Brasília (DF)
14 de setembro de 2026
A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14/set) mostra Lula à frente no primeiro turno e Flávio Bolsonaro numericamente na frente no segundo, enquanto 54% dos entrevistados ainda apostam na vitória do presidente.
O cruzamento com Nexus, Datafolha e Futura virou disputa nas redes porque os mapas não coincidem.
O que a Quaest divulgou nesta segunda-feira (14/set)?
O instituto, contratado pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
No primeiro turno estimulado, Lula (PT) registra 36% e Flávio Bolsonaro (PL), 31%. A distância caiu de sete para cinco pontos em relação à rodada de 7 de setembro, segundo o G1.
No segundo turno, o placar inverte o sinal numérico: Flávio 42%, Lula 40%. Brancos e nulos somam 13%; indecisos, 5%. A Folha de S.Paulo e o Valor registram que é a primeira vez, na série da campanha, que o senador aparece numericamente à frente nesse confronto desde abril, ainda em empate técnico.
O mesmo levantamento traz o dado que alimentou a discussão no X: 54% acreditam que Lula vencerá a eleição; 31% apostam em Flávio; 12% não souberam responder e 3% citaram outro nome.
Por que o contraste chamou atenção nas redes?
A analista política Biazita Gomes, comentarista da TVT, escreveu: “A mesma pesquisa Quaest que diz que 54% dos brasileiros acreditam que o lula vai vencer a eleição, é a pesquisa que diz que no segundo turno Flávio passou o lula. Detalhe, no primeiro turno lula abre uma distância. O cenário da Nexus não bate com os cenários da Quaest de hoje, da futura do final de semana e muito menos com o datafolha.”
Em complemento, ela afirmou que “são três pesquisas que tem cenário completamente diferente da Quaest, inclusive no cenário do sudeste”.
Mais tarde, no mesmo fio, resumiu outra leitura recorrente nas respostas: “Exatamente..não existe indeciso, existe voto envergonhado.”
IMPORTANTE: A vantagem numérica de Flávio no segundo turno da Quaest não é vitória projetada. Com margem de dois pontos, 42% a 40% permanece empate técnico. O dado de que 54% “acreditam” que Lula ganha mede expectativa, não intenção de voto. São perguntas diferentes.
O que dizem Nexus, Datafolha e Futura?
A Nexus/BTG, também desta segunda-feira (14/set), ouviu 2.003 eleitores por telefone entre 11 e 13 de setembro. No primeiro turno, Lula tem 42% e Flávio, 37%. No segundo, Lula 47% e Flávio 46%, empate técnico com o petista numericamente à frente, conforme UOL e CNN Brasil
O Datafolha da sexta-feira (11/set), com 2.002 entrevistas entre 8 e 10 de setembro, apontou Lula 39% e Flávio 35% no primeiro turno; no segundo, Lula 46% e Flávio 44%, segundo VEJA e Estadão.
A Futura/100% Cidades, de sexta-feira (11/set), com campo entre 4 e 10 de setembro, registrou Lula 39,2% e Flávio 33,6% no primeiro turno. No segundo, Flávio 45,4% e Lula 45%, empate técnico com o senador numericamente à frente, conforme CNN Brasil e Exame.
O Sudeste explica a divergência?
Sim, em parte. O G1 detalhou o recorte regional da Quaest no segundo turno: no Sudeste, Flávio abre 16 pontos (47% a 31%). No Nordeste, Lula tem 60% contra 28% do candidato do PL. Como o Sudeste concentra o maior colégio eleitoral, um instituto que capture vantagem mais aguda ali empurra o agregado nacional.
A briga metodológica — presencial versus telefone, lista de nomes, peso regional e momento do campo — produz mapas diferentes sem que isso autorize tratar um único número como sentença.
A Quaest foi a campo no calor da crise no STF e do caso Banco Master / Dark Horse, já tratado pelo Urbs Magna.
Como ler rejeição e “voto envergonhado”?
Na Quaest, Lula e Flávio empatam em rejeição, com 55% cada, segundo o JC. Na Nexus, Flávio é rejeitado por 50% e Lula por 48%. Rejeição alta nos dois polos explica por que o segundo turno aperta mesmo quando o primeiro turno ainda mostra o presidente na frente.
A frase de Biazita Gomes sobre “voto envergonhado” descreve um fenômeno conhecido em pesquisas: parte do eleitor declara indecisão ou omite preferência por custo social. Não há, nas rodadas desta semana, medição direta que prove o tamanho desse efeito. É hipótese de leitura, não fato mensurado.
O que acontece agora?
A eleição presidencial ocorre em outubro. Até lá, cada instituto continuará publicando séries próprias. Quem tratar a Quaest isolada como prova de virada ignora Nexus e Datafolha. Quem descartar a Quaest porque o dado de expectativa (54%) não replica o segundo turno mistura duas perguntas.
O ponto em aberto é qual mapa o eleitor do Sudeste confirmará na urna — e se a polarização continuará comprimindo terceiros nomes como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.
FAQ rápido
A Quaest mostra Flávio ganhando a eleição?
Não. No segundo turno ele aparece com 42% contra 40% de Lula, dentro da margem de dois pontos. No primeiro turno, Lula segue à frente, com 36% a 31%.
Por que 54% acreditam em Lula se o 2º turno da Quaest é apertado?
Porque a pergunta mede expectativa de resultado, não voto. Expectativa e intenção podem andar juntas ou se separar, como ocorreu nesta rodada.
As outras pesquisas confirmam a inversão?
Não de forma uniforme. Nexus e Datafolha mantêm Lula numericamente à frente no segundo turno, em empate técnico. A Futura do fim de semana também empatou, com Flávio 45,4% e Lula 45%.







