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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    28 de setembro de 2026

    A defesa de Flávio Bolsonaro pediu nesta segunda-feira (28/set) ao ministro Luiz Fux, do STF, a anulação da decisão de Flávio Dino que restabeleceu publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. No mesmo dia, o candidato ergueu uma imagem da santa em ato no centro de São Paulo. O embate judicial e o gesto de campanha chegam a seis dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

    O QUE DINO DECIDIU E O QUE MENDONÇA HAVIA DETERMINADO?

    No domingo (27/set), Flávio Dino cassou decisão de André Mendonça, tomada na sexta-feira (25/set) no TSE, que havia ordenado a remoção de postagens associando o candidato do PL a uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

    A ordem de Mendonça atingiu, entre outras, a publicação do humorista Antonio Tabet no X: “A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”. O texto não citava nominalmente Flávio Bolsonaro. A liminar também vedava republicações de teor equivalente e previa multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento. A campanha do senador havia pedido a retirada de mais de mil publicações.

    Dino determinou o restabelecimento da postagem de Tabet e das demais excluídas pelo mesmo fundamento. Ordenou notificação ao TSE e ciência às plataformas digitais. O ministro afirmou que a remoção exigiria presumir que “família miliciana” se referia a um candidato específico e interditar o debate religioso por decisão sem proporcionalidade. Segundo a CNN Brasil, ele escreveu que intervenções estatais na divulgação de opiniões devem ser excepcionais, sobretudo no calendário eleitoral.

    O Urbs Magna já havia registrado a ordem de Mendonça contra posts futuros e a cassação posterior. Ver Mendonça inova e manda X e Meta barrarem posts que ainda nem foram escritos e Dino cassa Mendonça e devolve ao ar o post de Tabet.

    IMPORTANTE: A decisão de Dino não declara verdadeira a tese de que Flávio Bolsonaro pretende destituir a santa. O ministro afirmou não haver, naquele estágio, grau de certeza de ilicitude suficiente para censura ampla. Flávio nega qualquer projeto nesse sentido. O Projeto de Lei 2.623/2007, de Victório Galli, que pretendia alterar a Lei 6.802/1980, foi arquivado anos atrás e não é de autoria do senador.

    POR QUE A CAMPANHA DE FLÁVIO FOI A FUX?

    Nesta segunda-feira (28/set), os advogados de Flávio Bolsonaro protocolaram pedido a Luiz Fux, relator de processo sobre o Marco Civil da Internet. Querem sustar os efeitos da decisão de Dino, restabelecer a lógica da ordem de Mendonça e levar o tema ao plenário. Argumentam que a competência para conter desinformação eleitoral cabe à Justiça Eleitoral e que a decisão monocrática de Dino interferiria em tese de repercussão geral ainda em discussão.

    Segundo a VEJA, a defesa sustentou que a última decisão desrespeitou entendimento do plenário sobre responsabilização de plataformas. Dino também encaminhou o caso para exame colegiado. Cabe ao presidente Edson Fachin marcar eventual sessão.

    FLÁVIO ERGUEU A SANTA EM SÃO PAULO. O QUE ISSO SIGNIFICA NA CAMPANHA?

    No mesmo 28 de setembro, Flávio Bolsonaro participou de caminhada no Brás, em São Paulo, com o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes, André do Prado e Guilherme Derrite. Um apoiador entregou uma representação de Nossa Senhora Aparecida. Flávio e Tarcísio a ergueram diante da plateia. Reportagens da VEJA descrevem a peça como boneco de crochê.

    O candidato classificou o boato como “a maior fake news dessa campanha” e disse ter aguardado nota da CNBB. “Foi muito boa, esclarecedora, porque confirma que essa questão de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil é uma grande mentira”, afirmou, segundo a mesma reportagem. No domingo (27/set), em Goiânia, ele havia acusado “gente de dentro da CNBB” de ajudar o PT a disseminar o conteúdo. A entidade negou participação em desinformação eleitoral. O advogado-geral da União, Jorge Messias, solidarizou-se com a conferência, como registrado em matéria anterior do Urbs Magna.

    COMO AS REDES REAGIRAM AO GESTO?

    Perfis passaram a usar a imagem do ato contra o candidato. No X, @mariarita4141 publicou a foto de Flávio com a representação da santa e escreveu: “Flávio Bolsonaro resolveu levar uma imagem da Nossa Senhora Aparecida pra uma manifestação política. Eu tenho certeza que isso desagrada tanto evangélicos, quanto católicos.”

    O post, desta segunda-feira (28/set), ilustra o subtítulo desta matéria e a leitura de que o gesto, feito a seis dias do primeiro turno, pode irritar simultaneamente evangélicos — parcela da base do candidato — e católicos que veem instrumentalização da padroeira.

    Respostas no fio chamaram a cena de “pixuleco eleitoral” e “profanação”. A análise aponta que o episódio transforma um debate jurídico sobre limites da remoção de conteúdo em disputa simbólica sobre fé, raça e memória religiosa: Tabet associou o ataque à santa à “mulher preta”; a campanha de Flávio responde com o gesto público de erguer a imagem. O risco institucional é o de o STF e o TSE se sobreporem na reta final, com decisões monocráticas de efeitos imediatos sobre o fluxo de informação.

    O QUE ACONTECE AGORA?

    Fux ainda não havia se manifestado publicamente sobre o pedido até o fechamento desta apuração. Dino já sinalizou preferência por julgamento no plenário. Plataformas receberam ordem de restabelecer conteúdos. Tabet republicou o texto no domingo (27/set), após a cassação. O primeiro turno ocorre no domingo, 4 de outubro.

    A matéria não afirma que o título de Padroeira do Brasil foi ou será alterado. A Lei 6.802/1980 permanece em vigor. O que está em disputa é o alcance da Justiça Eleitoral para retirar do ar críticas satíricas e o uso político da figura da santa a menos de uma semana da votação.

    FAQ Rápido

    Flávio Bolsonaro quer tirar o título de Nossa Senhora Aparecida?
    Ele nega. Não há projeto de sua autoria nesse sentido. Um PL de 2007, de outro parlamentar, foi arquivado.

    O post de Tabet citou Flávio Bolsonaro?
    Não. A frase fala em “família miliciana” e em ataque a Nossa Senhora Aparecida, sem nomear o senador.

    A decisão de Dino vale só para Tabet?
    Não. O ministro estendeu o restabelecimento às demais publicações excluídas pelo mesmo fundamento da ordem de Mendonça.



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