Brasília (DF)
13 de setembro de 2026
O ministro Cristiano Zanin determinou neste domingo (13/set) que a Polícia Federal entregue, até as 23h, ao próprio gabinete uma cópia integral dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O prazo cai dois dias antes de o plenário do STF examinar o material que a PF atribui a mensagens entre o ex-controlador do Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes.
A ordem foi comunicada ao presidente da Corte, Edson Fachin, e dirigida ao diretor-geral da corporação, Andrei Passos Rodrigues, segundo o G1 e a CNN Brasil.
O que Zanin determinou?
O aparelho é um iPhone 17 Pro, apreendido em 18 de novembro de 2025 na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez. A PF identificou o terminal pelo número de série LTPF3F27YR e pelos IMEIs 358829560150138 e 358829560502072, conforme ofício reproduzido pelo Metrópoles.
No despacho deste domingo (13/set), Zanin afirmou que “não existe hierarquia entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal” e que “os elementos de prova pertencem ao Plenário do Supremo Tribunal Federal e aos seus integrantes e não a um integrante específico”, trechos reproduzidos pelo G1 e pela coluna de Daniela Lima no UOL.
O ministro registrou ainda que, até este domingo (13/set), a íntegra não havia chegado ao seu gabinete, apesar dos ofícios enviados nos últimos dias, conforme a CNN Brasil. A entrega foi fixada “sem prejuízo de outros Gabinetes que possam encaminhar idêntica requisição”.
Por que a PF entrou no centro da disputa?
Mais cedo neste domingo (13/set), a corporação informou a Fachin que dispõe de “plenas condições técnicas” para produzir cópias idênticas àquela encaminhada ao gabinete de André Mendonça, com lacres individualizados e certificação de integridade por hash SHA-256, sem prejuízo à cadeia de custódia. O aparelho original e a mídia da extração permanecem sob guarda da PF.
No mesmo ofício, segundo o Metrópoles, a PF esclareceu que o envio da cópia ao gabinete de Mendonça “não decorreu de iniciativa espontânea”, e sim de solicitação daquele gabinete, documentada no Processo SEI nº 08200.008680/2026-11.
Na sexta-feira (11/set), Mendonça havia dito a Fachin que o iPhone original está com a PF desde decisão de 19 de fevereiro de 2026 e que seu gabinete guarda apenas um HD criptografado, entregue em 8 de março de 2026, “lacrado e intocado”, conforme o G1 e o Metrópoles.
O que Mendonça opôs ao compartilhamento?
Neste domingo (13/set), o relator originário das apurações do Master enviou ofício a Fachin sustentando que a divulgação de “elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento” “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e poderia “colocar em risco todo o seguimento e êxito das investigações”, segundo a VEJA e o G1.
Mendonça argumentou que os ministros já dispunham do material necessário à sessão e pediu que a Presidência ouvisse delegados da PF sobre o trâmite do relatório.
Zanin rebateu a restrição com outro dado: a mesma mídia já havia sido entregue aos advogados de Vorcaro e remetida ao Congresso para instruir comissão parlamentar, por determinação do então relator. “Não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência”, escreveu o ministro, conforme o G1.
IMPORTANTE: A ordem de Zanin não transfere o iPhone original ao gabinete. O que foi requisitado é cópia da extração já periciada. A PF afirmou que o aparelho e a mídia-mãe continuam sob custódia policial. O compartilhamento com outros gabinetes, com a defesa e com o Congresso não equivale, por si, a tornar público o conteúdo íntimo do aparelho: os ministros permanecem vinculados a sigilo funcional.
O que o plenário julga na terça-feira (15/set)?
A sessão trata da Pet 16.662, procedimento que reuniu informação da PF sobre mensagens extraídas do celular de Vorcaro e atribuídas a interlocução com Alexandre de Moraes. O material saiu da Pet 15.556, que abriga a terceira fase da Compliance Zero.
No sábado (12/set), Fachin assumiu a relatoria da Pet 16.662 e determinou a remessa à Presidência das Pets 15.556 e 15.041, ligadas ao Master e às fraudes do INSS, segundo o G1. Com isso, a abertura da sessão de terça-feira (15/set) passa à Presidência, e não mais a Mendonça.
Além de Zanin, Moraes e Gilmar Mendes pediram acesso simétrico ao conjunto. Gilmar alertou que um “acesso assimétrico” comprometeria a paridade entre julgadores e a colegialidade, de acordo com a CNN Brasil. A Procuradoria-Geral da República também defendeu que todos os ministros vejam a íntegra antes de votar.
A crise institucional no STF em torno do mesmo celular já havia escalado no início de setembro, quando Moraes pediu apuração sobre atos de Mendonça e Fachin passou a centralizar esclarecimentos.
De onde vem o celular e o que a PF já extraiu?
A Compliance Zero apura, desde novembro de 2025, fraudes atribuídas ao Banco Master, inclusive a cessão de carteiras de crédito ao BRB. O iPhone foi recolhido no Termo de Apreensão nº 4473731/2025. Em março de 2026, Mendonça decretou nova prisão de Vorcaro e o bloqueio de ativos, no âmbito da mesma petição 15.556.
Relatórios cuja publicidade foi ampliada nas últimas semanas descrevem pedidos de orientação, menção a autoridades e uma estrutura paralela de monitoramento. Parte do conteúdo do aparelho já vazou em episódios anteriores, inclusive após extração interna na PF. Arquivos produzidos a partir do celular de Vorcaro também foram reportados pelo Urbs Magna.
O núcleo da controvérsia deixou de ser apenas o conteúdo das mensagens e passou a ser o próprio método de julgamento: se o plenário decide com o mesmo acervo disponível ao relator, ou se um ministro filtra o que os demais podem ver. Em um tribunal constitucional, desigualdade de acesso à prova fere a colegialidade antes mesmo do mérito sobre Moraes.
O que acontece agora?
Cabe à PF cumprir o prazo das 23h deste domingo (13/set) no gabinete de Zanin. Outros ministros podem repetir a requisição. A sessão de terça-feira (15/set) permanece marcada, mas o tamanho do material — e o tempo restante para examiná-lo — deve pressionar pedidos de vista ou de adiamento.
Atualização: até o fechamento desta matéria, fontes públicas consultadas não registravam confirmação de que a cópia já tivesse ingressado no gabinete de Zanin. Novas informações poderão ser acrescentadas à medida que veículos confiáveis confirmarem o cumprimento da ordem.
FAQ rápido
A PF vai entregar o celular físico de Vorcaro a Zanin?
Não. A ordem alcança cópia da extração. O iPhone 17 Pro original permanece sob custódia da PF, segundo a própria corporação e o relator André Mendonça.
Por que o prazo é neste domingo (13/set)?
Porque o plenário está marcado para terça-feira (15/set). Zanin afirmou que precisa da íntegra para formar convicção antes da sessão.
O compartilhamento encerra a investigação do Banco Master?
Não. Mendonça sustentou o contrário: abrir agora o conjunto bruto poderia tumultuar o julgamento e afetar apurações em curso. Zanin e a PF sustentam que cópias certificadas não rompem a cadeia de custódia.
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