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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    18 de setembro de 2026

    O Presidente da República Fedeerativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta sexta-feira (18/set), à Rádio Tupi, que o culpado do escândalo do Banco Master “chama-se Bolsonaro” e que a crise no STF vai respingar na reta final da eleição. A fala importa porque faltam 16 dias para o primeiro turno e porque a Corte discute, em público, o celular de Daniel Vorcaro.

    A entrevista foi conduzida por Isabele Benito no Rio de Janeiro, onde o presidente cumpre agenda de campanha. A jornalista partiu da sessão da terça-feira (15/set), na qual a ministra Cármen Lúcia falou em espetacularização e pediu desculpas ao país, segundo a CNN Brasil e a Agência Brasil.

    Como Lula descreveu o Banco Master?

    Lula afirmou ver o quadro “com muita tristeza” e disse que a sociedade não deve aceitar a situação como normal. Na versão que apresentou à Tupi, Daniel Vorcaro era “um Zé ninguém” até o governo Jair Bolsonaro transformá-lo em banqueiro. O Master, segundo o presidente, deu um desfalco de R$ 60 bilhões, envolveu outros bancos e fundos de pensão de governos estaduais. Vorcaro, continuou, “virou prisioneiro no meu governo”.

    O presidente já havia usado a fórmula em 11 de setembro, em Porto Alegre: no governo anterior o “bandido virou banqueiro”; no seu, “virou prisioneiro”.

    Na Tupi, Lula acrescentou o encontro pessoal. Vorcaro o procurou, disse, numa conversa de 20 minutos, alegando perseguição e risco de quebra. A resposta, na narrativa presidencial, foi técnica:

    “Aqui ninguém é perseguido. Nós vamos investigar. Se você tiver o banco correto, seu banco não vai fechar. Mas se não tiver, vai fechar. E fechamos, porque não estava correto”

    Lula atribuiu ao banqueiro falsificação de números, compra e venda de títulos inexistentes e tentativa de corromper ministros em torno de precatórios.

    O tamanho do rombo, a lista de envolvidos e o conteúdo integral do celular de Vorcaro seguem sob apuração. A Reuters informou na quinta-feira (17/set) que o material liberado por Edson Fachin não mostra pagamento de Vorcaro a Lula; o STF classificou essa alegação como improcedente.

    A alegação de que Vorcaro pagou Lula não tem origem comprovada em fontes ou decisões do STF; o que se sabe é que Flávio Bolsonaro, ao ser envolvido no escândalo do Banco Master, atribuiu a história a um “boato fabricado por Lula” para se defender, mas depois acabou admitindo contatos com Vorcaro após a prisão deste.

    O que Lula disse sobre orgias, ministros e a eleição?

    Perguntado se o caso contaminou a corrida, Lula respondeu que “contamina tudo”. Citou fitas do celular de Vorcaro e afirmou que o banqueiro “corrompeu todo mundo”, patrocinou orgias e levou mulheres da Europa “para os bacana brasileiro”. Envolveu, na conta que fez, gente da Suprema Corte, deputado e senador.

    A ministra Cármen Lúcia havia dito, na terça, que o Judiciário existe para tranquilizar o povo e que a Corte gerou “intranquilidade”. Lula não contestou o mal-estar. Deslocou a origem. O banco, insistiu, “não existia” como operação daquele porte até o Banco Central do governo Bolsonaro. O Presidente disse que a corrupção aconteceu na gestão anterior e que o governo atual investiga “com muita paciência”, sem “pirotecnia”, para não denunciar sem apurar.

    Sobre a reta final:

    “Eu acho que vai respingar na reta final. O que nós queremos mostrar é quem é o culpado disso. O culpado disso chama-se Bolsonaro.”

    Por que Lula falou em consertar o Supremo?

    O presidente afirmou que há cinco ministros “ligados direta ou indiretamente” ao caso e que será preciso “consertar a Suprema Corte”. Antes de uma reforma mais ampla — citou rediscutir precatório —, “nós temos que resolver esse problema”.

    Separou duas coisas. Disse que a bronca de Flávio Bolsonaro contra Alexandre de Moraes “não é por causa do Banco Master”. É, na leitura presidencial, a prisão do pai e a recusa do resultado eleitoral de 2022. Flávio, segundo Lula, aceitou a própria eleição, não a do pai.

    Moraes, continuou o presidente, teve “papel extremamente importante” nas eleições e na manutenção da democracia. Citou, como fato histórico, a prisão de quatro generais de quatro estrelas e a de um presidente da República por tentativa de golpe — um presidente que, disse, articulava a morte dele, de Geraldo Alckmin e do próprio Moraes.

    Na frase seguinte, Lula recusou a defesa automática de contratos:

    “Ninguém está defendendo o contrato que o Alexandre de Moraes fez com o Banco Master. Ninguém está defendendo o que o Toffoli fez de acordo com o Banco Master.”

    O que defende, afirmou, é outro critério: quem vai à Suprema Corte “não pode querer ser rico”. Ali, disse, é “sacerdócio”, “a instância mais sublime do nosso país”. Quando a Corte decide, “ninguém pode fazer mais nada”. Por isso exige “muita ética”. O que se vê agora, concluiu, “está apodrecendo”.

    Lula tenta isolar o desgaste institucional do governo Bolsonaro, preservar o papel de Moraes no julgamento do golpe e, ao mesmo tempo, não endossar os contratos citados. A Corte só recupera autoridade se o exame for o mesmo para todos os nomes que aparecem no celular.

    O Urbs Magna já descreveu esse racha em matéria sobre o Financial Times e no recorte do Instituto Iter de André Mendonça.

    O que Lula disse sobre André Mendonça e o celular?

    Lula afirmou que “ainda não saiu tudo” porque o ministro André Mendonça “tinha muitas informações na mão dele que ele segurou”. Agora, segundo o presidente, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes já têm a cópia que estava só com Mendonça. Parte da imprensa também. “Agora é só começar a mostrar as informações.”

    “Tem muita gente com medo na República, Isabele. Muita gente.”

    Sem citar Kassio Nunes Marques, Lula descreveu o que chama de “baixaria”: orgia, “sacanagem impensável” para o cidadão comum, referindo-se ao episódio sobre a notícia de um ministro com uma mulher de R$ 10 mil, conta paga pelo banco.

    “Só faltou tentar entrar no Desenrola”.

    Lula encerrou o bloco defendendo instituições “sérias”. Sem elas, disse, a democracia não se sustenta. Por isso quer “rediscutir o papel das instituições”.

    O que acontece agora?

    O primeiro turno é em 4 de outubro. A sessão do STF da terça-feira (15/set) foi suspensa após pedido de vista de Flávio Dino. O conteúdo do celular de Vorcaro segue sendo distribuído entre gabinetes. Lula aposta que a publicidade favorece a tese de que o Master nasceu e cresceu no governo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro aposta no contrário: colar Lula a Moraes e tratar o Supremo como parte da disputa.

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