Vergonha de ser brasileiro – texto/poema

Vergonha de ser brasileiro atinge recorde de 47%, disse o Datafolha em jun/2017

Extraído das redes sociais, esta literatura revela a indignação e a força da resistência ao golpe 2016. Um achado valioso da representatividade do pensamento dos brasileiros que souberam identificar de imediato o que de fato estava acontecendo com a democracia e quais suas consequências na soberania nacional.

Vergonha

Eu tenho vergonha da vergonha que não sentem os ‘sem vergonha’, que apoiaram e apoiam o golpe.

Eu tenho vergonha daqueles que, assim como eu, descendem das etnias negra e indígena e, mesmo assim, apoiam a barbárie, a ditadura, em detrimento do respeito e do amor.

Eu tenho vergonha de comemorar a “abolição da escravatura” no dia 13 de MAIO, quando ela: A ESCRAVIDÃO caminha a passos largos e galopantes, livre e dissimulada.

Eu tenho vergonha dos que fingem não enxergar quando o que está em jogo é a barganha; o jeitinho ‘larápio’ e desonesto de ser ‘brasileiro’; de tirar proveito do que não lhes pertencem.

Eu tenho vergonha de precisar brigar pelo que me pertence, pelo que é justo e óbvio. Vergonha da segregação, da herança colonial maldita e torpe.

Eu tenho vergonha da misoginia, do machismo, dos que se corrompem. Vergonha de todos os ‘ismos’ do ‘semvergonhismo’.

Tenho vergonha dos que não cumprem com a palavra quando esta os impõem, impulsionam à pratica da alteridade, do respeito, da justiça, o reconhecimento do valor do outro.

Eu tenho vergonha dos que subestimam à minha inteligência, mas ainda mais vergonha dos que subestimam à inteligência dos ‘iletrados’. Pois, estes sim, são suas principais vítimas. Dormem em berços de espinhos e perigam não acordar.

Eu tenho vergonha da TV que finge homenagear ( no 13 de maio) a GENTE de pele negra, quando esta mesma TV é a protagonista e disseminadora de toda forma de discriminação e preconceitos. Não me queira manipular, eu tenho vergonha. Não me queira subestimar, me cegar. Eu sou fermentação e ebulição de vergonha, a pressa da vergonha, a precipitação.

Eu tenho vergonha dos que não se prestam a abraçar uma causa para corrigir injustiças, porque tal correção implicaria em prejuízos materiais, prejuízo ao status enganoso, falso, digno apenas de piedade.

Eu tenho vergonha dos que partirão e deixarão suas ‘posses’ (que lhes agrega esse tal poder), posses que são frutos de exploração humana e que certamente promoverão guerras aos que lhes herdam o vermelho sangue ‘azul’.

Eu jamais terei vergonha do sangue vermelho que brota dos meus olhos em forma de lágrimas pelos que se doaram, que morreram para que eu hoje soubesse utilizar uma caneta desesperadamente e dizer que tenho vergonha dos que mentem para si mesmos. Mas sinceramente, eu teria muito mais vergonha de não honrar à minha gente, essa gente.

Tenho, sobretudo orgulho e gratidão por queles que abriram horizontes e estradas de esperança por onde ainda posso caminhar, ainda que, solitária ou de braços dados, e ainda que a escravidão se faça notar.

A data 13 de maio comemora a libertação dos escravos. Mas após mais de um século da tentativa de “abolição” desse mal, a escravidão continua.

Lúcia Costa.

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Que país soberano acabou com a corrupção se desfazendo de seu patrimônio?

O BRASIL É UM PAÍS DE ‘MIDIOTAS’

É impressionante a mentalidade que se construiu nesse país. É uma total falta de identidade nacional. É uma burrice sem tamanho confundir soberania e patrimônio público com corrupção.

A mídia que é muito bem paga para demonizar investimentos públicos e empresas estatais fez a cabeça desse pessoal que bateu panela de verde amarelo e agora aplaude o fim do Brasil.

