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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    04 de outubro de 2026

    Quase 40 milhões de brasileiros aptos não escolheram candidato à Presidência no primeiro turno de domingo (4/out): um total de 33,46 milhões não compareceram e outros 5,97 milhões votaram em branco ou nulo. O número importa porque Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro só se decidem em 25 de outubro, e a diferença entre eles cabe folgadamente nesse bloco.

    O QUE A PARCIAL DAS 23H MOSTROU?

    Relatório parcial do Tribunal Superior Eleitoral atualizado até as 23h de domingo (4/out) já havia totalizado 499.136 das 499.248 seções, ou 99,98%. Faltavam 112 seções.

    Nas seções lidas, 125.248.107 eleitores compareceram e registraram voto, 78,92% do eleitorado apto dessas urnas. Os votos válidos somavam 119.274.399. Em branco eram 2.300.498 (1,84%). Nulos, 3.673.210 (2,93%). Anulados e anulados sub judice apareciam zerados nessa captura. O eleitorado apto do país era de 158.745.502. A abstenção nas seções totalizadas chegava a 33.462.864, ou 21,08%.

    A soma de ausentes, brancos e nulos nessa parcial é de 39.436.572 pessoas.

    Painel de resultados eleitorais mostrando dados gerais, incluindo número de vagas, seções totais e resultados de votação com porcentagens de votos válidos, nulos e em branco.

    A Constituição e a Lei das Eleições contam apenas votos válidos, dados a candidato ou legenda. Brancos e nulos são registrados e depois excluídos do cálculo de quem vence. Abstenção é outra coisa: o eleitor apto não foi à seção. Quem faltou no primeiro turno pode votar no segundo, em 25 de outubro, conforme o calendário do TSE.

    LULA E FLÁVIO FORAM AO SEGUNDO TURNO

    Nenhum dos dois passou de 50% dos votos válidos. Com 99,99%, as urnas registravam Flávio Bolsonaro (PL) com 47,03% e 56.104.268 votos, e Lula (PT) com 45,16% e 53.876.617 votos. Nenhum outro presidenciável chegou a 5%.

    Mais cedo, a Reuters havia mostrado Flávio à frente com 84,96% das seções. O Datafolha, ainda no início da noite, projetou segundo turno entre os dois. O pleito de desempate está marcado para 25 de outubro.

    A diferença na atualização da Veja é de 2.227.651 votos.

    O QUE A ABSTENÇÃO DE 21% REPRESENTA

    Segundo a CNN Brasil, 21% é o maior percentual de abstenção em primeiro turno presidencial desde 1998, quando o índice foi de 21,5%. Em 2022, 32,7 milhões não votaram. Em 2026, a ausência subiu para 33,4 milhões na leitura do veículo.

    O Urbs Magna já tratava o comparecimento como variável decisiva antes do pleito, na leitura de que Lula precisa dos eleitores nas urnas. A parcial de domingo (4/out) confirma o tamanho desse ponto cego: o bloco que não escolheu candidato é cerca de 17 vezes maior que a diferença entre os dois primeiros.

    O QUE AS REDES PASSARAM A COBRAR

    Pedro Ruas escreveu no X: “LULA fez 53.809.651 votos (falta 1%). Vejam, se cada um VIRAR APENAS UM VOTO, ganhamos com folga essa eleição. UM VOTO !!!”

    Em resposta no mesmo ambiente, o perfil @CompensadaJazz argumentou que nem seria preciso “virar” eleitor de Flávio: bastaria convencer dois ou três que votaram no senador “com nojinho” a anular, ou trazer para Lula quem anulou, votou em branco ou não compareceu. É comentário de rede, não dado eleitoral.

    Mais tarde, Ruas afirmou que fez contato e recebeu promessas de voto em Lula no segundo turno:

    A conta institucional é mais estreita. Com dois nomes no segundo turno, vence quem tiver a maioria dos votos válidos daquele dia. A distância a cobrir, na parcial, é de cerca de 2,2 milhões de votos, não de um voto por eleitor de Lula. O estoque disponível é outro: 39,4 milhões entre ausentes, brancos e nulos, mais os votos dados no primeiro turno a Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e demais, que juntos ficaram abaixo de 8% dos válidos.

    Esther Carvalho (@TheodorCarvalho) publicou outra cobrança, também na noite de domingo (4/out): “Lula tem que parar com esse discurso de educação, que fez muitas faculdades. Parar de falar de bolsa família, pé de meia etc. O povo não valoriza do que ele já usufrui. Lula tem que descer o cassete e falar dos crimes do Flávio miliciano.” O texto segue com acusações de ligação com milícia, pendências judiciais e o nome Vorcaro, e afirma que “expor isso não é fake news, é a verdade”.

    Respostas no fio divergiram. Parte concordou com o tom de confronto. Outra lembrou que programas de educação, como os CIEPs associados a Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, não garantiram vitória executiva. Houve também quem dissesse que eleitor de Flávio não muda de voto por denúncia, e quem tratasse o resultado como derrota definitiva de Lula. Nenhuma dessas falas é apuração oficial. Acusações criminais citadas por usuários não são, aqui, fato julgado.

    POR QUE ISSO IMPORTA PARA O BRASIL

    O segundo turno de 25 de outubro redefine só a Presidência e os governos que não se fecharam no domingo. Senado e Câmara já foram decididos em 4 de outubro. Para a Presidência, o eleitor que faltou continua apto. O que a Justiça Eleitoral não faz é transferir branco, nulo ou abstenção para ninguém.

    A campanha de Lula entra nas três semanas seguintes com duas tarefas distintas: reduzir a abstenção no próprio eleitorado e disputar uma fatia do bloco que recusou os dois nomes, ou que votou em terceiros. Tratar 39,4 milhões como “um voto por militante” simplifica um fosso de 2,2 milhões e um universo muito maior de gente que, até aqui, não entregou voto válido a nenhum dos finalistas. A soberania do voto, nesse desenho, depende menos do slogan e mais de quem voltar à seção em 25 de outubro.



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