Taxas visam importações, mas isentam produtos como suco de laranja e minério de ferro, limitando o impacto econômico, enquanto Lula usa o conflito para reforçar nacionalismo, buscando diversificar comércio
Brasília, 09 de agosto de 2025
A renomada publicação semanal britânica The Economist, conhecida por sua análise aprofundada, estilo editorial distinto e postura editorialmente independente, afirma em uma matéria de sexta-feira (8/ago) que as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil são mais latido do que mordida.
A taxa de 50% anunciada sobre importações brasileiras intensificaram tensões entre os Estados Unidos e o gigante da América Latina, tendo sido justificada como resposta ao que o republicano considera perseguição política ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
A medida reflete a estratégia comercial mais ampla de Trump, que inclui tarifas de 10% sobre a maioria das importações e taxas específicas, como 25% sobre carros e 50% sobre cobre, redesenhando os padrões do comércio global.
No entanto, o Brasil escapou do pior, já que quase 700 produtos, incluindo exportações cruciais como aeronaves, minério de ferro e suco de laranja, foram isentos, reduzindo o impacto econômico por enquanto.
As tarifas desencadearam uma tempestade política no Brasil, fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que adotou um discurso nacionalista, usando um boné azul com a frase “o Brasil é dos brasileiros”.
Essa retórica apela ao orgulho nacional, mas encobre preocupações econômicas mais profundas. Embora carne e café — dois dos principais produtos de exportação do Brasil — permaneçam sob o peso das tarifas, as isenções oferecem alívio para empresas brasileiras.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que as políticas comerciais de Trump podem desacelerar o crescimento econômico dos EUA para 1,6% em 2025, com incertezas no comércio global à medida que países como China e México redirecionam exportações para evitar tarifas dos EUA.
Apesar das ameaças ousadas, o impacto sobre o Brasil parece mais simbólico do que devastador. O Fórum Econômico Mundial observa que as tarifas de Trump estão redesenhando o mapa do comércio global, com a China aumentando exportações para a Europa e o México em 6% e 25%, respectivamente, como contramedida.
No Brasil, a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, normalmente reservado para violadores graves de direitos humanos, gerou surpresa, sinalizando a disposição de Trump de misturar comércio e política.
Ainda assim, o governo de Lula aproveita o momento para mobilizar apoio doméstico, apresentando as tarifas como um ataque à soberania brasileira, enquanto intensifica esforços para diversificar o comércio e proteger a economia.
Olhando para o futuro, o Brasil enfrenta um equilíbrio delicado. A postura desafiadora de Lula pode fortalecer seu capital político, mas a OCDE destaca que a incerteza no comércio global pode frear o crescimento, com riscos de inflação nos EUA devido aos custos comerciais mais altos.
Para consumidores e empresas brasileiras, os produtos isentos oferecem alívio temporário, mas a guerra comercial pode gerar impactos indiretos nos mercados.
À medida que as políticas de Trump reconfiguram alianças e fluxos comerciais, o Brasil deve navegar essa tempestade fortalecendo laços com outros parceiros globais, garantindo que sua economia permaneça resiliente em um mundo cada vez mais fragmentado.








