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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    23 de setembro de 2026

    Coluna publicada na Folha de S.Paulo nesta terça-feira (22/set) afirma que Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, é mais perigoso para a democracia brasileira do que o pai, Jair Bolsonaro. O argumento central não é maior radicalismo, e sim a aparência de moderação.

    O texto, assinado por Diogo Cunha, doutor em história pela Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne e professor-adjunto do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco, distingue método e convicção. Segundo o autor, Jair tentou um golpe com cartilha ultrapassada, é impulsivo e dado ao confronto.

    Flávio, escreve, parece mais disciplinado, mais integrado ao sistema partidário e mais capaz de negociar com quem o pai preferia ameaçar.

    Não há, na avaliação do colunista, diferença de convicções. A diferença seria de método: confronto no caso do pai; acomodação no caso do filho. Em determinados contextos, a moderação pode tornar mais eficaz o radicalismo dos objetivos, afirma o texto.

    CONTEXTO DE 2018 E O QUE MUDOU

    Em 2018, o debate girava em torno da resiliência da democracia diante de um populista autoritário na Presidência. Parte dos analistas apostava nos freios e contrapesos: fragmentação partidária, Congresso fortalecido, federalismo, Judiciário independente e órgãos de controle.

    O colunista observa que obstáculos institucionais não garantem sobrevivência democrática. Um Congresso conservador pode se tornar aliado de um processo de autocratização. Em 2026, o Supremo Tribunal Federal atravessa crise de legitimidade e o próximo presidente poderá indicar quatro ministros.

    Há ainda o fator externo. Um segundo governo Donald Trump, segundo a coluna, elevou a interferência na América Latina e passou a recompensar a erosão democrática quando praticada por governos alinhados a Washington. O autor cita o estudo de Steven Levitsky e Lucan Way sobre autoritarismos competitivos para apontar a inversão do mecanismo que, após a Guerra Fria, aumentava os custos da autocratização.

    O CENÁRIO DESCRITO PELO COLUNISTA

    O perigo maior, escreve Cunha, talvez não seja o de tanques nas ruas, mas o de uma sucessão de decisões formalmente legais, aprovadas por maiorias parlamentares conservadoras, respaldadas pelos Estados Unidos e justificadas como correção de “abusos” de um STF “moralizado”, sem Alexandre de Moraes e com novos ministros alinhados, além de André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

    Em 2022, a democracia sobreviveu a Jair, que anunciava quase diariamente disposição de golpeá-la. O perigo maior, conclui o texto, pode vir de Flávio, que “pode ter aprendido que, para esvaziar uma democracia, é melhor não declarar guerra contra ela”.

    A análise é de opinião. Não se trata de fato comprovado sobre intenção ou resultado futuro. Reportagens da própria Folha e de outros veículos registram que Flávio tentou, em diferentes momentos da pré-campanha e da campanha, apresentar-se como “Bolsonaro mais moderado”, ao mesmo tempo em que reproduziu ataques às urnas, críticas ao STF e promessas de indicar novos ministros, inclusive afirmando que indicaria cinco nomes.

    ANTECEDENTES

    Flávio Bolsonaro foi oficializado candidato do PL em convenção em julho de 2026, após a inelegibilidade e a condenação de Jair Bolsonaro por participação na trama golpista. Desde o fim de 2025 o senador se apresentava a empresários como versão mais equilibrada do pai. Ao longo de 2026, falas sobre urnas, o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o filme sobre Jair, além de discursos em atos como o de 7 de setembro na avenida Paulista, foram usados por adversários para questionar essa imagem.

    A coluna não apresenta documentos novos. Recolhe o quadro institucional de 2026 e o compara ao de 2018.

    CONSEQUÊNCIAS E DESDOBRAMENTOS

    O texto entra no debate eleitoral a menos de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Pesquisas recentes apontam disputa apertada entre Lula e Flávio. A coluna não prevê resultado. Aponta apenas que as condições institucionais e internacionais de 2026 diferem das de 2018.

    IMPORTANTE: O artigo da Folha é coluna de opinião. As afirmações sobre perigo relativo e método de esvaziamento democrático são teses do autor, não sentenças judiciais nem fatos comprovados por investigação.

    A análise aponta que a combinação de crise no STF, futuras indicações, Congresso conservador e alinhamento externo pode reduzir os custos de um processo de erosão por dentro das regras. Essa leitura pertence ao colunista.

    FAQ Rápido

    O que a coluna da Folha afirma sobre Flávio Bolsonaro?
    Que ele é mais perigoso para a democracia do que Jair não por ser mais radical, mas por parecer mais moderado e por usar acomodação em vez de confronto aberto.

    Por que o texto considera 2026 diferente de 2018?
    Porque o STF vive crise de legitimidade, o próximo presidente poderá indicar quatro ministros, e um segundo governo Trump teria invertido o custo externo da erosão democrática para aliados ideológicos.

    O que pode acontecer agora?
    A coluna não formula previsão eleitoral. O primeiro turno ocorre em 4 de outubro. Os fatos posteriores dependem do resultado das urnas e das decisões institucionais que se seguirem.

     



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