“O presente” do bom velhinho ao estadista brasileiro “foi enviado por Trump por meio desse ataque desajeitado à soberania do Brasil”, reporta o jornal estadunidense sobre opinião de diplomata quanto à tarifa/Bolsonaro
Whashington, 20 de julho de 2025
Em uma matéria publicada pelo jornal estadunidense The Washington Post, na sexta-feira (18/jul), o colunista Ishaan Tharoor afirma que “Papai Noel chegou cedo” para o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que o presidente dos EUA, Donald Trump, ao impor tarifas de 50% às importações de produtos brasileiros justificando perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, deu um tiro que está “saindo pela culatra“.
Tharoor usa a argumentação de um diplomata para defender que o “presente” do bom velhinho ao estadista brasileiro “foi enviado por Trump por meio desse ataque desajeitado à soberania do Brasil”.
O texto no WP inicia lembrando que há cerca de 50 anos, o então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter (1977 a 1981), promoveu uma mudança significativa na política externa em relação ao Brasil e a outras ditaduras da América Latina. Durante a Guerra Fria, os EUA costumavam apoiar governos autoritários anticomunistas na região, incluindo o regime militar brasileiro (1964-1985). No entanto, Carter adotou uma postura diferente, priorizando os direitos humanos em suas relações internacionais.
Sua administração passou a criticar publicamente as violações de direitos humanos cometidas por governos ditatoriais aliados, reduzindo o apoio incondicional que esses regimes recebiam. No Brasil, essa pressão contribuiu para aumentar o questionamento interno sobre o autoritarismo do regime militar. Alguns políticos e analistas creditam a postura de Carter por ajudar a criar condições favoráveis para a abertura política brasileira, que culminou na redemocratização em meados dos anos 1980.
No entanto, essa abordagem também teve consequências políticas nos EUA. Durante a eleição presidencial de 1980, o candidato republicano Ronald Reagan criticou Carter por “enfraquecer” aliados estratégicos dos EUA, usando isso como argumento para defender uma política externa mais dura contra o alegado comunismo. Reagan venceu a eleição e adotou uma postura mais alinhada com governos anticomunistas, mesmo que autoritários. Apesar disso, a ênfase de Carter nos direitos humanos deixou um legado importante, influenciando a transição democrática em vários países, incluindo o Brasil.
O jornalista do The Whashington Post aborda o tema dizendo que meio século depois, os papéis se invertem de forma curiosa. Um presidente dos EUA explicitamente indiferente à causa dos direitos humanos globais agora defende um grupo político no Brasil que demonstra abertamente nostalgia pela época da ditadura militar. O ex-presidente Donald Trump ameaça prejudicar seriamente as relações com o segundo país mais populoso das Américas em apoio a Jair Bolsonaro, ex-presidente brasileiro e líder de extrema-direita que enfrenta julgamento por seu suposto envolvimento em um violento plano golpista após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022.
Bolsonaro, conhecido por suas declarações polêmicas e admiração pelo regime militar brasileiro (1964-1985), é acusado de incentivar protestos antidemocráticos que culminaram em invasões a sedes dos Três Poderes em Brasília, em janeiro de 2023. Agora, Trump — que também enfrentou acusações de tentativa de subverter resultados eleitorais nos EUA — posiciona-se ao lado do aliado brasileiro, tensionando ainda mais as relações entre Washington e o governo Lula.
A situação expõe as contradições da política externa norte-americana e levanta debates sobre o apoio de setores conservadores a movimentos que desafiam a democracia na América Latina. Enquanto isso, o Brasil vive o desfecho judicial de um capítulo turbulento de sua história recente, com Bolsonaro e seus apoiadores respondendo por supostos crimes contra o Estado democrático.
Trump impõe tarifa de 50% sobre importações brasileiras, medida que entra em vigor em agosto
Neste mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, medida que deve começar a valer em agosto, lembra o colunista do WP. Mesmo em meio às polêmicas e medidas protecionistas que marcam as guerras comerciais de Trump, a decisão de atingir especificamente o Brasil chamou atenção. Isso porque os Estados Unidos mantêm um superávit comercial significativo em bens e serviços com o país latino-americano, o que torna o Brasil um alvo incomum para as políticas protecionistas de Trump.
