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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    15 de setembro de 2026

    O jornalista Fernando Boscardin afirmou nesta terça-feira (15/set) que o ministro André Mendonça não disputa o placar do plenário nem a “Justiça”, e sim o desgaste de Alexandre de Moraes e o enfraquecimento do Supremo Tribunal Federal na reta da campanha de Flávio Bolsonaro. A declaração recai sobre o julgamento que o tribunal marca para hoje, em Brasília.

    Ao compartilhar a coluna de Basília Rodrigues no SBT News, Boscardin escreveu no X:

    “Mendonça não está preocupado com o resultado de plenário. Nem com ‘Justiça’. Qualquer resultado que saia dali, o objetivo dele já foi atingido. O objetivo dele é desgastar ao máximo Alexandre e desmontar o STF, com vistas ao aparelhamento fascista que farão, se Flávio vencer.”

    A leitura política do jornalista e advogado foi publicada nas redes no mesmo dia em que o plenário se reúne para tratar do relatório da Polícia Federal sobre mensagens de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, atribuídas a Alexandre de Moraes.

    Em post complementar, Boscardin sustentou que a pauta formal não equivale a um plebiscito sobre culpa. Segundo ele, o que está marcado é a análise do parecer da Procuradoria-Geral da República que aponta “dupla nulidade” na petição de Mendonça. Se o parecer for acolhido, o pedido se arquiva; se for rejeitado, pode abrir caminho para investigação, com defesa técnica posterior.

    O que a coluna do SBT News atribui a Mendonça?

    A coluna do SBT News, publicada nesta terça-feira (15/set), não transcreve um voto escrito. Relata o que interlocutores e apoiadores do ministro disseram à reportagem.

    Segundo a apuração, André Mendonça afirmou a interlocutores que pretende expor informações “mais graves” do que as já conhecidas sobre Alexandre de Moraes, material que, na versão desses interlocutores, não estaria no “HD do Master” — arquivo digital que a coluna descreve como conjunto de dados da investigação sob a guarda do ministro. A chamada da matéria resume o movimento assim: tentativa de abrir processo contra Moraes e “estancar acusações que pesam contra ele mesmo”.

    A mesma coluna registra que Mendonça perdeu a relatoria do processo Vorcaro-Moraes para o presidente do tribunal, Edson Fachin, e que, por isso, não será o primeiro a votar. Apoiadores do ministro, ainda segundo o SBT News, apostam em voto “surpreendente” para comparar as acusações contra Moraes às suspeitas que recaem sobre o próprio Mendonça.

    IMPORTANTE: O anúncio de “fatos novos e graves” chegou por interlocutores, não por peça pública integralmente reproduzida nesta terça-feira (15/set). Promessa de revelação não prova, por si, ilícito de Alexandre de Moraes nem inocenta André Mendonça. A abertura de inquérito contra ministro do STF depende do plenário. A PGR, em manifestações já noticiadas, tem tratado o relatório produzido a pedido de Mendonça como nulo.

    Por que o julgamento de hoje importa?

    O g1 descreveu a sessão como inédita: o colegiado discute se um dos seus integrantes deve ser investigado. Fachin convocou plenário extraordinário presencial a partir das 10h.

    A crise pública começou no início de setembro, quando Mendonça, então relator do caso Master, retirou o sigilo de relatório da PF que identifica Moraes como interlocutor de Vorcaro. Mensagens e metadados de contrato do escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, passaram a circular na imprensa. Moraes reagiu no inquérito das fake news, acusou o colega de investigação de ofício, abuso de autoridade e direcionamento político, e pediu que Fachin adotasse providências. O presidente da Corte concentrou frentes conflitantes e marcou o plenário.

    O histórico institucional pesa na leitura pública. Alexandre de Moraes conduziu inquéritos e ações penais contra os ataques de 8 de janeiro e a trama golpista. André Mendonça chegou ao STF por indicação de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, senador e candidato do PL à Presidência, figura em outra frente do mesmo universo Master: reportagens e decisões judiciais tratam de recursos captados com Vorcaro para o filme Dark Horse, enquanto a defesa do senador tentou concentrar fatias do caso no gabinete de Mendonça, e não no de Flávio Dino.

