| Washington (US)
03 de setembro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva receberam Leonardo DiCaprio no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira (02/set). A audiência de cerca de 40 minutos tratou de clima, floresta e povos indígenas e interessa porque projeta a política ambiental brasileira diante de um ativista com alcance global.
O que aconteceu no Palácio do Planalto?
O compromisso ocorreu por volta das 12h30 e foi incluído de última hora na agenda oficial. O ator pediu para conhecer ações brasileiras de combate à mudança do clima.
Depois da reunião, Lula publicou o relato da conversa junto a quatro imagens que registraram o encontro. Vejaa a seguir:
O que Lula e DiCaprio conversaram?
O presidente afirmou ter apresentado a matriz energética brasileira e a produção de biocombustíveis. No mesmo post, declarou:
“Destaquei que o Brasil tem a matriz energética mais limpa do mundo, além de ser grande produtor de biocombustíveis, o que reduz a emissão de CO2, com a mistura de 32% de etanol na gasolina e de 15% de biodiesel no diesel”.
Segundo o mesmo relato oficial, DiCaprio falou de sua primeira passagem pelo Xingu, há 25 anos, da amizade com o cacique Raoni Metuktire e do trabalho da Re:wild em territórios indígenas e florestas no Brasil — “em parceria com o governo federal”, na formulação de Lula —, além de ações na África e na Ásia. O presidente disse ter parabenizado o ator pelo compromisso com a causa ambiental e indígena.
A primeira-dama acrescentou outro eixo. Janja escreveu:
“Cuidar da floresta é também cuidar de quem vive e luta por ela. Hoje, conversei com Leonardo DiCaprio sobre o papel fundamental das mulheres na preservação dos nossos territórios e sobre como a bioeconomia pode gerar trabalho, renda e desenvolvimento sem destruir a natureza.”
Ela também registrou que a conversa passou pela Amazônia, pelos povos indígenas e pela necessidade de aproximar governo, comunidades e sociedade. DiCaprio saiu com uma fotografia do cacique Raoni feita por Ricardo Stuckert, fotógrafo da Presidência.
Quem participou da audiência?
Conforme o relato presidencial, estavam na sala:
- a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o secretário-executivo Márcio Tavares;
- o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena;
- o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco;
- o CEO da Re:wild, Wes Sechrest;
- o diretor da organização no Brasil, Rodrigo Medeiros;
- o diretor na América Latina, Christopher Jordan.
Capobianco levaria dados sobre a queda do desmatamento em biomas e sobre o reforço de órgãos ambientais. O encontro foi uma audiência política e institucional. Não há, nas fontes checadas, anúncio de tratado, contrato assinado ou valor novo de doação na sala. O que existe é o relato oficial das falas e o elogio do CEO da Re:wild ao Fundo Tropical Florestas para Sempre (TFFF).
Qual foi o roteiro de DiCaprio no Brasil antes de Brasília?
A visita a Brasília fechou uma viagem de quase uma semana. O O Globo descreveu passagem por projetos apoiados pela Re:wild na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.
No sábado (29/ago), o ator esteve com Raoni Metuktire, de 94 anos, em visita restrita na região do Xingu, em Peixoto de Azevedo (Mato Grosso), segundo o G1 MT e a CNN Brasil. O cacique se recupera de internações. O O Globo informou a presença da deputada Sônia Guajajara nesse encontro e ligou a agenda ao documentário Raoni: The Voice of the Forest, apoiado pela organização.
No Pantanal sul-mato-grossense, o ator se hospedou na fazenda Caiman, em Miranda, área que reúne pousada e projetos de conservação, conforme a Folha (F5) e o O Globo.
A Re:wild, fundada em 2021 com participação de DiCaprio, atua na restauração de ecossistemas com governos, cientistas e povos indígenas. O ator já havia estado no Parque Indígena do Xingu em 2004.
O que é o Fundo Tropical Florestas para Sempre citado na reunião?
Wes Sechrest elogiou o Brasil pela criação do TFFF. No texto de Lula:
“O fundo inova ao disponibilizar parte dos rendimentos para recompensar países que mantêm suas florestas de pé e, ao mesmo tempo, garantir retorno aos seus investidores.”
O mecanismo, lançado pelo governo brasileiro na COP30, em Belém, em 6 de novembro de 2025, combina capital público e privado e prevê remunerar países que conservem floresta tropical. A descrição oficial está no Ministério do Meio Ambiente e no discurso de lançamento no Planalto. Não se trata de doação clássica: o capital é investido e parte do rendimento vai a países florestais.
A menção no Planalto encaixa o encontro numa disputa mais larga: como pagar quem mantém floresta em pé sem transformar conservação em esmola internacional. Esse debate já apareceu na cobertura do portal sobre a Cúpula de Belém e sobre a inclusão de Lula na TIME100 Climate.
Por que o encontro reabre um capítulo de 2019?
A visita ocorre sete anos depois de o então presidente Jair Bolsonaro acusar DiCaprio e a WWF de financiar queimadas, sem apresentar provas. O G1 e a Veja relembraram o episódio, ligado à prisão de brigadistas no Pará depois soltos por falta de indícios. Na resposta de 2019, citada pela Veja, o ator disse:
“O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de fazer parte dos grupos que os protegem.”
A troca de governo alterou o sinal diplomático: o mesmo nome que virou alvo de denúncia sem prova agora entra no gabinete presidencial para falar de demarcação, fiscalização e fundo florestal.
Análise do encontro DiCaprio/LULA
A foto no Planalto vale menos como nota de celebridade e mais como peça de diplomacia climática. O governo leva à sala um interlocutor capaz de traduzir desmatamento, garimpo e terra indígena para uma plateia que raramente lê boletim do Inpe. O ator, por sua vez, busca endosso político depois de circular por biomas e pela aldeia de Raoni.
Queda de desmatamento, biocombustível e TFFF dão ponto para Lula; a durabilidade depende de fiscalização, orçamento e demarcação. A presença simultânea das pastas de Meio Ambiente, Povos Indígenas e Cultura sugere uma costura da floresta, do direito territorial que interessa à democracia ambiental brasileira.
O que acontece agora?
O Brasil quer ser visto como país que reduz desmate e cobra pagamento por floresta em pé. A Re:wild permanece como parceira de conservação.
Atualização: novas informações poderão ser acrescentadas à medida que fontes confiáveis confirmarem novos desdobramentos.
FAQ Rápido
DiCaprio se encontrou com Lula?
Sim. A reunião ocorreu nesta quarta-feira (02/set), no Palácio do Planalto, com a primeira-dama Janja, e durou cerca de 40 minutos, segundo o próprio presidente.
Qual foi o assunto da conversa?
Mudanças climáticas, queda do desmatamento, garimpo ilegal, demarcação de terras indígenas, biocombustíveis, bioeconomia, o trabalho da Re:wild e o TFFF, conforme os relatos de Lula e de Janja.
DiCaprio esteve com o cacique Raoni nesta viagem?
Sim. A visita restrita ocorreu no sábado (29/ago), em Peixoto de Azevedo (Mato Grosso), durante a recuperação de saúde do líder kayapó.
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