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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    20 de setembro de 2026

    O piloto Mauro Mattosinho afirmou à Revista Fórum que Fabio Wajngarten entregou a Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, um berrante autografado por Sérgio Reis como presente de agradecimento em nome de Jair Bolsonaro. O relato, feito na sexta-feira (18/set), recoloca no debate eleitoral a proximidade entre política e alvos da Operação Carbono Oculto.

    IMPORTANTE: O episódio é uma denúncia do piloto, e não uma conclusão judicial de que Bolsonaro tenha determinado o presente.

    O QUE O PILOTO DISSE

    Mattosinho, candidato a deputado federal pelo PSB em São Paulo, deu entrevista ao programa Fórum Onze e Meia. Segundo a reportagem de Lucas Vasques, ele pilotava aeronaves usadas por Beto Louco e por Mohamad Hussein Mourad, o Primo, empresários do setor de combustíveis investigados no esquema associado pela acusação à lavagem de dinheiro do PCC.

    O piloto situou o episódio do berrante em novembro de 2024, em voo de São Paulo a Brasília. Disse que, no desembarque, permaneceram a bordo apenas Beto Louco e Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Bolsonaro.

    “O Fabio Wajngarten entregou para o Beto, em mãos, o que ele dizia ser um presente em agradecimento em nome do Jair Bolsonaro. Esse presente era um berrante autografado pelo Sérgio Reis, além do que, para mim, pareceu uma medalha do imbrochável”, declarou Mattosinho à Fórum.

    Ele afirmou ter achado estranho o envio de um “presente de agradecimento” por intermediário. E perguntou: “Por que será que o Bolsonaro estaria agradecendo? O Fabio Wajngarten, acho que poderia ajudar a esclarecer isso.”

    QUEM É BETO LOUCO

    Roberto Augusto Leme da Silva figura nas investigações da Operação Carbono Oculto como um dos principais articuladores financeiros de uma rede de fraudes fiscais e lavagem no setor de combustíveis. A CNN Brasil e o Ministério Público descreveram a dupla Beto Louco e Primo como alvos centrais de um esquema que teria movimentado dezenas de bilhões de reais.

    Na entrevista, Mattosinho afirmou que a Polícia Federal aponta Beto Louco como liderança da lavagem do PCC no mercado financeiro, “principalmente através de um fundo de investimentos chamado Reag”. Ele disse que o patrimônio sob gestão do fundo teria saltado de cerca de R3bilho~esem2018paraquaseR3bilho~esem2018paraquaseR 200 bilhões em 2022-2023. Esses números foram apresentados pelo piloto; não foram auditados de forma independente nesta matéria.

    O mesmo piloto ligou o fundo ao BK Bank, fintech desmontada em desdobramentos da Carbono Oculto, e afirmou que o banco pagava seu salário. Também associou transferências à Entre Investimentos, empresa citada em reportagens sobre o financiamento do filme Dark Horse. Essas conexões financeiras pertencem ao conjunto de investigações em curso e não comprovam, por si, a origem do berrante.

    ANTECEDENTES DA DENÚNCIA

    O site Folha Democrata, citado pela própria Fórum, já havia publicado trechos em que Mattosinho descreve foto de Beto Louco com o berrante e a frase “com os cumprimentos do presidente”, atribuída a Wajngarten. Em um desses relatos anteriores, o piloto situou um voo em 29 de agosto de 2024. A Fórum, na sexta-feira (18/set), usou novembro de 2024. A divergência de data permanece sem esclarecimento público do denunciante.

    Em dezembro de 2025, Carlito Neto, na Rede TVT, falou em trecho de depoimento à PF e em foto do encontro. O documento original desse depoimento não foi localizado em fonte primária aberta nesta apuração.

    Mattosinho construiu dossiê com horários de voos, encontros em Brasília e registros feitos, segundo ele, com óculos-câmera. Relatou ainda transporte de sacola que a PF, na Operação Compliance Zero, passou a tratar como suspeita de pagamento a Ciro Nogueira, e reuniões envolvendo Antonio Rueda e Davi Alcolumbre. Esses pontos ampliam o contexto político da fonte, mas são distintos do fato narrado sobre o berrante.

    O PILOTO E A CAMPANHA DE 2026

    A Folha de S.Paulo registrou em agosto que Mattosinho concorre a deputado federal pelo PSB de São Paulo após denunciar ligações entre empresários da Carbono Oculto e políticos. O TSE lista o candidato Mauro Mattosinho (PSB, 4084). A condição de candidato não anula o relato; impõe, porém, que o leitor separe testemunho, interesse eleitoral e prova judicial.

    Não foi localizada, nas fontes consultadas até sábado (19/set), resposta pública de Jair Bolsonaro, de Fabio Wajngarten, de Sérgio Reis ou da defesa de Beto Louco especificamente sobre o berrante.

    O QUE AS INVESTIGAÇÕES JÁ ESTABELECEM

    A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, mira fraudes, sonegação e lavagem no setor de combustíveis, com milhares de postos e empresas sob suspeita. Beto Louco e Primo chegaram a negociar delações. O Ministério Público de São Paulo rejeitou acordo com a dupla, segundo o Estadão e a Folha, por considerar as informações insuficientes e omissões sobre o PCC e políticos.

    A análise indica que o relato do piloto se encaixa num padrão já documentado de trânsito de alvos da operação por Brasília e pela Faria Lima. O que ainda não está comprovado em decisão judicial é o nexo direto entre Bolsonaro e o objeto entregue no avião.

    CONSEQUÊNCIAS E DESDOBRAMENTOS

    A publicação da Fórum ocorre no calendário eleitoral de 2026, quando o crime organizado, o financiamento de campanhas e as facções voltaram ao centro do debate, inclusive após movimentos internacionais para classificar o PCC como organização terrorista, tema já tratado pelo Urbs Magna.

    O próximo passo factual depende de confirmação documental: manifesto de voo, imagem do berrante com cadeia de custódia, depoimento formal de Wajngarten e eventual manifestação da Polícia Federal. Sem isso, permanece uma denúncia de testemunha ocular, grave o bastante para ser apurada e insuficiente para ser tratada como fato consumado.

    FAQ Rápido

    O que o piloto afirmou ter visto?
    Que, após um voo a Brasília, Fabio Wajngarten entregou a Beto Louco um berrante autografado por Sérgio Reis e um objeto que lhe pareceu uma medalha, dizendo tratar-se de presente de agradecimento em nome de Jair Bolsonaro.

    Por que o fato é relevante?
    Porque Beto Louco é alvo da Operação Carbono Oculto e é apontado em investigações como operador financeiro ligado a esquema associado ao PCC, enquanto Wajngarten foi chefe da Secom no governo Bolsonaro.

    O que pode acontecer agora?
    A denúncia pode ser confrontada com depoimentos, fotos e registros de voo já citados pelo piloto. Até sábado (19/set), não havia resposta pública localizada dos citados nem decisão judicial sobre o presente.

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