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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    09 de setembro de 2026

    A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (10/set) 49 mandados da Operação Make Up sobre emendas ligadas ao filme Dark Horse. Flávio Bolsonaro acusou Flávio Dino de “interferência política”. A cronologia publicada pela imprensa mostra o contrário do que o candidato alega: a autorização judicial é de 3 de setembro, anterior à crise que tirou Andrei Rodrigues da direção da PF.

    O que aconteceu nesta quinta-feira (10/set)?

    A Make Up, com a CGU, varreu endereços em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não houve prisão. A Agência Brasil e o g1 apontam como alvos centrais o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do longa, e Karina Ferreira da Gama, da Go Up Entertainment, além do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura.

    g1 listou 29 investigados, entre eles o ex-chefe de gabinete Raphael Augusto Azevedo e os assessores André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso, ainda lotados na Câmara. Dino impôs a todos cautelares de não deixar o país e de não se comunicar entre si.

    A PF descreveu, em nota reproduzida pelo g1, “organização criminosa formada por agentes públicos e privados” que teria desviado recursos de emendas a subcontratadas sem prova de serviço. Os crimes sob exame incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e ilícitos licitatórios. A corporação falou em movimentação de “centenas de milhões de reais” entre empresas do circuito — fluxo mapeado, não sentença.

    Sete armas foram apreendidas. Segundo o g1, estariam em nome de Frias, mas em endereço que não é o do deputado; a posse irregular entra na apuração.

    Dino retirou o sigilo da decisão, conforme o UOL. A Agência Brasil registrou o risco de evasão e o relatório da PF sobre “sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades”.

    Karina Gama disse à coluna de Mônica Bergamo, na Folha, que a aplicação dos recursos foi correta. Frias já havia escrito ao STF, em maio, que a tese de destinação ao filme era “absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória”.

    A narrativa de “interferência política” e o que a data desmente

    Em Boa Vista, segundo o g1, a CNN Brasil e o O Globo, o candidato afirmou:

    “Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo de dinheiro público. Eu já cansei de falar: pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de um lado para o outro, de ponta-cabeça que não vai ter nada.”

    “O que tem claramente é uma tentativa de interferência política mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições. Qual o fundamento dessa operação? Político. Flávio Bolsonaro ultrapassou o Lula nas pesquisas oficiais do próprio Lula.”

    O Globo anotou que ele não apresentou prova de motivação eleitoral. O mesmo jornal descreveu preocupação interna da campanha e a tentativa de deslocar o debate para a crise do STF.

    A peça que a campanha evita é a data. A CNN Brasil informou que Dino assinou a autorização da Make Up em 3 de setembro. Mendonça só afastou Andrei e Leandro Almada na terça-feira (8/set). A operação de campo saiu nesta quinta, um dia depois de Dino reintegrar o diretor-geral, na quarta-feira (9/set), e depois de Edson Fachin intervir na briga entre os dois ministros.

    Flávio Bolsonaro não é alvo da Make Up. A ação de Dino mira emendas, Frias, Gama e o entorno das ONGs. O senador figura em outra frente, sob Mendonça, pelos recursos de Daniel Vorcaro. Chamar a busca de hoje de “operação contra Flávio” é atalho político, não descrição processual. A expressão “ladrões envolvidos”, usada em posts, é acusação de rede — não condenação judicial.

    Tá nas redes: o que se comenta sobre Mendonça e Andrei

    O colunista Demétrio Vecchioli escreveu no X: “Decisão do Dino para investigar o filme do Bolsonaro é anterior ao afastamento do Andrei pelo ministro indicado pelo Bolsonaro.” O post de @acarololiva replicou e acrescentou: “Tá tudo explicado agora. André Mendonça estava desesperado para blindar Flávio Bolsonaro e todos os outros ladrões envolvidos.”


