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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    16 de setembro de 2026

    O ministro Flávio Dino enviou na terça-feira (15/set) ao presidente do STF, Edson Fachin, novos elementos sobre a atuação de André Mendonça na ação dos cemitérios de São Paulo. O despacho, reproduzido pela CNN Brasil, cita encontro com Daniel Vorcaro, voto favorável às concessionárias e o irmão do ministro na SP Regula.

    A cronologia importou porque o documento chegou no mesmo dia em que o plenário discutia o relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. A cobertura da emissora, compartilhada pelo jornalista Fernando Boscardin, ligou o despacho da ADPF 1.196 à crise interna da Corte e ao caso do Banco Master.

    O que Flávio Dino enviou a Fachin?

    A decisão foi proferida na ADPF 1.196, ação do PCdoB sobre a concessão dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação na capital paulista. Segundo a CNN Brasil, a Folha de S.Paulo e o g1, Dino pediu que a peça fosse juntada ao procedimento que já apura condutas de Mendonça.

    O relator escreveu que a convergência dos episódios forma, “em tese”, um “quadro indiciário suficientemente relevante”. Pediu esclarecimentos à Prefeitura de São Paulo, à SP Regula, ao Ministério Público de São Paulo e à CVM.

    Dino não afirmou que o voto de Mendonça tenha sido comprado ou determinado por interesse particular. O próprio despacho, reproduzido pela CNN Brasil, diz que os fatos “não significam afirmar que exista relação causal” nem que os atos jurisdicionais “tenham sido determinados por interesses externos ao processo”. O que o ministro pede é apuração, com contraditório, após autorização do plenário.

    Qual a cronologia do encontro com Vorcaro?

    Em 13 de março de 2025, Dino havia determinado medidas de transparência e teto de preços para as concessionárias. No dia 14 de março de 2025, Mendonça recebeu Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, em São Paulo. Em 15 de março de 2025, pediu vista e suspendeu o julgamento. Em 4 de abril de 2025, devolveu o processo com voto contrário à cautelar e alinhado aos pedidos das empresas.

    Mendonça confirmou o encontro. Em entrevista citada no despacho e reproduzida pelo Migalhas, disse ter recebido o então controlador do banco a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha, com intermediação do deputado Cezinha Madureira.

    Dino registrou que havia “elevados interesses de fundos geridos pelo Banco Master exatamente em temas atinentes à privatização de cemitérios”. Segundo a CNN Brasil, o fundo Brazilian Graveyard and Death Care Services, administrado pelo Master e pela Master Corretora, detinha 20% da Cortel. Vorcaro, de acordo com o ministro, investiu mais de R$ 154 milhões no fundo.

    O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, figura no relato como conselheiro da Cortel e ligado à Lagoinha. A Metrópoles informou que a SP Regula, em análise técnica de junho, concluiu não haver indícios de participação societária de Zettel ou do Master nas concessionárias Cortel e Grupo Maya.

    O que a SP Regula e o irmão do ministro têm a ver com o caso?

    Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro, ingressou na SP Regula como gerente em fevereiro de 2024 e passou a superintendente em julho de 2024, quando a agência já fiscalizava o setor funerário. A CNN Brasil e a CartaCapital registram que ele foi elevado a secretário-executivo em 2026, durante a tramitação da ADPF.

    A reportagem do ICL Notícias descreveu a mudança como promoção formalizada por portaria do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e situou o salto depois do voto de André Mendonça favorável à tese da prefeitura. A gestão municipal, citada pela Folha de S.Paulo e pelo ICL, respondeu que a alteração de junho de 2026 teria sido mudança de função no mesmo nível hierárquico, sem aumento de remuneração, e que a contratação de 2024 passou por seleção de currículos e entrevistas. Chamou de “irresponsável e sem fundamento” a insinuação de troca entre voto no STF e cargo na agência.

    A Prefeitura de São Paulo também afirmou, na nota reproduzida pela CNN Brasil, que relações financeiras das concessionárias com bancos ou fundos “não configuram, por si, qualquer irregularidade contratual”.

    Como o Instituto Iter entra no quadro?

    O Instituto Iter, fundado por Mendonça e palco do encontro de 14 de março de 2025, celebrou em setembro de 2025 contrato de R$ 380 mil com a Secretaria Municipal de Gestão, por inexigibilidade de licitação, para treinamento de agentes públicos. A prefeitura disse que os cursos ocorreram e que mais de 320 servidores foram certificados. O Estadão e o Correio Braziliense registram ainda contrato do Iter com a FDE, ligada ao governo estadual.

    O valor jurídico do despacho não está em uma sentença de culpa. Está na exposição pública de uma cadeia de coincidências — encontro, vista, voto, cargo familiar, contrato institucional e fundo com participação na concessionária — no instante em que o plenário mede a imparcialidade de ministros no caso Master. Sem apuração contraditória, o leitor fica só com a cronologia. Com apuração, a Corte decide se a cronologia é ruído ou conflito.

    O que o jornalista disse ao repercutir a CNN?

    Fernando Boscardin compartilhou o vídeo da CNN Brasil e escreveu, na terça-feira (15/set): “André Mendonça vai se ferrar e não vai ser pouco! Ele teria jogado ação que beneficiou o irmão em SP! Abriu as portas do inferno!” Em outro post do mesmo dia, afirmou que quem “abriu as portas do inferno” teria sido Mendonça, “por messianismo”.

    A expressão “terrivelmente evangélico” remete à fórmula com que Jair Bolsonaro apresentou a indicação do pastor presbiteriano ao Supremo em 2021, retomada pela Reuters.

    Na live da emissora, Teo Cury descreveu o documento como parte de uma ofensiva de ministros — Dino, Alexandre de Moraes, com menção a iniciativas de Cristiano Zanin e Gilmar Mendes — para levar ao plenário suspeitas sobre a atuação de Mendonça. A reportagem da casa deixou claro que a decisão da ADPF “não tem relação” processual direta com o julgamento daquela manhã, embora cite os mesmos nomes que atravessam a sessão.

    O contexto institucional já vinha tenso. Na quarta-feira (9/set), Dino havia determinado a recondução de Andrei Rodrigues à Diretoria-Geral da PF e citado o encontro com Vorcaro. Na segunda-feira (14/set), a PF cumpriu mandados da Operação Transparência contra o entorno de Cezinha Madureira, o intermediário do encontro de março de 2025.

    O que permanece aberto é o destino do pedido a Fachin: se o plenário autorizará a apuração das condutas, se Mendonça apresentará defesa detalhada além da confirmação do encontro e se a SP Regula e a CVM entregarão, nos prazos fixados, o mapa societário da Cortel.

    FAQ rápido

    O encontro de Mendonça com Vorcaro está confirmado?
    Sim. O próprio ministro confirmou ter recebido Daniel Vorcaro em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, e atribuiu o pedido a integrantes da Lagoinha, com intermediação de Cezinha Madureira.

    Dino acusou Mendonça de crime?
    Não. O despacho pede esclarecimento de um “quadro indiciário” e ressalva que não há, naquela peça, afirmação de nexo causal entre o encontro, o voto e os contratos.

    O irmão de Mendonça comanda a fiscalização dos cemitérios?
    Alexandre de Almeida Mendonça integra a SP Regula, agência que regula serviços concedidos, inclusive o funerário. A prefeitura diz que ele exerce função administrativa e que a representação judicial do município cabe à Procuradoria. Dino determinou que a agência preste contas documentais em dez dias.

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