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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    13 de setembro de 2026

    Aliados de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal estudam pedir a suspeição de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux na sessão de terça-feira (15/set), quando o plenário decide se o ministro será investigado por ligações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O argumento que circula nos bastidores junta dois episódios já publicados: R$ 6,6 milhões pagos pelo banco a uma consultoria ligada ao filho de Kassio e a presença do filho de Fux em um camarote VIP da Marquês de Sapucaí.

    A informação foi publicada no sábado (12/set) pela Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem de Luísa Martins, a ideia é que Gilmar Mendes, Flávio Dino ou Cristiano Zanin apresente uma questão de ordem antes do mérito. Kassio e Fux figuram, nas contas de bastidor, entre os votos mais próximos de André Mendonça, relator do caso Master e defensor da abertura de apuração contra Moraes.

    O que o grupo de Moraes quer colocar em discussão?

    A questão de ordem, conforme a Folha, deve citar dois pontos.

    O primeiro é financeiro. Relatório do Coaf, revelado em 19 de março pelo Estadão e confirmado pela Folha, mostrou que a Consult Inteligência Tributária, de Teresina, recebeu R$ 6,6 milhões do Master em 14 operações entre outubro de 2024 e julho de 2025. Nesse intervalo, a consultoria pagou R$ 281,6 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio, então com 25 anos. A JBS transferiu outros R$ 11,3 milhões à mesma empresa.

    O Coaf apontou incompatibilidade entre o faturamento declarado da Consult — R$ 25,5 mil — e o volume movimentado, e avaliou a hipótese de “conta de passagem”. A Consult disse ter prestado auditoria e consultoria tributária. Kevin afirmou que os pagamentos decorreram de assessoria jurídica “voltada ao fisco administrativo” e que nunca atuou em causa no STF.

    O segundo ponto é social e simbólico. Em 17 de março, a coluna de Mônica Bergamo mostrou que o advogado Rodrigo Fux esteve no camarote VIP montado por Vorcaro no Desfile das Campeãs de 2025, no espaço Alma Rio. Mensagens do celular do banqueiro registraram a instrução “Fux, por [no espaço] VIP”. Rodrigo Fux declarou, à época, que “nunca tivemos relação comercial, nunca advoguei para ele”.

    Por que isso importa na terça-feira (15/set)?

    A sessão convocada pelo presidente Edson Fachin trata da crise aberta pelas mensagens de Vorcaro a Moraes e pelo pedido de investigação contra o ministro. Sem Moraes no voto — por ser o alvo — e com Dias Toffoli já declarado suspeito em frentes do Master, o colegiado encolhe. Cada cadeira altera o placar.

    Contas divulgadas pelo Estadão e pela CNN Brasil colocam Mendonça, Kassio e Fux no campo favorável à apuração. Gilmar, Dino e Zanin aparecem no campo contrário. Fachin e Cármen Lúcia seguem como votos decisivos. Retirar Kassio e Fux, se o plenário aceitar a tese, muda a aritmética antes do mérito.

    A Folha registrou a reação nos gabinetes. Pessoas próximas a Kassio disseram que o ministro se considera apto a votar porque não tem relação pessoal com Vorcaro e que receberia com serenidade uma eventual maioria pela suspeição. Fux não comentou a hipótese com auxiliares.

    IMPORTANTE

    O pedido de suspeição ainda não foi formalizado. A relação de filhos com o entorno do Master não produz, por si só, afastamento automático. Cabe ao plenário decidir se há conflito de interesses suficiente para impedir o voto. Os R$ 6,6 milhões foram pagos à Consult, não diretamente ao ministro Kassio. Os R$ 6,6 milhões foram pagos à Consult, não diretamente ao ministro Kassio. Os R$ 281,6 mil ao escritório de Kevin e o convite a Rodrigo Fux são os elos documentados até aqui.

    Como a Corte chegou a este ponto?

    O Master foi liquidado após o Banco Central vetar a venda ao BRB e a Polícia Federal prender Vorcaro sob suspeita de fraude bilionária. O inquérito subiu ao STF. Toffoli relatou o caso, depois se declarou suspeito. Mendonça assumiu a relatoria, retirou o sigilo de trechos do material e passou a defender investigação contra Moraes. Moraes reagiu e pediu apuração sobre o colega, falando em abuso de autoridade.

    Na terça-feira (8/set), a Segunda Turma chegou a formar maioria — Mendonça, Fux e Kassio — para manter o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Dino reintegrou a cúpula no dia seguinte, como o Urbs Magna registrou. Fachin recusou juntar, nesta terça, o processo de Moraes e o de Mendonça. O segundo ficou para 23 de setembro, depois do prazo de 21 de setembro dado ao relator para se manifestar.

    A Folha ouviu um magistrado descrever a sessão que se aproxima como possível “carnificina institucional”, se o plenário abrir o debate sobre a conduta de todos os envolvidos. Gilmar pediu julgamento conjunto. Fachin manteve o calendário separado. Auxiliares de ao menos cinco ministros avaliam pedido de vista, o que pode interromper o julgamento por até 90 dias.

    O que Lula disse sobre a crise?

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não comentou, até a apuração desta matéria, o estudo específico de suspeição contra Fux e Kassio. Em declarações recentes, cobrou investigação ampla. À Metrópoles, em 10 de setembro, afirmou que “todo mundo tem que ser investigado” e que “doa a quem doer”. No X, em 9 de setembro, pediu a quebra completa do sigilo do caso Master. A Veja informou no sábado (12/set) que, em conversa com Fachin, Lula defendeu apurar “tudo que tiver” sobre Vorcaro e Moraes.

    A operação política em curso no STF desloca o debate da fraude bancária para o teste de imparcialidade da própria Corte. O risco institucional não está só no placar de terça-feira. Está na possibilidade de o colegiado transformar o julgamento em acerto de contas recíproco, no qual cada ministro passa a medir o outro pelo entorno familiar e pelos convites de um banqueiro preso.

    O que acontece agora?

    Até o fechamento desta reportagem, nenhum ministro do grupo de Moraes havia protocolado a questão de ordem. A sessão permanece marcada para terça-feira (15/set). Mendonça diz que Vorcaro o procurou em 2025 para falar de precatórios, que se limitou a ouvir e que votou contra a tese do banqueiro. Toffoli nega irregularidade e afirma que o plenário já arquivou, em fevereiro, as alegações da PF contra ele. Vorcaro segue no centro de todas as linhas: as mensagens a Moraes, o fundo apontado em torno de Toffoli, o camarote da Sapucaí e os pagamentos à Consult.

    A pergunta que o plenário terá de responder, se a questão de ordem for apresentada, é estreita e explosiva: o elo dos filhos impede o voto dos pais?

    FAQ rápido

    Kassio e Fux já foram afastados do julgamento?
    Não. A Folha descreveu um estudo de aliados de Moraes. Não há decisão do plenário reconhecendo suspeição.

    O filho de Kassio recebeu R$ 6,6 milhões do Master?
    Não. O Master pagou R$ 6,6 milhões à Consult Inteligência Tributária. Essa consultoria transferiu R$ 281,6 mil ao escritório de Kevin Marques, segundo o Coaf.

    Rodrigo Fux era advogado de Vorcaro?
    Ele afirmou à Folha que nunca teve relação comercial com o banqueiro e nunca o defendeu.

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