A medida pode impactar setores brasileiros que exportam para os EUA, aumentando os custos para importadores americanos e possivelmente reduzindo a demanda por produtos brasileiros. Analistas questionam os motivos por trás da decisão, já que tradicionalmente tarifas são impostas contra países com os quais há déficit comercial, não superávit. O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre possíveis retaliações ou negociações para reverter a medida.
Este é mais um capítulo na política comercial agressiva de Trump, que já afetou relações com China, União Europeia e outros parceiros econômicos.
Casa Branca pressiona por fim de processos contra Bolsonaro e ações contra Moraes
Em sua abordagem no jornal estadunidense, Ishaan Tharoor escreve que a Casa Branca deixou claro seu objetivo principal: interromper os processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e tomar medidas punitivas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável por supervisionar as ações judiciais contra Bolsonaro e por aplicar a lei brasileira no combate à desinformação online.
A postura de Moraes, vista como censura por críticos, despertou a indignação de conservadores norte-americanos e do bilionário Elon Musk, dono da plataforma X (antigo Twitter), que foi alvo de decisões do ministro.
A pressão da Casa Branca ocorreu após uma campanha de lobby liderada por Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. Eduardo, que atualmente mora nos EUA, publicou um vídeo nas dependências da Casa Branca na semana passada, reforçando os esforços para influenciar o governo norte-americano a intervir no caso.
A movimentação política ganhou força após o ex-presidente Donald Trump manifestar apoio a Bolsonaro, sinalizando alinhamento entre setores da direita brasileira e norte-americana.
Ameaças de tarifas de Trump pressionam países, mas Brasil resiste e Lula critica
Ishaan Tharoor prossegue lembrando que as ameaças de tarifas comerciais impostas pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump têm pressionado vários países a se alinharem com Washington. No entanto, o Brasil, com uma economia maior e mais diversificada que a de seus vizinhos, adotou uma postura diferente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê na crise uma oportunidade para reforçar a soberania nacional e criticar a política externa dos EUA.
Em entrevista à CNN, Lula declarou: “Não podemos permitir que o presidente Trump esqueça que foi eleito para governar os EUA… e não para ser o imperador do mundo.” A fala reflete sua resistência às pressões comerciais e sua defesa de uma política independente. Além disso, em atos públicos, Lula tem usado um boné azul com um design semelhante ao dos famosos “MAGA” (Make America Great Again) de Trump, mas com a frase em português: “O Brasil é dos brasileiros”—um claro recado de afirmação nacionalista.
Enquanto outros países cedem às exigências dos EUA, o governo brasileiro busca manter sua autonomia, aproveitando o tamanho e a diversidade de sua economia para resistir às pressões externas. A postura de Lula reforça sua imagem como líder disposto a desafiar a influência americana e defender os interesses do Brasil no cenário global.
Moraes mantém postura firme e impõe medidas punitivas a Bolsonaro
Na última sexta-feira (18/jul), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), lembra o colunista do WP, assinou uma decisão que impõe medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a ordem judicial, Bolsonaro é acusado de conspirar com seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, para incitar hostilidades contra o Brasil e promover a desestabilização do país.
Como parte das medidas, Bolsonaro está proibido de manter contato com governos estrangeiros e foi obrigado a utilizar uma tornozeleira eletrônica para monitoramento. A decisão reforça a postura do STF em combater ações consideradas ameaças à ordem democrática.
O caso está sendo acompanhado de perto, diante das investigações sobre supostos atos de desacato às instituições e tentativas de golpe após as eleições de 2022. Até o momento, a defesa de Bolsonaro nega as acusações e alega perseguição política.
O episódio marca mais um capítulo na tensão entre o ex-presidente e o Judiciário, em meio a um cenário político polarizado no Brasil.
Governo Trump impõe sanções a Moraes e revoga vistos de familiares
Atento aos fatos da crise Brasil-EUA, o jornalista informa aos norte-americanos que, no mesmo dia, o governo do ex-presidente dos EUA Donald Trump anunciou medidas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, revogando os vistos dele e de seus familiares próximos. Na ocasião, o então secretário de Estado Marco Rubio justificou a decisão em um comunicado, acusando Moraes de conduzir uma “caça às bruxas política” contra Jair Bolsonaro.
