Advogados contestam cronologia de repasses a agência de viagens e reforçam ausência de transferência irregular para Fábio Luís Lula da Silva
Brasília (DF) · 19 de março de 2026
A defesa da empresária Roberta Moreira Luchsinger protocolou petição no Supremo Tribunal Federal contestando relatório da Polícia Federal que levanta suspeitas de propina via agência de viagens.
Os advogados afirmam que o documento parte de “premissa falsa” ao associar gastos de R$ 641 mil feitos pela consultoria dela entre dezembro de 2023 e junho de 2024 com repasses recebidos só a partir de novembro de 2024.
Segundo a peça, entregue ao ministro relator André Mendonça, os períodos não coincidem e a análise ignora a cronologia comprovada por extratos bancários.
“Trata-se de tentativa enviesada, ilegal e frustrada de incriminar uma pessoa inocente”, sustentam os defensores, que pedem apuração de eventual vazamento do relatório sigiloso.
A Polícia Federal suspeitava que parte dos R$ 1,5 milhão (cinco parcelas de R$ 300 mil) pagos pela empresa do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes — conhecido como Careca do INSS — teriam custeado viagens de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por meio da agência Vulcano, segundo o g1.
Roberta Luchsinger nega qualquer transferência ao filho do presidente Lula e afirma que os valores correspondem a “regular prestação de serviços” na área de cannabis medicinal.
A mesma defesa reclama da postura “inadequada” de um dos autores do relatório durante busca e apreensão realizada em dezembro de 2025, destacou o Estadão.
Paralelamente, relatório do Coaf apontou que Roberta Luchsinger recebeu R$ 4,1 milhões de empresas ligadas ao empresário Eduardo José Barros Costa, o Eduardo DP, entre setembro de 2024 e março de 2025.
A defesa classificou esses depósitos como decorrentes de consultoria privada, sem ligação com o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.
O caso integra a Operação Sem Desconto, que apura desvio de descontos associativos de aposentadorias.
Fábio Luís Lula da Silva, apresentado ao Careca do INSS justamente por Roberta Luchsinger, admitiu ao STF que teve viagem a Portugal custeada pelo lobista, mas nega qualquer relação comercial ou financeira com o esquema.
A contestação da defesa ganha relevo no momento em que o próprio relator André Mendonça — responsável pela quebra de sigilos de Lulinha e de Roberta Luchsinger — enfrenta críticas públicas.
Durante entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou: “Eu não posso dizer que o filho do presidente, Fábio Luiz da Silva, tem a culpa porque nós não temos a prova“, mencionando que a base do governo impediu a quebra de sigilo e o acesso a dados da ANAC.
Sobre a responsabilidade no INSS, em outro momento da entrevista, ele reforça sobre Lulinha: “Eu não posso afirmar efetivamente que ele tenha qualquer responsabilidade sobre o INSS“, explicando que, embora existam evidências de uma testemunha sobre o recebimento de valores, a falta de acesso aos documentos (devido a uma decisão do ministro Flávio Dino que retirou o material da CPMI) impede uma afirmação conclusiva.
Viana destaca que, devido a essa “blindagem” documental, permanece a dúvida se há ou não culpa, não sendo possível para ele, como presidente da comissão, fazer uma afirmação definitiva naquele momento.
O jornalista Eduardo Guimarães denunciou a existência de possível “grupo paralelo” na Polícia Federal sob influência do ministro, o que reforça a necessidade de o Supremo Tribunal Federal garantir total transparência e imparcialidade.
A apuração segue em curso.

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