Cientistas políticos especulam que a intervenção militar, cada vez mais iminente, já era prevista como ação sequencial programada para o momento vivido pela nação brasileira que, ainda atordoada pela concepção de que houve de fato o golpe 2016, agora viaja na maionese disparada contra seus pés pela REDE GLOBO.

Que país soberano acabou com a corrupção se desfazendo de seu patrimônio? Até o rei do mercado – EUA – não deixa nas mãos de estrangeiros tudo que é estratégico para seu desenvolvimento.

Quanto atraso produzido pelos invejosos e gananciosos por poder! Agora, de volta à condição de colônia, produzimos novamente o alimento e a mão-de-obra barata para aqueles que sempre nos subjugaram por todos estes séculos. E o exército impedirá qualquer reação de indignação com estes fatos.

Por enquanto, é o próprio povo que clama pela intervenção. Mas quando se derem conta, como vencerão os militares? Como é fácil manipular a opinião nesse país.

Democracia em agonia na década de 10

Não somente no Brasil, os cidadãos elegíveis de todo o mundo vivem uma década horrível para a democracia.

A política não é uma ciência exata, mas a sensação de que a democracia liberal passa por um autêntico calvário global recebe cada vez mais apoio empírico. Depois dos sonhos destroçados da primavera árabe, e dos chocalhos da explosiva miscelânea do populismo e nacionalismo no Ocidente, o sudeste asiático destaca-se, no momento, como a nova dolorosa decepção para os partidários do pluralismo, estado de direito e separação de poderes.

Mianmar, que despertou esperanças democráticas nos últimos anos, é o triste protagonista das notícias, por causa da perseguição da minoria muçulmana rohingya. Aproximadamente 270.000 pessoas fugiram do país em duas semanas. A prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, é um símbolo hiperbólico das expectativas democráticas fraudadas. Uma vez líder moral admirada mundialmente, é agora objeto de indignação generalizada pela sua atitude nessa crise.

A região apresenta um panorama aterrorizante. A democracia filipina sofre com os golpes da liderança muito discutível de Rodrigo Duterte; o regime cambojano persegue com cada vez mais brutalidade dissidentes e jornalistas independentes, e seu ditador anunciou que pretende governar mais 10 anos; a Tailândia está sob ditadura desde 2014; Vietnã e Malásia não oferecem alegrias para os democratas, e na Indonésia, a Justiça bloqueou o caminho de um político cristão condenado por blasfêmia.

Mas o sudeste asiático é apenas o enésimo horizonte de uma onda expansiva de ventos desfavoráveis para a democracia. A primavera árabe foi uma grande decepção. A inabalável solidez de líderes autoritários como Putin e Erdogan provoca desânimo, e a deterioração de democracias no leste europeu – Polônia e Hungria, especialmente -, inquietação.

A Freedom House, um centro de estudos independentes com sede em Washington que analisa a evolução dos sistemas políticos no mundo, observa uma deterioração constante da liberdade e da democracia no mundo na última década. De acordo com seus parâmetros, neste período, o número de países que sofreram uma involução supera em muito os que melhoraram. Em 2005, o balanço era positivo, no entanto, desde 2006, todos os anos foram negativos. Obviamente, há histórias positivas, mas, depois do entusiasmo e da grande expansão das democracias depois de 1989, esta década marca uma etapa de profunda dificuldade.

As explicações são tão variadas quanto as realidades geopolíticas subjacentes. A Freedom House evidencia alguns fatores amplos. Depois do fracasso de sistemas totalitários do século XX, os autoritarismos aprenderam a conjugar a firme retenção do controle político, com mais graus de liberdade individual em aspectos não sensíveis. Aproveitam habilmente os novos ambientes tecnológicos para estes fins. Por outro lado, nas democracias já estabelecidas, o impulso da mistura entre populismo e nacionalismo sacode a estrutura e a estabilidade dos sistemas. A Espanha, entre outros, passa, neste momento, por um duro teste.

A grande crise econômica foi, sem dúvida, um elemento chave nas dificuldades recentes no Ocidente. E, claro, os fatores culturais e históricos estão se provando obstáculos duríssimos a serem superados para que a democracia liberal se expanda e prospere em novos lares. “Não pode haver nada mais espantoso do que as ações de um homem sendo submetidas à vontade de outro”. Falta muito para que uma sociedade chegue coletivamente a esta ideia de Kant. Nada substitui séculos de história e pensamentos.

