O jornalista Leonardo Sakamoto durante entrevista a seu homólogo Juca Kfouri, no Juca Kfouri Entrevista, exibido em 5fev2026, na Rede TV | Ao fundo, PMs com fuzis / Foto: Divulgação/4º BPM-I via TvT
Nova Esperança (PR) · 02 de abril de 2026
A Justiça condenou o Estado do Paraná a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais ao jornalista Leonardo Sakamoto, colunista do UOL.
A sentença, proferida pela juíza Ana Lúcia Penhabel, do Juizado Especial da Fazenda Pública de Nova Esperança (PR), reconhece que um erro da Polícia Civil paranaense inseriu ilegalmente o CPF de Sakamoto na ficha criminal de uma mulher condenada por homicídio.
O equívoco teve origem em outubro de 2017, em Nova Esperança, no norte do Paraná. A Polícia Civil registrou os dados do jornalista no processo de Mariana Rosa Soares, então com 19 anos.
Apesar de o Tribunal de Justiça do Paraná ter detectado e corrigido parcialmente a falha em 2020, o CPF de Sakamoto reapareceu em despachos posteriores e acabou incluído no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em 3 de junho de 2025, o sistema gerou um mandado de prisão nacional contra o colunista. No dia 7 de junho de 2025, enquanto seguia de casa para o trabalho em São Paulo, Sakamoto foi abordado duas vezes pela Polícia Militar de São Paulo.
Nas ruas da Consolação e da Avenida Duque de Caxias, agentes apontaram fuzis e pistolas, seguindo o protocolo para suspeitos de alta periculosidade.
O então secretário de Segurança Pública paulista, Guilherme Derrite, telefonou pessoalmente ao jornalista para confirmar a situação. Dias depois, o CNJ excluiu os dados errados.
A decisão da juíza Ana Lúcia Penhabel afirma que “a indevida vinculação da identificação do autor a mandado de prisão emitido contra terceira pessoa configura grave violação à sua dignidade, honra e liberdade”. O Estado do Paraná ainda pode recorrer.
O advogado de Sakamoto, Davi Tangerino, destacou a relevância simbólica da condenação. “A insegurança jornalística não será resolvida hoje ou amanhã, mas reconhecer é o primeiro passo para uma sociedade mais justa”, declarou.
O próprio jornalista afirmou: “A condenação é importante para que governos mostrem que, de fato, estão preocupados com a liberdade de imprensa. O caso mostra como é fácil colocar em risco a vida de um jornalista com apenas alguns dados e acesso ao sistema”.
O episódio, ocorrido enquanto Sakamoto fazia críticas públicas à condução da Lava Jato sediada no Paraná, ilustra como falhas no sistema judiciário podem comprometer a segurança de cidadãos e profissionais da imprensa.
A reparação reforça o princípio de que o Estado deve corrigir seus erros para preservar a democracia e os direitos humanos.

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Se não questionasse a lava jato nada teria acontecido, aí tem o dedo do juízo ladrão