O hoje senador da República, Flávio Bolsonaro, em foto ainda como deputado estadual entre os anos de 2003 e 2007, foi alvo de duras críticas do jornal O Estado de S. Paulo, edição de 13.4.2026 / Imagem divulgação / ALERJ
São Paulo (SP) · 13 de abril de 2026
O Estadão publicou nesta segunda-feira (13/abr) editorial que desnuda os passivos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em momento delicado de sua pré-candidatura presidencial.
Sob o título “Os ‘esqueletos’ de Flávio Bolsonaro”, o jornal afirma que “Não demorou para que o passivo do senador – sobre rachadinhas e milicianos – começasse a aparecer. E o candidato, ao dizer que não sabia de nada, escolheu ofender a inteligência do eleitor”.
A provocação surgiu durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. na segunda-feira (6/abr). Questionado sobre as investigações que apontam rachadinhas em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o senador classificou as apurações como “espuma” destinada a destruir sua reputação e insistiu que Fabrício Queiroz agiu sozinho.
O Estadão rebate: “Ora, se verdadeira, essa versão é um atestado de incapacidade de Flávio para a administração pública. Se falsa, a alegação reforça ainda mais a suspeita de que Flávio participou diretamente de um esquema de peculato, entre outros crimes”.
O caso, revelado pelo próprio Estadão em 2018, envolve denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro MP-RJ que acusa Flávio Bolsonaro de liderar organização criminosa responsável pelo desvio de R$ 6 milhões em salários de assessores. Fabrício Queiroz, ex-policial militar e figura central do esquema, era seu principal assessor.
O senador ainda afirmou não ter sido réu em ação penal, dando a entender inocência. O editorial esclarece que os processos não foram encerrados por reconhecimento de inocência, mas por questões processuais — analogia direta ao que ocorreu com os processos do presidente Lula na Lava Jato.
Além das rachadinhas, o texto resgata a relação de Flávio Bolsonaro com milicianos no Rio de Janeiro. Em discurso de 2007, ele qualificou a milícia como “novo tipo de policiamento” e disse que pagaria “R$ 20, R$ 30, R$ 40” para ter segurança privada.
O Estadão registra ainda que o senador condecorou policiais suspeitos de integrar milícias e abrigou em seu gabinete a ex-mulher e a mãe de Adriano da Nóbrega, um dos mais cruéis milicianos do País. Flávio Bolsonaro nega qualquer vínculo, alegando “falsas narrativas”.
O jornal conclui: “Parece claro que a zona de conforto de Flávio Bolsonaro é bem menor do que ele imaginava”.
O caso ganhou reforço em fontes de renome. Em 19 de março, a Folha de S.Paulo noticiou que ex-assessora de Flávio Bolsonaro foi denunciada pelo MP-RJ por lavagem de dinheiro ligado a filho de milicianos.
Governistas também circularam vídeos em 13 de março associando o senador a organizações criminosas do Rio de Janeiro, conforme registrou O Globo.
Em ano eleitoral, o debate sobre transparência e prestação de contas ganha relevância para a democracia.
Para o editorialista do Estadão, sua “opinião” serve como alerta: o eleitor merece explicações claras, não negações que desafiam os fatos já documentados pela justiça.
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