Brasília (DF)
15 de outubro de 2026
O humorista Antonio Tabet publicou nesta quinta-feira (15/out) um vídeo antigo de Flávio Bolsonaro declarando apoio a Márcio Canella e ironizou a prisão do deputado estadual eleito do Rio de Janeiro. No post, o ator escreveu: “Adivinha quem acabou de ser preso numa investigação contra lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, formação de cartel e outros crimes…”, acompanhado da gravação em que o presidenciável do PL reafirma “apoio integral” a Canella como pré-candidato ao Senado.
A publicação ganhou tração nas redes nas horas seguintes à divulgação da operação da Polícia Federal. Na manhã de quinta-feira (15/out), agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em municípios do estado, incluindo a capital, Niterói, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Além de Canella, foi preso o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. As ordens foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e integram a oitava fase da Operação Unha e Carne.
Segundo a Polícia Federal, a investigação mira uma organização criminosa armada que utilizaria uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro. Relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) encaminhado à corporação aponta que o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A Justiça determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas ao grupo, das quais 96 são postos de combustíveis. Os investigados respondem, conforme suas responsabilidades, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
Canella já havia sido alvo da sexta fase da mesma operação, em julho. Naquela ocasião, foi preso em flagrante após agentes encontrarem um fuzil de calibre restrito em seu veículo. Ele alegou que a arma não lhe pertencia e foi solto posteriormente. Mesmo assim, o político, que havia renunciado à prefeitura de Belford Roxo para disputar o Senado com apoio público de Flávio Bolsonaro, desistiu da candidatura majoritária e concorreu a deputado estadual. Foi eleito o segundo mais votado do Rio de Janeiro, com 197.178 votos.
No vídeo publicado por Tabet, Flávio Bolsonaro aparece afirmando que Canella “foi deputado comigo”, descrevendo-o como “uma pessoa competente” e pedindo que apoiadores o sigam. Na época do apoio, a mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, chegou a ser anunciada como primeira suplente na chapa de Canella ao Senado. Após a prisão de julho, o União Brasil se posicionou de forma neutra em relação à chapa do presidenciável no estado.
A análise aponta que a nova prisão de um dos deputados mais votados do Rio, às vésperas do segundo turno, reabre o debate sobre o impacto de operações policiais no berço político do clã Bolsonaro e sobre a dificuldade de manter narrativa de combate à corrupção quando nomes próximos enfrentam investigações de grande porte envolvendo bilhões em lavagem.
IMPORTANTE: As prisões são preventivas e decorrem de mandados judiciais. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório. A Polícia Federal descreve a participação de agentes públicos e articulação político-institucional no esquema. Canella e os demais detidos ainda não foram condenados.
Até o fechamento desta reportagem, a campanha de Flávio Bolsonaro não havia se pronunciado publicamente sobre a nova detenção de Canella. A oitava fase da Operação Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal no Rio para desmantelar organizações criminosas e redes de lavagem de recursos.
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