 

URGENTE: Lula anuncia candidatura em 2018″ 

A partir de agora vou reivindicar do PT o direito a me colocar como postulante à candidatura à presidência em 2018

Luiz Inácio Lula da Silva

Em sua primeira fala após a condenação na Justiça em primeira instância, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou oficialmente sua intenção de ser candidato à presidência pelo PT em 2018. 

“Vou reivindicar algo que eu não tinha reivindicado até agora; a partir de agora vou reivindicar do PT o direito a me colocar como postulante à candidatura à presidência em 2018.” 

“Quando os economistas de direita não tiverem mais solução, por favor, permita que a gente coloque o pobre no orçamento outra vez; a gente faz o país voltar a crescer, e faz o povo voltar a sorrir e ter o otimismo que tinha durante todo o tempo em que governamos esse país.”

Ele disse que, aos 71 anos, está “disposto a brigar como se tivesse 30 anos. Quem afirmou que é o fim do Lula vai quebrar a cara, porque só o povo tem o direito de dizer que eu estou fora do jogo.” 

Urgente: MORO é denunciado 

Desembargadores do TRF acusam Moro. LEIA

Desembargadores da 8° Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, denunciaram o juiz golpista Sérgio Moro de tentar engessar os tribunais superiores com decisões suas sobre as delações premiadas.

Segundo os desembargadores, em pelo menos duas oportunidades, nos processos criminais envolvendo o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o ex- diretor da Petrobrás Renato Duque, o Mussolini de Maringá (Sérgio Moro) atuou no processo passando por cima de suas competências legais.

Segundo o desembargador e relator do processo de Duque, João Paulo Gebran Neto, Moro teria concedido benefício ao réu por delação premiada depois que o processo já estava para ser avalizado pela Corte, apresentando que a Corte superior teria que acatar o beneficio e vinculando a pena previamente definida.

Além disso, Moro, um juiz de primeira instância, tomou deliberações acerca de seu processo e de outros, vinculando de forma equivocada o tribunal e o juiz de execução, extrapolando suas competências. Realizando ato que pode ser nulo, já que os juízes de primeira instância não podem tomar decisões vinculadas à decisão de instância superior, pois obviamente ela pode ser modificada, reformada pelos juízes dessas cortes superiores.

Diante da denúncia, Moro foi notificado pelos desembargadores afim de que pare de atuar como “Mussolini”, e se contenha apenas a realizar atos judiciais dentro de suas competências de juiz de primeiro grau.

Com a crise e o aprofundamento do golpe, tudo indica que o fim do reinado do golpista Sérgio Moro está chegando ao fim. A missão de Moro, de prender petistas, derrubar o governo do PT e destruir as empresas nacionais se esgotou, e o golpe deve se estabelecer em outras bases.

BRASIL: um país de merda

Dirigido por uma elite de merda idêntica aos deputados que tiraram Dilma, ao Aécio e sua mala de dinheiro e aos ministros equidistantes do STF 

O Brasil acabou de vez com a decisão do STF de reconduzir o criminoso Aécio Neves ao Senado. Assim como a de soltar o criminoso Não Sei o Quê Loures. Assim como a de não abrir imediatamente um processo contra o criminoso Michel Temer no momento em que apareceram as gravações dele negociando crimes com o pilantra Joesley, outro criminoso vagabundo, milionário vagabundo, exemplo mais bem acabado da elite econômica e industrial brasileira, composta por vagabundos — para encontrá-los, todos, é só ir à Fiesp e ficar olhando quem entra no prédio pela garagem.

Dilma Rousseff foi expulsa da presidência por alocar verbas federais para programas sociais, tirando dinheiro do próprio governo daqui e colocando ali para entregar a quem mais precisava. Uma manobra fiscal, cujo único beneficiário era aquele coitado que recebe Bolsa Família. A isso se deu o nome de “pedalada”. E foi o bastante para derrubá-la.

