Com covid-19 em ‘promoção’, shoppings fazem ‘liquidação’ do povo, diz roteirista do Porta dos Fundos

16/06/2020 1 Por Redação Urbs Magna

Et Urbs Magna – “O shopping é o lugar ideal para quem deseja adquirir o novo coronavírusO pagamento pode ser feito em dinheiro, débito, crédito ou com a vida“, escreve Manuela Cantuária, do Porta dos Fundos, em sua publicação.

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Justo quando o país ascendeu ao segundo lugar no ranking mundial de mortos e infectados pela Covid-19 [o Brasil tem hoje 44.118 óbitos, registrados nesta segunda (15) contra 41.736 mortes no Reino Unido]”, ocorreu a “reabertura do comércio e dos shopping centers em algumas capitais do Brasil. O timing não poderia ser melhor para uma liquidação da população brasileira“, diz Cantuária.

A curva do Brasil (…) se transformou numa linha reta(…) para o alto e avante“, proseou a escritora em seu artigo adicionando uma curiosa ilustração à sua

Ilustração de uma mulher andando em um shopping com um celular e sacolas nas mãos. Ela está bem vestida e está com a máscara descartável apoiada no queixo

Silvis/Folhapress

Para chegar ao pico da pandemia e ao topo do ranking mundial de vítimas do novo coronavírus, o Brasil optou pela escada rolante. As autoridades estão fazendo a sua parte para que a população esteja vestida apropriadamente para a ocasião. E quem paga a conta, é claro, é o consumidor.

O pagamento pode ser feito em dinheiro, débito, crédito e/ou com a própria vida. A última opção é a menos valorizada e não paga nem uma blusinha de loja de departamento. O melhor a fazer é parcelar as compras a perder de vista, já que a probabilidade de sobreviver até a próxima fatura do cartão é menor do que os juros.

Os registros de filas quilométricas e aglomerações em ambientes fechados não deixam dúvidas: o shopping center é o lugar ideal para quem deseja adquirir o novo coronavírus. O consumidor pode ganhar a Covid-19 de brinde, de forma inteiramente gratuita, e ainda pode compartilhar o mimo com seus entes queridos.

Nos templos do consumo, os rituais agora se adaptam ao novo normal. Distanciamento de dois metros, uso obrigatório de máscaras, triagem com termômetro infravermelho, higienização de produtos e sacrifício de funcionários e consumidores como oferta ao deus Mercado.

Os provadores estão fechados por medidas de segurança, mas isso não impede o consumidor de escolher um look matador. Até porque, com o caixão lacrado, não vai fazer a menor diferença.