Suposta orcrim de Bolsonaro e militares visa lucro e campanha antecipada com fake news nas redes, diz PF

No STF, apuração das milícias digitais feita pela PF é vista como principal anteparo contra investidas golpistas do presidente

O presidente Jair Bolsonaro (PL), seus generais e governistas podem integrar uma organização criminosa que ataca instituições e dissemina fake news. Eles entraram na mira do STF (Supremo Tribunal Federal) na apuração pela PF (Polícia Federal) das milícias digitais. Ministros da Corte veem a ação como o principal anteparo da Justiça contra as investidas golpistas do atual ocupante do Planalto.

Live de Bolsonaro em 29 de julho de 2021 é considerada seu maior ataque ao sistema eleitoral brasileiro e a sua vinculação foi ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das apurações que aponta para o uso das instituições públicas, pelos investigados, para buscar informações contra as urnas desde o ano da posse do atual presidente do Brasil, além do general Luiz Eduardo Ramos e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), atrelada ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional), chefiado pelo também general Augusto Heleno.

O ex-diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem, o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o coronel do Exército Eduardo Gomes da Silva, responsável por apresentar as suspeitas de fraudes na live, também entraram na mira da PF, conforme apontou a reportagem de Fabio Serapião, neste sábado (14/2), na Folha de São Paulo.

O material apurado, sobre a live em que Bolsonaro atacou sem provas as urnas eletrônicas, faz o inquérito ser classificado por investigadores como principal anteparo contra possíveis investidas golpistas de Bolsonaro até a eleição e no período pós-eleitoral.

Todos os episódios em que o presidente e seus apoiadores atacaram as instituições e disseminaram desinformação desde 2019 serão usados no inquérito, como o vazamento do inquérito sobre o TSE, a disseminação de desinformação sobre vacinas e tratamento precoce e os preparativos para o 7 de setembro de 2021, quando o presidente ofendeu Moraes e também fez manifestações de cunho golpista.

Cada um desses episódios seria realizado pela mesma suposta organização criminosa investigada pela delegada Denisse Ribeiro, que indicou Bolsonaro como figura central nos ataques às urnas e afirmou que a rede investigada tem entre outros objetivos “diminuir a fronteira entre o que é verdade e o que é mentira“.

A prática visa, mais do que uma ferramenta de uso político-ideológico, um meio para obtenção de lucro, a partir de sistemas de monetização oferecido pelas plataformas de redes sociais. Transforma rapidamente ideologia em mercadoria, levando os disseminadores a estimular a polarização e o acirramento do debate para manter o fluxo de dinheiro pelo número de visualizações“, diz relatório da PF, de acordo com a transcrição feita pelo jornalista Fabio Serapião, no jornal.

Quanto mais polêmica e afrontosa às instituições for a mensagem divulgada, maior o impacto no número de visualizações e doações, reverberando na quantidade de canais e no alcance do maior número de pessoas. Aumentando a polarização e gerando instabilidade por alimentar a suspeição do processo eleitoral, ao mesmo tempo que promove a antecipação da campanha de 2022 por meio das redes sociais“, diz o texto.

Foram identificadas diversas inconsistências em pontos relevantes das declarações (depoimentos de Ramos, Ramagem e Torres), as quais convergem em apontar que houve vontade livre e consciente dos envolvidos em promover, apoiar ou subsidiar o processo de construção da narrativa baseada em premissas falsas ou em dados descontextualizados“, diz a PF sobre a live.

Um dos exemplos citados pela PF é o do general Ramos, que ainda em 2019 procurou o técnico em eletrônica Marcelo Abrileri em busca de informações sobre uma suposta fraude nas eleições de 2014.

Marcelo elaborou referida planilha (com dados sobre a suposta fraude) tendo como base exclusivamente dados que eram fornecidos pelo site de notícias G1, na tentativa de identificar padrões matemáticos, tendo como motivação o receio de que o ‘comunismo tomasse o Brasil’”, diz a PF.

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