Segundo Rubio, as ações do ministro teriam criado um “sistema de perseguição e censura tão amplo que não apenas viola direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil, afetando americanos“. A medida refletia as tensões entre o governo Trump e setores do Judiciário brasileiro durante o mandato de Bolsonaro.
O caso ocorreu em um contexto de críticas de bolsonaristas e aliados internacionais a decisões de Moraes, que, como responsável pela investigação de ataques à democracia no Brasil, determinou prisões e bloqueios de perfis sob acusação de disseminação de fake news e incitação à violência.
EUA e Brasil aprofundam divergências, e desgaste diplomático não deve ter solução rápida
Ishaan Tharoor cita seu colega jornalista Terrence McCoy, que relatou a tensão diplomática entre os Estados Unidos e o Brasil e opina que nada caminha para uma rápida solução. Ambos os países têm mantido posições firmes, indicando que o desentendimento deve persistir no curto prazo.
O impasse reflete divergências em questões políticas ou econômicas específicas (aqui pode ser inserido o contexto do conflito, se necessário, como por exemplo: como visões diferentes sobre comércio internacional, políticas ambientais ou posicionamentos em fóruns globais). Enquanto os dois lados não demonstrarem flexibilidade, a expectativa é de que o cenário continue sem avanços significativos.
A situação demanda acompanhamento, já que um prolongamento do conflito pode impactar relações bilaterais e até mesmo a cooperação em áreas estratégicas.
Diplomatas dos EUA têm dúvidas sobre sanção a juiz brasileiro
Em discussões internas, diplomatas dos Estados Unidos demonstraram ceticismo sobre a possibilidade de o governo americano sancionar um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, reporta o colunista do The Whashington Post. Eles avaliam que a medida poderia prejudicar a credibilidade dos EUA na promoção da democracia.
Um funcionário do Departamento de Estado, que falou sob condição de anonimato, afirmou que seria difícil imaginar uma ação mais danosa do que impor sanções a um juiz estrangeiro simplesmente por discordar de suas decisões judiciais. Segundo ele, essa atitude da administração Trump poderia ter efeitos negativos na relação bilateral entre os dois países.
A preocupação reflete o temor de que medidas desse tipo sejam vistas como interferência política, minando a imagem dos EUA como defensor das instituições democráticas.
Para Lula, aliados de esquerda enfrentam eleição difícil em 2026, e momento atual é uma oportunidade
Pesquisas mostram que o apoio ao governo Lula aumentou diante do que é visto como “provocação americana” associada a Jair Bolsonaro, escreve Tharoor, acrescentando que os recentes anúncios de tarifas comerciais dos EUA contra o Brasil não apenas reforçam a narrativa de resistência nacional, mas também atingem interesses das elites empresariais – que frequentemente apoiam a oposição conservadora a Lula.
Ele lembra que o conservador Estadão destacou em seu editorial que há dois lados nessa disputa: “o do Brasil ou o de Bolsonaro“, afirmando que os caminhos são “opostos e inconciliáveis“. A situação pode fortalecer Lula politicamente, enquanto seus adversários enfrentam um cenário mais desafiador para 2026.
Protestos bolsonaristas fortalecem imagem de Lula como símbolo de resistência, analisa historiador
O que seria uma demonstração de força do movimento MAGA e de sua “franquia brasileira” (os apoiadores de Jair Bolsonaro) acabou se tornando um benefício político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avalia o historiador Andre Pagliarini, segundo o texto do colunista do WP. Segundo ele, os protestos pró-Bolsonaro permitiram que Lula se apresentasse como um símbolo de resistência nacional, reforçando sua imagem diante da crise.
Enquanto isso, a oposição bolsonarista se vê dividida: parte precisa conciliar a lealdade a Bolsonaro com os interesses econômicos de sua própria base eleitoral, que pode ser prejudicada pelo clima de instabilidade. A situação coloca Lula em uma posição de vantagem política, enquanto seus adversários enfrentam dificuldades para manter uma linha coerente de oposição.
O comentário destaca como os atos recentes, em vez de pressionar o governo, acabaram por fortalecer a narrativa de Lula como defensor da democracia e da estabilidade institucional.
