📷 Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na sessão plenária do STF • Foto: Rosinei Coutinho/STF | Um agente da Polícia Federal / Divulgação PF | Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
03 de julho de 2026
A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o perito criminal da corporação, João Cláudio Nabas, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de citações aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, e sugeriu a colegas da própria PF o vazamento do material.
Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, as informações fazem parte da investigação aberta pela PF por ordem de Mendonça para apurar vazamentos do celular de Vorcaro e que resultaram no cumprimento de busca e apreensão contra Nabas em maio, por suspeitas de violação do sigilo funcional.
Ele foi afastado de suas funções após a operação.
A criação dos arquivos e a sugestão de vazamento
Especializado no combate a crimes financeiros, Nabas foi convocado para auxiliar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro do ano passado.
A investigação sobre o vazamento afirma que ele acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”.
Os documentos compilavam diálogos e menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli presentes no celular do banqueiro. Um deles incluía trechos do contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Os depoimentos de policiais federais que faziam parte da investigação apontam que Nabas, após produzir os documentos, sugeriu à equipe o vazamento à imprensa.
Os investigadores não concordaram com a sugestão, mas dias depois os detalhes do contrato da esposa de Moraes foram divulgados pela imprensa.
A insistência do perito
Para apurar o vazamento, a PF ouviu diversos policiais federais da equipe da Operação Compliance Zero.
Um dos policiais relatou que Nabas realizou a análise dos dados de forma remota a partir de Vilhena (RO), onde é lotado, e enviou, em 5 de dezembro de 2025, um arquivo em PDF sem identificação contendo um compilado de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
Na sequência, de acordo com o relato, Nabas enviou um áudio sugerindo a divulgação do conteúdo do documento à imprensa.
A equipe respondeu que não iria fazer contato com jornalistas. Ainda assim, o perito teria insistido para que a imprensa fosse procurada. Diante da nova recusa, enviou aos colegas, no mesmo dia, o segundo arquivo em PDF, intitulado “Toffoli e esposa.pdf”.
O conteúdo dos arquivos
De acordo com o depoimento, o arquivo reunia informações sobre o ministro Dias Toffoli e sua ex-esposa Roberta Rangel, incluindo dados relacionados ao resort Tayayá.
Parte dessas informações foi usada pela PF para apresentar ao STF um pedido de suspeição contra Toffoli.
Como revelou o Estadão, um fundo de investimentos administrado pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, injetou R$ 20 milhões no resort, que tinha participação acionária do ministro.
O afastamento e a investigação em curso
Logo após o vazamento, Nabas foi retirado do time de investigadores da Operação Compliance Zero e teve seus acessos aos materiais e dados das apreensões encerrados.
No pedido de busca e apreensão, a PF sustenta que o perito “de fato criou os documentos relacionados aos magistrados e a análise dos metadados e conteúdos de tais manuscritos reforçaram os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa os dados sigilosos”.
A PF ressalta que os profissionais de imprensa e detentores do direito constitucional à preservação do sigilo da fonte não fazem parte do objeto da apuração, mas somente o crime de violação de sigilo funcional por parte de servidores públicos.
Quem é João Nabas
João Cláudio Nabas é um perito criminal da Polícia Federal lotado em Vilhena (RO), especializado no combate a crimes financeiros.
Foi convocado para auxiliar a equipe da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. Nabas é acusado de ter criado documentos apócrifos a partir do celular de Daniel Vorcaro e de ter sugerido o vazamento do material à imprensa.
Ele foi alvo de busca e apreensão e afastado de suas funções na PF.
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