Brasília (DF)
17 de setembro de 2026
A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) afirmou na quarta-feira (16/set) que “não existe um crime nesse país com o qual Flávio não esteja envolvido” e chamou o senador de “rei do crime”. A declaração, publicada no X com recorte da revista piauí, recai sobre o candidato do PL à Presidência e reabre, no calor da campanha, o histórico de investigações que cerca Flávio Bolsonaro.
O que a piauí revelou sobre o imóvel em São Paulo?
A reportagem assinada por Ana Clara Costa, João Batista Jr. e Breno Pires, publicada na quarta-feira (16/set), descreveu o uso, na primeira quinzena de agosto, de um apartamento de 158,87 m² no edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, zona sul de São Paulo.
Segundo a revista, o imóvel serviu de ponto de apoio informal da campanha: reuniões de equipe, gravação de vídeos para o horário eleitoral e deslocamentos para compromissos na região da Faria Lima. Moradores e uma funcionária de escola próxima relataram a presença do candidato e de agentes da Polícia Legislativa no prédio.
O apartamento havia sido comprado em 17 de abril de 2025 por Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro apontado pela Polícia Federal no entorno de Daniel Vorcaro, por R$ 5,5 milhões. Em 10 de fevereiro de 2026, Zettel vendeu o bem por R$ 5,5 milhões. E em 10 de fevereiro de 2026, Zettel vendeu o bem por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. A perda nominal foi de R$ 2 milhões. A transferência foi registrada em cartório em 4 de março, após o STF ter determinado o bloqueio de bens de Zettel e no mesmo dia em que ele foi preso na Operação Compliance Zero, conforme a piauí e a Folha de S.Paulo.
O que disseram Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz?
A assessoria do senador disse à piauí que ele se hospedou apenas em hotéis da região. Procurado depois por outros veículos, Flávio não se manifestou sobre o uso específico do apartamento, segundo o Estadão.
Willer Tomaz afirmou que não conhece Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro e que “lamenta que adversários políticos tentem atacar, sem qualquer fundamento, suas atividades a fim de interferir no debate eleitoral”. Em outro trecho da apuração, o advogado disse ter tratado a aquisição com corretores e com certidões do imóvel.
A reportagem descreve o histórico de propriedade do imóvel e o uso relatado na campanha. Isso não equivale, por si só, a prova de crime. Flávio Bolsonaro não foi condenado no caso Dark Horse nem no episódio do apartamento. Investigação, reportagem e condenação judicial são etapas distintas.
Por que a fala de Natália Bonavides ganhou força agora?
A deputada, advogada e pré-candidata à reeleição pelo Rio Grande do Norte, publicou: “O rei do crime. Não existe um crime nesse país com o qual Flávio não esteja envolvido.” O post usou exatamente o recorte da piauí.
A frase não é um veredito judicial. É uma declaração política de oposição, feita no momento em que o candidato do PL aparece em nova camada de proximidade com o círculo de Vorcaro — o mesmo banqueiro preso no escândalo do Banco Master.
O impacto da fala não está na hipérbole isolada, e sim no acúmulo documental que a campanha não conseguiu dissipar: o financiamento do filme Dark Horse, as cobranças registradas pela PF, a rachadinha no gabinete estadual e as homenagens a agentes depois associados a milícias no Rio.
Quais investigações cercam Flávio Bolsonaro?
No caso Dark Horse, a PF pediu e o ministro André Mendonça autorizou, em julho, inquérito para apurar, em tese, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Documentos tornados públicos em 11 de setembro descrevem Flávio como “interlocutor direto” de Vorcaro, com cobranças de parcelas e reuniões, segundo g1, Agência Brasil e BBC News Brasil.
O senador admite ter pedido patrocínio privado e nega contrapartida pública ou vantagem indevida. “Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou em nota reproduzida pela Agência Brasil em maio.
Há ainda o caso Queiroz, a denúncia do Ministério Público do Rio por organização criminosa, peculato e lavagem — depois afetada por anulações no STJ — e a medalha Tiradentes concedida a Adriano da Nóbrega, depois apontado como liderança do Escritório do Crime. Em junho, a PF concluiu que Flávio cometeu calúnia ao associar o presidente Lula a tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro em postagem de 3 de janeiro, conforme O Globo.
O que isso muda na disputa de 2026?
A campanha presidencial já transita sob o peso do Banco Master e das pesquisas que colocam Lula à frente no primeiro turno, com segundo turno apertado em alguns institutos, como registrou o próprio Urbs Magna na cobertura da Quaest. O imóvel de São Paulo não cria, sozinho, um novo tipo penal. Ele encurta a distância simbólica entre o candidato, o operador de Vorcaro e o advogado que também figura em outras apurações.
O eleitor é chamado a distinguir três camadas: o que está documentado em reportagens e autos; o que ainda é hipótese da polícia; e o que a oposição transforma em síntese política. A frase de Bonavides ocupa a terceira camada. O apartamento da Vila Nova Conceição e o inquérito do filme ocupam as duas primeiras.
Atualização: novas informações poderão ser acrescentadas à medida que fontes confiáveis confirmarem novos desdobramentos.
O rei do crime. Não existe um crime nesse país com o qual Flávio nao esteja envolvido. pic.twitter.com/jjy6t1IAAu
— Natália Bonavides (@natbonavides) September 16, 2026
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