Movida pelo ódio aos pobres, a classe média brasileira atendeu de imediato ao chamado da mídia — Veja, Folha, Estadão, Globo, O Globo e seus satélites, incluindo as patéticas emissoras de rádio — e se vestiu de amarelo para ir às ruas louvar um pato inflável.

A isso chamou-se de movimento popular. “O povo resolveu tirar o PT do poder”. Não foi o povo. Foi a classe média turbinada pelos desejos e ordens daqueles que, no fim das contas, são seus porta-vozes e grandes prejudicados por governos que distribuem renda — sempre tiveram, e sempre quererão ter a maior fatia do bolo, se possível o bolo inteiro.

A classe média brasileira, composta pela pior espécie de gente que se possa imaginar, bateu panelas a cada pronunciamento de Dilma. Mandou-a tomar no cu aos gritos num estádio, vociferou palavras de ódio e misoginia. Pôde, sob o olhar deliciado de gente como ela — os donos da mídia –, finalmente expressar sem pudor seu ódio de classes que faz escorrer baba pela boca.

Fora PT!, gritavam. Luladrão!, Dilmanta!, corruPTos!, berravam, urravam, relinchavam, e depois tiravam selfies ao lado de soldados do pelotão de choque da PM. E pediam a volta dos militares. E seus semelhantes, como Lobão, Danilo Gentili, Otávio Mesquita, Roger, Regina Duarte, alguns atores, muitos colunistas e radialistas, jornalistas globais, subiam em carros de som para repetir o mantra: Fora PT. Apareceram movimentos como Revoltados On Line e MBL e coisas do tipo. Deu-se voz a esses animais de sela relinchantes.

E o Brasil mostrou sua cara verdadeira. Um país de merda dirigido por uma elite de merda que, no fundo, é idêntica aos deputados que tiraram Dilma da presidência, é idêntica ao Aécio e sua mala de dinheiro, é idêntica aos ministros do STF que negam habeas corpus a uma mulher que furtou um ovo de Páscoa para dar ao seu filho, mas fazem elogios rasgados ao senador flagrado em gravação pedindo propina, indicando o primo para pegar uma mala de dinheiro, um filho da puta sem tamanho que, no fim das contas, fica livre porque é julgado por filhos da puta iguais a ele.

E você, que cada vez que o Lula aparecia na TV, ou a Dilma, ou um petista qualquer, batia panela na varanda gourmet do seu apartamento, ou buzinava na rua, é um filho da puta igual, porque você é um igual. Não se iluda: você que bateu panela é igual, idêntico ao Aécio, você colocaria 500 paus numa mala e entraria correndo num táxi, você ligaria para um juiz para armar alguma putaria se pudesse, você mandaria matar seu primo otário se ele fosse pego, você armaria uma conversa no porão da sua casa para tramar alguma roubalheira, você já deve ter feito coisa parecida, portanto não se revolte, não fique indignado, você pensa igual, age igual, é um bosta igual.

Hoje o copo d’água transbordou. Não se sabe mais o que é preciso fazer para ser preso no Brasil. Ou para perder a vergonha e renunciar a um cargo público quando se é flagrado cometendo crimes hediondos como desviar dinheiro que poderia estar melhorando a vida de miseráveis num país miserável. Essa elite brasileira que chutou o PT do governo não tem vergonha de ser o que é. Você, paneleiro, não tem vergonha de ser esse merda que é. Você gosta de ser assim, admira quem é assim, se orgulha de ser assim.

Se você não é preto, nem pobre, nem petista, fique tranquilo. Não será processado por nada, não será preso, sempre haverá alguém para bater panela por você. São tantos os absurdos, as decisões amorais, abjetas, obscenas, que partem do Judiciário e salvam gente do Legislativo, que é quase impossível listá-los.

São esses criminosos que legislam, e que estão arrebentando com os direitos dos trabalhadores e estuprando os mais frágeis na questão da Previdência. Esses filhos da puta nem cogitam mexer nas suas aposentadorias, nos “direitos adquiridos” de magistrados e militares, querem que se foda todo mundo.

