus”.
Sachs afirma que Donald Trump e Benjamin Netanyahu são dominados por três patologias: narcisismo maligno, arrogância do poder e ilusão religiosa de que atuam como messias.
“Quando líderes desequilibrados invocam a catástrofe divina como instrumento político, não apenas seus inimigos são consumidos. A menos que sejam detidos, todos nós seremos vítimas desses dois psicopatas”, escreveu Sachs, segundo a citação reproduzida por Harazim.
A colunista lembra que o conceito de narcisismo maligno foi cunhado em 1964 pelo psicólogo social Erich Fromm para descrever Adolf Hitler como fusão de grandiosidade patológica, psicopatia, paranoia e personalidade antissocial.
“O narcisista maligno não é apenas vaído. É estruturalmente incapaz de empatia genuína, constitucionalmente imune à culpa e movido por uma convicção paranoica de que inimigos o cercam e devem ser destruídos”, explicou Fromm. Harazim adverte que tanto Trump quanto Netanyahu têm acesso ao arsenal nuclear, o que amplifica o perigo.
A Operação Fúria Épica, lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã no final de fevereiro de 2026, já dura mais de seis semanas.
O cessar-fogo temporário de duas semanas, anunciado por Trump, enfrenta interpretações contraditórias.
Enquanto Teerã entendia que o plano de 10 pontos incluía o Líbano, Washington defende uma versão mais restrita centrada na reabertura do Estreito de Ormuz.
Até a noite de sexta-feira (10/abr), o estreito permanecia zona de risco, tendo inclusive engolido um drone militar norte-americano.
Israel segue operando no sul do Líbano, transformando a região em escombros, o que Irã classifica como violação do acordo.
A colunista conclui que o mundo carece hoje de vozes lúcidas como a de Cordélia, personagem ignorada pelo próprio pai em “Rei Lear”. Shakespeare, presente.
As tensões persistem com novas acusações mútuas de violação do cessar-fogo.
Detalhes sobre possíveis rodadas de negociação em Islamabad devem surgir nas próximas horas.
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