Diplomata brasileiro afirma que instituições democráticas não são moeda de troca
O profissional da imprensa dos EUA cita um alto diplomata brasileiro, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a comentar publicamente o assunto, destacou que as instituições democráticas do Brasil e o seu Judiciário independente não podem ser tratados como moeda de troca em negociações de caráter político. A declaração foi uma resposta indireta a possíveis pressões ou tentativas de interferência externa, em um contexto em que o termo “Trumpist transaction” (em referência a táticas associadas ao ex-presidente dos EUA Donald Trump) sugere manobras que colocam em risco a soberania e a estabilidade institucional do país.
O diplomata reforçou o compromisso do Brasil com a democracia e a autonomia de suas instituições, deixando claro que esses princípios não estão à disposição para barganhas políticas. A afirmação reflete a postura do governo brasileiro em defender a ordem constitucional e a independência entre os Poderes, mesmo em meio a cenários de tensão ou negociações internacionais.
O comentário ocorre em um momento de crescente atenção sobre as relações diplomáticas do Brasil e possíveis alinhamentos com governos estrangeiros que adotam posturas controversas em relação a normas democráticas.
Bolsonaro e aliados sofrem desgaste após ameaça à economia e soberania nacional
Um diplomata avaliou que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados “colheram o que plantaram” ao enfrentarem uma grave crise de imagem diante de ameaças à estabilidade do país e à economia. Segundo a análise, parte do eleitorado que antes os apoiava — incluindo setores importantes do mercado financeiro e da comunidade empresarial — agora está se distanciando do grupo.
O diplomata comparou a situação a um “presente de Natal antecipado” para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que a ofensa à soberania brasileira, articulada por aliados de Donald Trump em defesa de Bolsonaro, foi um movimento político desastrado. A ação, que visava proteger um “aspirante a ditador” e um “perdedor claro“, acabou por fortalecer Lula e isolar ainda mais a oposição.
O episódio reforça a percepção de que a estratégia bolsonarista, ao associar-se a intervenções externas, provocou reações negativas até mesmo em bases tradicionalmente conservadoras, como investidores e empresários. A crise política e econômica gerada pelo confronto tem sido usada pelo governo Lula para consolidar sua posição e ampliar o repúdio às ações antidemocráticas.
Enquanto isso, Bolsonaro e seus apoiadores enfrentam um crescente isolamento, tanto no cenário nacional quanto internacional.
Lula critica impunidade de Trump e compara com caso brasileiro
Finalmente, o texto no The Whashington Post é finalizado lembrando das declarações à CNN feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o estadista fez duras críticas ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, destacando o papel dele no estímulo ao ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Lula lembrou que, dois anos depois, apoiadores de Jair Bolsonaro repetiram um ato semelhante ao invadirem prédios federais em Brasília, numa tentativa fracassada de golpe.
O presidente brasileiro contrastou a aparente impunidade de Trump nos EUA com as consequências que um ato similar teria no Brasil. “Se Trump fosse brasileiro e tivesse feito o que aconteceu no Capitólio, ele também estaria sendo julgado no Brasil”, afirmou Lula. “E possivelmente teria cometido um crime contra a Constituição. Pela nossa Justiça, ele também seria preso se tivesse feito isso aqui.”
A declaração de Lula reforça as diferenças entre os sistemas judiciais dos dois países e chama atenção para a responsabilização de líderes que incentivam ataques às instituições democráticas. Enquanto Trump segue livre e concorrendo às eleições nos EUA, no Brasil, os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 já foram processados e condenados.









E agora,o que fazer?proteger o mito ou a soberania?o mito ou a economia?
Bolsonaristas estão dispostos a enfraquecer nossas exportações, atrapalhar nossos próprios empresários, simplesmente para livrar a cara de alguém?
Sempre votei no PT,mas ñ trocaria o meu País por um ex-presidente que atentou contra a democracia,que tanto tentou impôr a ditadura desde o início com falas até de seus filhos:– o congresso ñ deixa meu pai governar,deveria acabar com isso,ou seja,bastaria o boso querer e as coisas aconteceriam,sem interferência, questionamento,votação, aprovação, (rei)(ditador)
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