Brasília (DF)
28 de outubro de 2026
Donald Trump propôs, durante comício em Corpus Christi, no Texas, que a Venezuela se torne o 51º estado dos Estados Unidos e realize eleição para governador em vez de presidente. A declaração, feita diante de um navio-tanque com petróleo venezuelano, reacendeu debates sobre soberania na América Latina e gerou reações em perfis brasileiros que associaram a ideia a Flávio Bolsonaro.
O presidente dos Estados Unidos falou em um evento de apoio a candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Trump celebrou a chegada de um carregamento de um milhão de barris de petróleo da Venezuela, descrito por ele como “presente” e obtido sem custo aos contribuintes americanos. O petróleo seria refinado no Texas, inclusive em Corpus Christi.
“O país se tornará próspero e, quem sabe, talvez em breve ele se torne um próspero 51º estado. É possível. Vamos fazer isso acontecer. Vamos torná-lo o 51º estado. E, em vez de um presidente, teremos uma eleição para governador. O que acha?”, afirmou Trump.
Ele agradeceu à Venezuela pela relação que chamou de “muito, muito boa” e destacou bilhões de dólares em investimentos de grandes petrolíferas, muitas do Texas. Trump também mencionou Harold Hamm, empresário do setor, presente no evento, e elogiou as Forças Armadas americanas pela operação que capturou Nicolás Maduro em janeiro de 2026. A líder interina venezuelana, Delcy Rodríguez, já havia rejeitado publicamente a ideia de anexação em maio de 2026, afirmando que a Venezuela “nunca considerou” se tornar o 51º estado e defenderia sua soberania e independência.
IMPORTANTE: A declaração de Trump não constitui proposta formal de anexação nem altera o status jurídico da Venezuela. O governo venezuelano, sob Delcy Rodríguez, tem rejeitado a ideia e mantém acordos de cooperação energética com os Estados Unidos após a captura de Maduro. Não há evidência de processo oficial de incorporação territorial.
O QUE ACONTECEU NO COMÍCIO?
O discurso ocorreu no porto de Corpus Christi, com o navio-tanque visível ao fundo. Trump apresentou o carregamento como parte de um acordo maior que daria aos Estados Unidos acesso a parte das reservas venezuelanas, após a operação militar de janeiro. Veículos como The Guardian, Newsmax e MercoPress confirmaram as falas e o contexto do evento de campanha.
POR QUE ISSO IMPORTA PARA O BRASIL?
A declaração ganhou repercussão nas redes sociais brasileiras. Em um post no X, o perfil @WTh_Bill comentou um vídeo de Trump e afirmou: “Era isso que Flavio Rachadinha e sua desgraçada família queria para o Brasil. Traidores foram derrotados nas urnas e jamais voltarão a disputar o poder. O Brasil não cabe no quintal de ninguém.” O comentário, feito nesta quarta-feira (28/out), ligou a retórica de Trump a posições atribuídas ao clã Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno em 25 de outubro de 2026, deixou o Brasil e viajou aos Estados Unidos, segundo reportagens da BBC News Brasil, O Globo e Financial Times. O governo Trump confirmou que emitiria vistos para o senador e sua família. Perfis brasileiros passaram a circular a ideia de que, em um cenário hipotético de subordinação, Flávio poderia ocupar um papel semelhante ao de governador.
A análise aponta que declarações como a de Trump reforçam narrativas de intervenção externa na América Latina e alimentam debates sobre soberania no Brasil, especialmente após a vitória de Lula e a saída de Flávio. O alinhamento histórico do bolsonarismo com Trump, incluindo encontros anteriores e propostas de integração a coalizões como o Escudo das Américas, aparece em coberturas da Folha de S.Paulo e BBC.
COMO O GOVERNO VENEZUELANO REAGIU NO PASSADO?
Em maio de 2026, Delcy Rodríguez declarou em Haia que a ideia “jamais seria considerada” porque os venezuelanos prezam o processo de independência. Ela reafirmou a defesa da integridade, soberania e história do país como nação livre, não colônia, segundo a Folha e a AFP. O atual acordo de petróleo ocorre em paralelo a essas rejeições retóricas.
E…
O comício ocorreu a uma semana das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Trump usou o evento para destacar possíveis reduções nos preços de gasolina e diesel. No Brasil, a repercussão se mistura ao debate sobre a derrota de Flávio e sua ida aos EUA, com o PL reconhecendo o resultado eleitoral e Flávio anunciando que lideraria a oposição e pediria cassação da chapa de Lula por abuso de poder, conforme a BBC.
A soberania dos países da região permanece no centro do debate. Enquanto acordos energéticos avançam, propostas de incorporação territorial não encontram respaldo oficial em Caracas e geram críticas em setores que defendem a autonomia latino-americana.
FAQ Rápido
Trump formalizou a anexação da Venezuela?
Não. A fala foi feita em tom de sugestão durante comício de campanha e não constitui proposta oficial. O governo venezuelano já rejeitou a ideia.
Flávio Bolsonaro comentou a declaração de Trump?
Não há declaração pública verificada de Flávio Bolsonaro sobre esta fala específica de Trump até o momento da publicação.
A Venezuela enviou petróleo gratuitamente?
Trump descreveu o carregamento de um milhão de barris como “presente” e sem custo aos contribuintes. Detalhes do acordo comercial com empresas como a North American Blue Energy Partners foram reportados por veículos como Argus Media e The Guardian.
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