Segundo o autor, a “estratégia da direita, de moderação do bolsonarismo, fracassou” e “tentam impichar ministros do STF desde muito antes do caso Master“
Brasília (DF) · 10 de março de 2026
Um texto publicado pela Folha de S.Paulo no sábado (7/mar), escrito pelo cientista político Celso Rocha de Barros, mestre e doutor em direito e sociologia pela Universidade de Oxford, responde diretamente a uma coluna anterior de Joel Pinheiro da Fonseca, também na Folha, datada de 2 de março, acusa Flávio Bolsonaro, filho e indicado pelo ex-presidente, de golpismo.
O conteúdo foi amplamente repercutido em redes sociais e veículos, com destaque para o compartilhamento pelo autor Henrique Abel no X (antigo Twitter), que classificou a leitura como obrigatória para democratas.
No texto, Celso Rocha de Barros detona o “bolsonarismo moderado“, usando crítica afiada para expor o fracasso da estratégia de moderação na direita e alerta para diluição de fronteiras entre críticas legítimas e agenda extremista no STF e no caso Master.
O cientista político rebate duramente as teses defendidas por Joel Pinheiro da Fonseca em coluna anterior, em debate que gira em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e das implicações para a democracia brasileira.
Celso Rocha de Barros argumenta que “a candidatura Flávio Bolsonaro nunca foi inevitável”. Segundo ele, ela surge exatamente porque a estratégia adotada pela direita nos últimos três anos — a moderação do bolsonarismo — fracassou.
O colunista recorda que Joel Pinheiro da Fonseca defendeu explicitamente essa linha em texto de 29 de abril de 2024, intitulado “Precisamos do bolsonarismo moderado”.
“Deu errado. Vocês queimaram os governadores de direita, que se sujeitaram às piores perversões de Jair para conseguir um apoio que nunca veio”, escreve Celso.
O autor classifica Flávio Bolsonaro como golpista, citando declarações do senador em entrevista à própria Folha em 14 de junho de 2025: se o STF considerar a anistia inconstitucional para envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2022, ele “dará um golpe”.
Flávio também apoiou o chamado “tarifaço” — interpretado como tentativa de intervenção estrangeira — e manifestou preferência por Eduardo Bolsonaro como chanceler.
Celso Rocha de Barros diferencia as críticas republicanas ao STF — como as do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que aponta promiscuidade entre ministros e interesses empresariais — das ações de Flávio Bolsonaro e aliados.
Ele afirma que “Flávio e sua quadrilha tentam impichar ministros do STF desde muito antes do caso Master, Joel. Querem fazê-lo por vingança contra a atuação da corte na defesa da democracia e como advertência a qualquer outro ministro que se coloque contra a próxima ofensiva golpista”.
O colunista destaca o caso Master – escândalo envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, com liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025 e investigações por fraudes bilionárias.
Segundo Celso, a esmagadora maioria dos envolvidos pertence à direita, incluindo figuras como o deputado Filipe Barros (PL-PR), que pediu aplicação do artigo 142 em 2022 e apresentou projeto para elevar a cobertura do FGC a R$ 1 milhão — medida vista como tentativa de mitigar prejuízos do esquema.
A crítica central é à suposta “falcatrua em curso”: “diluir a fronteira entre as críticas bolsonaristas e as críticas republicanas ao STF, ao mesmo tempo em que se esconde do público a informação de que quase todos os envolvidos no escândalo do Master são de direita. É a abertura para justificar a adesão da direita tradicional à candidatura de Flávio”.
O artigo reforça a distinção entre crítica institucional legítima e endosso velado a vocabulário golpista, posicionando Celso Rocha de Barros como voz contrária à normalização de posturas extremistas na direita brasileira.
Leia a íntegra, conforme postado na Folha:
Não há novas publicações relevantes nas últimas 24 horas nas principais fontes sobre o debate específico entre Celso Rocha de Barros e Joel Pinheiro da Fonseca.
Investigações do caso Master seguem em andamento no STF e na PF, com possíveis desdobramentos prometidos em breve.

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