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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    18 de setembro de 2026

    O jornalista Cesar Calejon afirmou na quinta-feira (17/set), no X, que a imprensa “normalizou o impensável” ao tratar Flávio Bolsonaro (PL) como candidato ordinário. A réplica de uma seguidora acrescentou o plano para matar Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. A disputa de outubro torna a cobrança eleitoral, não apenas retórica de rede.

    “Novamente, a imprensa normalizou o impensável. Como se Flávio Bolsonaro não fosse um notório miliciano entreguista e o bolsonarismo não tivesse tentado um golpe de estado com bomba no aeroporto da capital do país às vésperas do Natal. Esse é o ‘jornalismo profissional'”, escreveu Calejon.

    O perfil @Neijarita respondeu: “E estavam planejando matar 3 pessoas, Lula, Alckmin, Alexandre. Essa corja normalizaram uma quadrilha organizada criminosa LESA PÁTRIA no Brasil”.

    Calejon é jornalista e escritor, colunista de veículos como CartaCapital e Brasil 247, autor de livros sobre o bolsonarismo. Os fatos evocados pela fala estão em fontes judiciais e jornalísticas.

    O golpe e o bolsonarismo

    A Primeira Turma condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe e crimes conexos, conforme o g1. Até novembro de 2025, a Corte já havia condenado 24 réus no julgamento da trama.

    A bomba citada por Calejon é outro capítulo documentado. Em 24 de dezembro de 2022, apoiadores de Bolsonaro colocaram explosivo em caminhão-tanque com querosene de aviação junto ao Aeroporto Internacional de Brasília. O g1 e a CNN Brasil registram condenações. O Ministério Público do DF apontou o objetivo de gerar comoção para intervenção militar e estado de sítio.

    Plano para matar Lula, Alckmin e Moraes

    A PGR descreveu o plano Punhal Verde e Amarelo na denúncia ao STF. O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que o então presidente foi informado e anuiu. O documento previa “neutralizar” o STF, armas contra Moraes e morte de Lula por envenenamento, conforme registrado em fontes como Agência Brasil.

    Em 18 de novembro de 2025, a Primeira Turma condenou militares do chamado núcleo 3 ligados a esse desenho. O general Mário Fernandes admitiu a autoria do texto do plano no interrogatório e disse não tê-lo compartilhado, conforme Veja e Agência Estado / UOL.

    O plano existe nos autos e gerou condenações. A PGR imputou anuência a Jair.

    Por que Calejon chama Flávio de “miliciano”?

    Em 7 de fevereiro de 2007, na Alerj, o então deputado estadual defendeu as milícias como “novo tipo de policiamento”. A CartaCapital e o Estadão reproduziram o discurso taquigrafado. Ele disse que pagaria “20, 30, 40 reais” por proteção.

    Flávio concedeu a Medalha Tiradentes a Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público do Rio como liderança da milícia de Rio das Pedras e do “Escritório do Crime”. A mãe e a então mulher de Adriano trabalharam no gabinete do deputado. Flávio votou contra a CPI das Milícias, segundo o PT e a cronologia da CartaCapital. O senador nega vínculo com milícia e fala em “falsas narrativas”.

    E o “entreguista”?

    O termo circula na disputa de soberania com os Estados Unidos. Coluna da Folha de S. Paulo registrou, em 31 de maio, que o campo de Lula transformou Flávio em “entreguista” depois do pedido do senador a Donald Trump para classificar facções brasileiras como terroristas. É acusação política com base em agenda diplomática, não tipificação penal.

    A imprensa “normalizou” Flávio?

    Na terça-feira (15/set), a Folha publicou o editorial Flávio é inexperiente e herdeiro de visão golpista. O texto cita inexperiência administrativa, promessa de indulto ao pai condenado e confronto institucional. Em 12 de setembro, o Estadão escreveu que Flávio “não reúne condições morais” para a disputa.

    A crítica de Calejon mira outro fenômeno: a cobertura de corrida — pesquisas, empate técnico, visita a redações — que devolve ao filho o estatuto de alternativa presidencial enquanto o pai cumpre pena e o inquérito do filme Dark Horse segue no STF.

    A expressão “jornalismo pixuleco” circula nas redes, após fala viral de Gilmar Mendes contra seu par, o ministro André Mendonça, o “Pixuleco Eleitoral”. O termo foi usado em um recorte do caso Master, conforme registrou o próprio Urbs Magna. Nas redes, o rótulo migrou da toga para a capa.

    A análise do Urbs Magna aponta o seguinte: editorial duro e “normalização” eleitoral podem coexistir no mesmo veículo. O leitor vê a pesquisa na home e o golpe no arquivo. Calejon cobra a costura entre os dois. O portal já tratou esse herdeiro político em textos sobre Celso Rocha de Barros e sobre o artigo de Míriam Leitão.

    O que permanece aberto até 4 de outubro

    Flávio promete indicar ministros ao STF e priorizar a saída do pai da prisão. A campanha dele pede transparência no caso Master e nega crime. Calejon e os comentários que o seguiram recusam o verniz de novidade. As fontes judiciais sustentam o golpe, o plano de morte e a bomba do aeroporto como história recente, não como metáfora.

    A urna decide se essa memória pesa. O arquivo, este, já está publicado.

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