    A cronologia jornalística confirma a primeira frase. A segunda é opinião de rede. O que está documentado na imprensa é outro conjunto de fatos:

    • Na terça-feira (8/set), Mendonça afastou Andrei e Almada a pedido do partido Novo, falando em relatórios de inteligência e em “arapongagem institucional”.
    • Na quarta-feira (9/set), Dino reintegrou os dois no inquérito das emendas/Dark Horse, depois que o próprio diretor-geral disse que o afastamento paralisava o acesso ao material da Polícia Civil de São Paulo. O Estadão e o g1 registraram o argumento.
    • Dino escreveu que o afastamento “interfere na organização da equipe responsável pelas investigações, retarda o acesso ao material disponibilizado e compromete a atuação célere da instituição”, trecho reproduzido pela CNN Brasil.
    • No mesmo despacho, segundo a Folha e o O Globo, Dino perguntou se “uma parte pode ser juiz de si mesma” e falou em “decisão em causa própria” com efeito de paralisar polícia. Também citou encontro de Mendonça com Vorcaro.
    • Fachin, na quarta-feira (9/set), suspendeu os despachos conflitantes dos dois ministros e, na prática, manteve Andrei no cargo até nova ordem, conforme a CNN.

    A análise do Urbs Magna é restrita ao calendário: quem autorizou buscas em 3 de setembro não “inventou” a operação depois da alta de Flávio nas pesquisas desta semana. O candidato inverte causa e efeito. Resta aberto, e isso é fato processual, se as provas apreendidas hoje sustentam o nexo entre emenda, nota fria e o filme.

    As duas frentes no STF e a trilha do dinheiro

    Há dois inquéritos sobre Dark Horse.

    1. Emendas — relator Dino. Frias destinou cerca de R$ 2 milhões ao ICB/ANC em 2024. O CNN Brasil disse que a CGU viu falta de nota. O O Globo já havia somado cerca de R$ 2,6 milhões de emendas Pix de aliados à ONG da produtora. Em 24 de agosto, Dino mandou a PF absorver a Operação Wi-Fi da polícia paulista, de 1º de junho, sobre o contrato de cerca de R$ 108 milhões do ICB com a Prefeitura de São Paulo.

    O tema se encaixa na linha que o próprio Dino já adotou contra emendas a ONGs e contra o que chamou de atacadistas de emendas.

    1. Vorcaro — relator Mendonça. Em 13 de maio, o Intercept Brasil revelou áudios em que Flávio cobra o então dono do Banco Master. A Agência Brasil fala em cerca de R$ 61 milhões efetivamente enviados. O senador passou da promessa de contrato à frase “quem tem que prestar conta não sou eu”, registrada pela CNN em 24 de agosto. A perícia contratada pela própria produtora foi usada como “prestação de contas” e não detalha o caminho completo do dinheiro.

    Dark Horse, dirigido por Cyrus Nowrasteh, tem Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro. Continua inédito. A Go Up, segundo o g1, não recebeu mandado nesta quinta; o cerco foi às pessoas físicas e às ONGs.

    O que a operação muda na campanha

    Faltam cerca de três semanas para o primeiro turno. O O Globo descreveu o cálculo da campanha: insistir que Flávio não é alvo e empurrar o eleitor para o conflito interno do STF. Guilherme Boulos escreveu que o sigilo “começou a cair” e que “Flávio Bolsonaro vai cair junto” — declaração política, não prova.

    Sob a ótica deste portal, o ponto institucional é simples e verificável. Uma Corte que discute se ministro pode ser “juiz de si mesmo” ao mesmo tempo em que autoriza busca sobre emenda e filme de campanha expõe o nervo da eleição: dinheiro público, fundo privado de banco liquidado e o uso da palavra “perseguição” para cobrir falta de documento. A Make Up não encerra o caso. Abre o arquivo.

    FAQ rápido

    A operação de hoje foi decidida depois que Flávio subiu nas pesquisas?
    A autorização de Dino é de 3 de setembro, segundo a CNN. O afastamento de Andrei por Mendonça é de 8 de setembro. A execução policial é de 10 de setembro.

    Flávio Bolsonaro foi alvo da Make Up?
    Não. Os alvos públicos são Frias, Gama, assessores, empresários e as ONGs. Flávio responde na frente de Vorcaro, com Mendonça.

    O que as redes afirmam e o que está comprovado?
    Está comprovado que a decisão sobre o filme antecedeu o afastamento de Andrei. Não está comprovado, em sentença, que Mendonça tenha afastado o diretor da PF “para blindar” o candidato. Isso é leitura política que circula no X.

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