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Fernando Morais: “Lula vai levar essas eleições e nos livrar de uma nova ditadura”

Biógrafo revela bastidores da guinada conciliadora do petista ao centro, alianças frustradas com o PSDB e por que o quarto mandato definirá seu lugar na história brasileira

Fernando Morais durante entrevista ao Brasil247

O jornalista e escritor Fernando Morais gesticulando com as mãos enquanto fala, em seu característico estilo direto e expressivo, cercado pelos livros, quadros e objetos de seu escritório durante entrevista concedida ao portal Brasil247 |14.4.2026| Imagem reprodução / Brasil247/YouTube

RESUMO
URBS MAGNA

São Paulo (SP) · 14 de abril de 2026

O jornalista Fernando Morais afirmou com convicção, em entrevista ao Brasil 247, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencerá as eleições de 2026.

Segundo o escritor, o pleito não vai ser fácil, mas terminará com vitória do petista, garantindo mais quatro anos no Palácio do Planalto e evitando o risco de retrocesso democrático.

A declaração, feita durante conversa sobre o recém-lançado Lula — Volume 2, reforça o otimismo de quem acompanha de perto a trajetória do líder desde os tempos de sindicalista no ABC paulista.

Fernando Morais, autor da trilogia biográfica sobre Lula, detalhou no segundo volume os caminhos que levaram o ex-líder metalúrgico da derrota para Fernando Collor de Mello, em 1989, até a vitória histórica de 2002, quando se tornou o primeiro operário eleito presidente da República.

O livro cobre ainda o período constituinte, as Diretas Já e as tentativas de Lula de construir alianças amplas, sempre buscando o centro político.

Das alianças ao centro ao “namoro” com o PSDB, Morais destaca que Lula nunca priorizou uma chapa “puro sangue” do PT. Já em 1994, ele articulou uma aliança com o então presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, que seria vice na chapa.

Encontros secretos e públicos preparavam o terreno, mas o sucesso do Plano Real, comandado por Fernando Henrique Cardoso, “atropelou” o acordo.

“O casamento entre o Lula e o Tasso Jereissati não morreu de morte natural, mas morreu por atropelamento pela carreta do Plano Real”, disse o biógrafo.

Essa aproximação frustrada ajuda a explicar a estratégia vitoriosa de 2002, quando Lula selou aliança com o empresário José Alencar (PL) e contratou o marqueteiro Duda Mendonça, antes vetado pelo partido.

O volume também registra a tentativa de trazer Zé Dirceu — ex-guerrilheiro treinado em Cuba — para conversas com o mercado norte-americano e o Partido Republicano, logo após a Carta ao Povo Brasileiro.

Morais menciona uma foto curiosa de Dirceu em Wall Street, tocando o touro da Bolsa de Nova York.

Bastidores da Constituinte e derrotas eleitorais

Durante a Assembleia Nacional Constituinte, Lula costurou acordos com Ulysses Guimarães e Afonso Arinos.

O PT rejeitou a ideia de uma constituinte “pré-fabricada” e defendeu eleição específica para redigir a nova Carta, mas acabou engolindo uma assembleia mista, com um terço de senadores eleitos para o trabalho ordinário do Congresso.

O biógrafo acompanha as derrotas de Lula — para Franco Montoro em São Paulo (1982), Collor (1989) e duas vezes para Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) — e revela traços de personalidade: o petista “lida muito mal com as derrotas” e, em alguns momentos, quase desistiu da vida pública.

PT, renovação e o quarto mandato

Fernando Morais observa que o PT de hoje ocupa o espaço social-democrata que o PSDB não soube preencher.

Ele critica a falta de “filhotes” no partido e a dificuldade de produzir novas lideranças jovens, citando como exemplo a vereadora Luna Zarattini, neta de Ricardo Zarattini.

“O Lula cobrava do Chávez que criasse novas gerações. Isso aconteceu dentro do PT também?, questiona.

Sobre o atual mandato, Morais defende que o “quarto mandato determinará como Lula entrará para a história”.

Ele entregou o segundo volume ao presidente no Palácio do Planalto em 7 de abril de 2026, ao lado do editor Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras.

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Lula viajou com o exemplar para a Alemanha. O autor afirma que o petista “sempre foi ‘paz e amor’ e conciliador”, traço presente desde o sindicalismo.

O jornalista revela ainda que não é filiado ao PT, mas mantém amizade antiga com Lula, desde 1975. Ele o chama de “senhor presidente” e diz ter liberdade para discordar: “Você cuida do seu livro, eu cuido da minha vida”, respondeu Lula certa vez.

Documentos dos EUA e o terceiro volume

Fernando Morais obteve, via Lei de Acesso à Informação americana, a confirmação de que órgãos como CIA, Departamento de Defesa e Comando Cibernético possuem centenas de registros sobre Lula desde 1966 (mais de 800 no total).

Ele move ação na Suprema Corte dos Estados Unidos para liberar o material completo, que pretende usar no terceiro volume da trilogia ou em publicação específica. “Eles burlando a legislação norte-americana”, afirma.

O primeiro volume termina na prisão de 2018, em Curitiba; o segundo chega à eleição de 2002. O terceiro deverá cobrir os governos, a prisão, a soltura e o retorno ao poder.

Fernando Morais é jornalista, escritor e um dos maiores biógrafos brasileiros. Autor de obras como Olga, Chatô — o rei do Brasil e A ilha, já escreveu sobre figuras como Paulo Coelho, Getúlio Vargas (inspirado na trilogia de Lira Neto) e agora dedica-se à trajetória de Lula, com quem viajou mais de 20 vezes internacionalmente para entrevistas em aviões — “o melhor lugar para entrevistar”, pois não há interrupções.

O lançamento de Lula — Volume 2 (352 páginas, Companhia das Letras) ocorreu em março, com sessões de autógrafos em São Paulo e Brasília.

Leitores que acompanharam o primeiro volume, que já vendeu mais de 100 mil exemplares, encontram aqui bastidores ricos da construção do lulismo como força política conciliadora e transformadora.

Nesta terça-feira (14/abr), Lula reafirmou em entrevista ao Brasil 247, DCM e Revista Fórum sua disposição de ser candidato à reeleição, destacando um “compromisso cristão” com a democracia.




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