Pesquisa revela forte rejeição às taxas impostas pelos EUA; entrevistados também criticam Jair e Eduardo Bolsonaro
Brasília, 20 de agosto de 2025
Uma pesquisa recente da Quaest revelou que 71% dos brasileiros consideram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, errou ao impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, motivado pelo apoio ao amigo réu no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O levantamento, realizado entre os dias 10 e 14 de agosto, destaca ainda que 51% dos entrevistados enxergam a medida como uma ação de cunho político, enquanto 55% desaprovam a conduta de Jair Bolsonaro e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, no contexto da crise tarifária.
A decisão de Trump de taxar produtos brasileiros, anunciada em 9 de julho, foi justificada pelo presidente americano como uma resposta à suposta “caça às bruxas” contra Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A medida, que entrou em vigor em 6 de agosto, gerou forte reação no Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificando-a como uma violação à soberania nacional e prometendo retaliar com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
A tarifa de 50% não se justifica economicamente, já que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil há mais de uma década, com saldo positivo de US$ 43 bilhões nos últimos dez anos.
A pesquisa da Quaest também aponta que a tentativa de Trump de interferir no processo judicial brasileiro fortaleceu politicamente Lula, que viu sua aprovação crescer em meio à crise.
Analistas do BTG Pactual sugerem que a narrativa de defesa da soberania nacional tem impulsionado o apoio ao governo petista, especialmente às vésperas das eleições de 2026.
Por outro lado, a atuação de Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do cargo de deputado e se mudou para o Texas, foi duramente criticada.
Em entrevista à BBC, ele defendeu as tarifas como um “sacrifício necessário” pela “liberdade”, mas 55% dos entrevistados pela Quaest rejeitam sua postura.
Apesar do impacto econômico, o decreto de Trump incluiu isenções para 694 produtos, como suco de laranja, petróleo e aeronaves, beneficiando empresas como a Embraer.
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), essas exceções representam 43,4% das exportações brasileiras aos EUA, amenizando parcialmente os prejuízos.
No entanto, setores como café, carne e a indústria de armas, como a Taurus Armas, enfrentam sérias dificuldades.
A Taurus considera transferir parte de sua produção para os EUA para evitar perdas, o que pode custar até 15 mil empregos no Rio Grande do Sul.
A imprensa internacional também repercutiu a crise. Segundo o The Economist, as tarifas são “mais um latido do que uma mordida”, destacando que a economia brasileira, relativamente fechada, e as isenções limitam o impacto.
Já o Washington Post afirmou que o “bullying” de Trump saiu pela culatra, fortalecendo Lula e enfraquecendo a base de Bolsonaro entre elites empresariais.
A resposta do governo brasileiro tem sido focada em ampliar isenções e evitar retaliações, como destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin em entrevista ao O Globo.







