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    Leitão faz o “L” e pergunta a (e)leitores se “precisa desenhar” que Flávio Bolsonaro, sendo filho de golpista, é golpista

    Jornalista “descasca” o Zero Um do invólucro de “moderado” e reativa em seu público expressões como ‘filho de peixe peixinho é’ e ‘fruta não cai longe do pé; texto é advertência severa sobre um Brasil muito pior do que se imagina

    Lula, Míriam Leitão e Flávio Bolsonaro

    Lula chega a Hannover / Foto: Governo da Alemanha | Míriam Leitão / Imagem reprodução / O Globo | Flávio Bolsonaro / Foto: Beto Barata/Divulgação/PL

    Brasília (DF) · 21 de abril de 2026

    Em artigo postado nesta segunda-feira (21/4), a coluna da jornalista Míriam Leitão em O Globo adverte seus leitores (e eleitores de Flávio Bolsonaro) sobre a relação do senador com seu pai, um golpista preso por tentativa de subverter o Estado Democrático, questionando diretamente se “precisa desenhar” que filho primogênito levará o país na mesma direção de Jair, ou pior.

    Em seu texto, Leitão parece ‘descascar’ o Zero Um do ‘disfarce’ de “moderado” para forçar no público de seu espaço no jornalão a reativação do bom senso e da percepção de que ‘filho de peixe peixinho é’ e, sendo assim, um eventual governo Bolsonaro herdeiro seria como a expressão ‘fruta não cai longe do pé, podendo ser até pior.

    A publicação soa como uma advertência extrema.

    A jornalista critica duramente a ideia de que o principal obstáculo à candidatura de Flávio Bolsonaro seria apenas a falta de um plano de ajuste fiscal. Ou seja: detalhes sobre cortes de gastos públicos. Para ela, essa visão demonstra desrespeito à História recente do Brasil, especialmente os eventos de 2022/2023 envolvendo o pai dele.

    Na opinião de Mirian Leitão, o problema central não é econômico – não se resume a saber quais despesas ele cortaria ou qual imposto reduziria.

    O que realmente importa é a garantia de que a democracia brasileira conseguiria resistir/sobreviver a um possível segundo governo Bolsonaro — porque Flávio representaria, na visão dela, a continuação do mesmo projeto autoritário e golpista associado ao pai, Jair Bolsonaro, que ela considera uma ameaça existencial às instituições democráticas.

    A ideia de que falta a Flávio Bolsonaro apenas divulgar um plano de ajuste fiscal para ser um bom candidato impressiona pela falta de respeito à História recente do país. A principal questão do candidato do PL não é que cortes ele fará em qual despesa pública, mas sim que garantia tem a democracia brasileira de sobreviver a um segundo governo Bolsonaro“, escreveu a jornalista.

    Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente que está preso por tentativa de golpe de Estado. Ele defende o pai, jamais se afastou dos ideais autoritários da família, é apoiado pelos seguidores do ex-presidente, disse que sua prioridade é indultar o pai e anistiar todos os envolvidos”, prossegue, fazendo um alerta via questionamento ao leitor:

    Precisará desenhar para ser entendido?

    Desde que levou, em 2018, um golpista ao poder, a democracia brasileira enfrenta uma luta existencial. O governo Bolsonaro foi crime continuado. Ele ameaçou as instituições desde o começo e nesse propósito permaneceu até depois do último dia, coerente com o que sempre falou e fez na sua vida pública. As provas da trama são abundantes, mas se fosse para escolher apenas uma, eu escolheria a reunião de 22 de abril de 2020, há seis anos“, diz no texto.

    Trazida a público pelo então ministro do Supremo Celso de Mello, a reunião foi um nu frontal das intenções do governo Bolsonaro. Seus ministros propuseram aproveitar a pandemia para burlar as leis ambientais, quiseram mandar um milhão de jovens para o quartel, prender governadores e prefeitos“, diz na publicação.

    O presidente avisou que iria interferir na Polícia Federal porque não esperaria “ferrar” (a palavra usada foi bem mais chula) sua família toda antes de tomar essa decisão, informou que tinha um serviço particular de informações. Aquela reunião foi realizada no começo da maior tragédia sanitária do país, a que matou 700 mil brasileiros“, lembra. “O encontro foi todo dedicado à paranoia e aos maus modos de Bolsonaro que falava um palavrão a cada duas palavras“.

    “Num governo normal, o encontro teria sido para formular, com o ministro da Saúde, a estratégia para enfrentar o vírus mortal que se espalhava pelo país. Mas Bolsonaro havia demitido Luiz Henrique Mandetta que tentara organizar a defesa do país e na reunião estava Nelson Teich, que quase não abriu a boca. E por que Bolsonaro não fez o que qualquer governante normal faria no início de uma emergência de saúde pública?“, questiona, para responder a seguir:

    Porque ele usou todo o tempo que esteve no poder para conspirar contra a democracia.

    Leitão alerta que “os filhos são os seus maiores seguidores, sem qualquer dissidência”. Que “é uma família unida, neste aspecto“. E relata opinião de um economista: “… me disse que o problema dessa eleição é que nenhum dos dois principais candidatos está propondo fazer grandes reformas econômicas“. Apesar de que Lula está.

    Mas estamos diante de um questão muito maior“, volta a alertar: “Se Flávio Bolsonaro apresentasse uma lista dos sonhos de reformas econômicas e demonstrasse insuspeita capacidade de realização desse programa, ainda assim ele seria um perigo institucional. Já está longe o tempo em que a clivagem no Brasil era de proposta econômica. Foi o que opôs, por exemplo, Fernando Henrique Cardoso e Lula nas eleições de 1994 e 1998. Agora infelizmente regredimos“, escreve.

    O que falta a Flávio Bolsonaro não é um “posto Ipiranga”. O que ele precisaria era não ser a continuação dos projetos golpistas do seu pai, mas ele é, e nunca escondeu isso. Ele já mostrou que tem seus próprios planos golpistas quando disse que é necessário usar medida de força contra o Supremo. Melhor não fingir que a dúvida é sobre que imposto será reduzido ou que despesa será cortada”, prossegue.

    E o chama de “candidato da extrema direita“, que “disse que fará um “tesouraço”, mas “não deu conteúdo à palavra, mas foi o suficiente para encantar parte do pensamento econômico brasileiro. E de novo está sendo esquecida a História recente. O “posto Ipiranga” de Bolsonaro não entregou o que prometeu em nenhum aspecto. O governo foi iliberal também na economia“.

    Existe a demanda por uma terceira via, mas não oferta. O PSD escolheu Caiado que age como satélite do bolsonarismo. Zema também”.

    Amanhã [22 de abril] completa seis anos da reunião ministerial em que foi escancarada a natureza do governo Bolsonaro: antidemocrático e insensível às dores do país. Não se pode alegar desconhecimento. Graças a Celso de Mello pudemos ver exatamente o que acontecia no interior daquele governo“, lembra.

    Os fatos que se seguiram confirmaram que o projeto não era governar, mas destruir a democracia“, finaliza.




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