    Como o calendário eleitoral atravessa a Corte?

    Faltam cerca de vinte dias para o primeiro turno. O Financial Times, citado pela CBN, avaliou que a crise “sem precedentes” pode ter impacto decisivo na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Pesquisas domésticas, no entanto, mostram efeito limitado sobre a intenção de voto: a Quaest apontou que 67% dizem que o episódio não muda o voto, ao mesmo tempo em que 56% afirmam não confiar no STF.

    Há antecedente institucional sobre o próprio futuro da Corte. Reportagem do Urbs Magna registrou articulação no Senado, após a rejeição de Jorge Messias, em que aliados de Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro trataram de indicações futuras ao Supremo. Três ministros se aproximam da aposentadoria compulsória até 2030. Quem vencer em outubro terá poder de recomposição da Corte.

    A análise do Urbs Magna aponta que o timing da sessão — véspera de campanha, com vazamentos, contraofensivas e disputa de narrativa — interessa a quem pretende converter desgaste do tribunal em capital eleitoral. Isso não autoriza tratar como fato comprovado o “aparelhamento fascista” citado por Boscardin. A expressão é do jornalista. O que as fontes confirmam é a simultaneidade entre o conflito interno, a candidatura de Flávio Bolsonaro e a briga por relatorias sensíveis.

    O que Moraes e Mendonça já colocaram nos autos?

    Na peça encaminhada a Fachin, noticiada pela CNN Brasil nesta terça-feira (15/set), Alexandre de Moraes cita André Mendonça 52 vezes. Acusa o colega de abrir investigação contra ministro sem pedido da PGR, sem provocação formal da PF e sem autorização do plenário; de ocultar a Petição 15.625; e de alinhar vazamentos ao calendário de 7 de Setembro.

    Mendonça, em ofício também desta segunda-feira (14/set), noticiado pelo O Globo, negou irregularidade e disse que pediu à PF identificar interlocutores para preservar sigilo e eficiência da apuração. Moraes classificou a diligência de “inconstitucional e ilegal” e falou em “vingança”.

    Paralelamente, Flávio Dino reintegrou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, depois que Mendonça o afastou, e mandou o conflito ao plenário, conforme registrou o Urbs Magna. Relatórios de inteligência usados contra Mendonça foram descritos pela própria polícia como documentos sem valor probatório.

    O que acontece agora?

    A sessão desta terça-feira (15/set) pode arquivar, admitir investigação, fragmentar-se em questões de ordem sobre impedimento de Moraes e Dias Toffoli ou render pedido de vista. O SBT News escreveu que ministros como Luiz Fux e Nunes Marques queixaram-se, na segunda-feira (14/set), de se sentirem “chantageados” pelo “grupo do Moraes” — formulação atribuída a apuração da coluna, não a nota oficial dos gabinetes.

    Qualquer que seja o placar, a frase de Boscardin desloca o eixo da disputa: o efeito político já circula fora do plenário. O tribunal que julgou a tentativa de ruptura democrática agora julga a si mesmo, sob holofote eleitoral.

    FAQ rápido

    O STF julga hoje se Alexandre de Moraes é culpado?
    Não. A sessão discute o encaminhamento do relatório da PF e o parecer da PGR sobre a petição de André Mendonça. Culpa penal exigiria investigação autorizada, contraditório e julgamento posterior.

    O que Boscardin atribui a Mendonça?
    Desgaste máximo de Alexandre de Moraes, desmonte político do STF e preparação de aparelhamento da Corte caso Flávio Bolsonaro vença. São opiniões do jornalista, não conclusões judiciais.

    Há relação comprovada entre o voto de Mendonça e a campanha de Flávio?
    Há coincidência de calendário, histórico de indicação de Mendonça por Jair Bolsonaro e frentes do caso Master que alcançam Flávio. Vínculo de coordenação eleitoral do voto de hoje não foi demonstrado em documento público nesta apuração.

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