Brasília (DF)
15 de outubro de 2026
O canal de WhatsApp Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), voltou a funcionar plenamente na noite de quarta-feira (14/out) e ultrapassou 4,4 milhões de seguidores, com cerca de 70 mil novas adesões em apenas 30 minutos, segundo registros do próprio espaço.
A retomada, autorizada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, reabre uma ferramenta central da mobilização digital em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
A liberação ocorreu após a campanha do estadista formalizar o registro do canal, exigência que havia motivado suspensão temporária na terça-feira (13/out). Janones publicou vídeo com a frase “Pessoal, urgente! Voltamos! O maior exército democrático do mundo voltou”.
Mensagens no canal descreveram o crescimento como “inacreditável” e “explodiu”, atribuindo o impulso às tentativas anteriores de restrição.
O canal, criado em abril de 2026 e transformado em plataforma de mobilização após o primeiro turno, chegou a ser suspenso em decisões sucessivas do TSE. Na manhã de domingo (11/out), Kassio Nunes Marques determinou o bloqueio a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O corregedor-geral Ricardo Villas Bôas Cueva reverteu a medida provisoriamente. Nova suspensão veio na terça-feira (13/out) por ausência de registro formal, com prazo de até 48 horas. Após o registro e pedido de reconsideração, o funcionamento integral foi restabelecido na noite de quarta-feira (14/out).
Com 4,1 milhões de seguidores na segunda-feira (12/out), os números se tornaram superiores a 4,3 milhões antes do retorno ao ar. Janones havia comemorado a marca de 4 milhões com o vídeo em que pedia para “gritar bem alto que já somos 4 milhões de soldados que irão reeleger Lula”.
O ritmo de entrada de novos seguidores, reportado no canal como 70 mil pessoas em meia hora, reproduz o padrão observado desde 6 de outubro, quando o espaço saltou de cerca de 50 mil para mais de 1 milhão em pouco mais de um dia, conforme relatos de veículos como a O Globo e a Folha de S.Paulo.
Cada tentativa de restrição foi seguida de aceleração de adesões, fenômeno que Janones descreveu em vídeos anteriores como o “tiro saiu pela culatra”.
A capacidade de mobilização coordenada, com orientações de compartilhamento e uso de hashtags como #OEXERCITODOLULAVOLTOU e #LulaPaiDoFimDa6x1, transforma o canal em instrumento de resposta rápida no ambiente digital do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Exército do Lula passou a concentrar “missões” de engajamento após o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% e Lula obteve 45,16%.
A campanha do PL alegou disseminação coordenada de conteúdos e ações automatizadas. A área técnica do TSE, em análise solicitada por Nunes Marques, não identificou fake news específicas no período examinado, embora tenha apontado mensagens apagadas e orientações de engajamento em massa, segundo reportagens da CNN Brasil e da Folha.
Janones classificou as suspensões como “censura” e afirmou que “não vamos permitir censura no Brasil”. Em vídeo anterior, declarou que o episódio demonstrava “a força de 3,3 milhões de pessoas unidas”. A campanha Lula registrou o canal e pediu equiparação de tratamento em relação a estruturas ligadas ao PL, como a “Tropa do Flávio”.
A liberação determinada por Kassio Nunes Marques autoriza o funcionamento integral do canal, incluindo novas mensagens e entrada de seguidores, após o registro formal. A medida não implica julgamento definitivo sobre conteúdos específicos, que permanecem sujeitos à fiscalização da Justiça Eleitoral. O plenário do TSE ainda pode analisar aspectos do caso.
O que acontece agora?
Com o canal ativo e em crescimento acelerado, a mobilização digital ganha novo fôlego a poucos dias do segundo turno. Janones já havia condicionado a liberação de conteúdos de campanha a metas de seguidores e orientado tarefas de curtir, comentar e compartilhar.
A meta declarada de 5 milhões e até 10 milhões permanece em aberto. O segundo turno ocorre em 25 de outubro.
A disputa judicial em torno do canal reabriu o debate sobre os limites entre propaganda eleitoral coordenada e liberdade de expressão no ambiente digital, especialmente quando estruturas de grande escala interagem com algoritmos de redes sociais.
FAQ rápido
O que é o Exército do Lula?
Canal de WhatsApp criado por André Janones para coordenar apoiadores de Lula no segundo turno, com orientações de engajamento e compartilhamento de conteúdos.
Por que o TSE suspendeu o canal?
A pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, alegando irregularidades de propaganda e falta de registro. Houve suspensões em 11 e 13 de outubro, revertidas ou condicionadas a regularização.
Quantos seguidores o canal tem agora?
Até o fechamento desta matéria, o canal Exército do Lula contava com mais de 4,434 milhões. Com a repercussão da notícia, apoiadores de Lula e uma nova onda de novos eleitores do Presidente passou a buscar o espaço no WhatsApp, após a liberação de 14 de outubro e adesões ultrarrápidas reportadas no próprio canal.
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