Claro que tem gente que aplaude. O projeto era tirar o PT, seguir ganhando dinheiro fácil com especulação, voltar à posição de superioridade sobre pobres diabos que trabalham de sol a sol e são escravizados por empresários milionários, sonegadores, vagabundos.

O Brasil é imoral demais, e aqueles que ainda têm algum resto de vontade de lutar por algo melhor estão cansados. O povo povo, aquele que mais sofre, que está sendo atirado de volta ao lugar onde sempre esteve, à miséria, ao descaso, ao desalento, não tem forças para brigar e já nem compreende mais o que está acontecendo.

Isso aqui virou o pior lugar do mundo para se viver.

(Flávio Gomes)

Governo brasileiro comparado a Nazismo em texto de professora

Reformas  de Temer subjugam nosso povo assim como os alemães humilharam os judeus na segunda guerra

UrbsMagna     

   As intenções das reformas do governo de Michel Temer,  incidentes sobre as classes básicas da população brasileira, são comparáveis  a algumas práticas nazistas da época da segunda grande guerra, de acordo com a professora Alessandra Vieira que apresenta a ideia no belo texto abaixo:

Os nazistas mantinham os judeus em fome constante. Assim, os judeus se ocupavam apenas de uma única tarefa durante o dia todo: procurar alimento, sobreviver, matar a fome imediata e urgente. Não tinham tempo e nem energia para organizar conspirações, rebeliões e planos de fuga. A vida se resumia a uma luta individualista, egoísta e solitária pela mera subsistência.

De modo análogo, a maioria dos brasileiros se ocupa apenas da sobrevivência e da dura conquista do básico: moradia, comida, escola e saúde. E mesmo os poucos que conseguem manter esse básico (especialmente a classe média) não têm tempo para se preocupar com mais nada: acordam muito cedo, trabalham mais de 8 horas, retornam exaustos, assistem o Jornal Nacional e vão dormir para reiniciar a labuta no dia seguinte. A vida se resume a uma luta individualista, egoísta e solitária pela manutenção do básico. E as TVs, os jornais e revistas reforçam e martelam diariamente essa ideologia do individualismo e do trabalho maquinal: pense apenas em você; invista apenas em você; é cada um por si; não reclame, trabalhe; não seja vagabundo, trabalhe até o fim da vida; sempre foi e sempre será assim; com esforço você conseguirá vencer; a meritocracia fará você vencer; os sindicatos não servem pra nada; a política não presta; o coletivismo é um sonho; o socialismo morreu; os empresários vão melhorar sua vida; o capitalismo selvagem e sem grilhões é o futuro. E tudo isso é mostrado ao público através de um lustro acadêmico e profissional. A propaganda é tão intensa e tão bem feita que poucos conseguem perceber a grande farsa que existe por trás dessa forma de pensar.

Diante desse cenário, a grande maioria dos brasileiros pouco se importa se o país está passando por um golpe de estado, se os direitos humanos já foram pro vinagre, se não existe mais democracia, se a constituição foi rasgada, se existe prisão política, se haverá uma ditadura militar, se os pobres da cracolância estão sendo tratados como lixo. Para quem a sobrevivência é a única preocupação, essas questões parecem supérfluas, um luxo desnecessário que só se justifica em países ricos. Tudo isso se apresenta como uma névoa de acontecimentos, um falatório confuso, um ruído de fundo na vida cinzenta e maquinal dos trabalhadores.

Querer que essa multidão de autômatos se levante para lutar pela democracia é ser totalmente irrealista, romântico e ingênuo. A grande massa de trabalhadores sem sindicatos, desorganizados e desinformados, apenas perceberão que algo mudou no país quando forem terceirizados, quando não mais tiverem direito a férias e décimo terceiro, quando a carga de trabalho aumentar e o salário diminuir, quando descobrirem que não irão mais se aposentar. A grande massa de trabalhadores não aprende pela informação (pois a única informação que possui vem de seus algozes), aprende pela prática do dia-a-dia. Quando a grande massa de trabalhadores descobrir que tudo mudou, já será tarde demais para mudar.