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RESUMO
URBS MAGNA

| Brasília (DF)
26 de agosto de 2026

O ministro André Mendonça afirmou, em seminário de magistrados em São Paulo, que os dois primeiros anos no STF foram de “muita infelicidade” e que o cargo, descrito por ele como ápice jurídico, pesa mais como ônus do que como privilégio.

O trecho circula com força nas redes sociais desde segunda-feira (24/ago).

O encontro ocorreu na sexta-feira (21/ago), no auditório Ruy Barbosa, no campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A repercussão ocorre nas mídias e plataformas sociais.

“Os dois primeiros anos, não os três. Eu fiquei 3, mas os dois primeiros anos ali no tribunal foram períodos de muita infelicidade para mim”, disse o ministro do STF.

Em seguida, fechou o raciocínio: “Ou seja, se aquilo fosse um ideal de vida, eu teria que deixar no dia seguinte.”

O ministro, indicado em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) e empossado em 16 de dezembro daquele ano no lugar de Marco Aurélio Mello, disse que o peso não ficou no passado.

“E mesmo hoje podem ter certeza. É muito mais o ônus e a responsabilidade do que qualquer outra coisa”, disse para a plateia, onde também estava sua mulher.

“Minha esposa está aqui, sabe as limitações pessoais. As pressões, os momentos difíceis em que muitas das vezes você até coloca Deus. Eu queria ter uma vida mais normal, vamos dizer assim, num ato até humano de pedido de misericórdia e ajuda de Deus para os desafios”, afirmou.

A advertência final foi dirigida aos magistrados evangélicos e, por extensão, a quem trata a toga como destino pessoal.

“Mas na essência, o que que eu quero dizer pra vocês: não coloque seu coração no poder. Não coloque seu coração no dinheiro que você vai se frustrar. Se esse for o seu propósito, ouçam uma experiência de quem poderia dizer: cheguei ao ápice do poder na Justiça, você vai se frustrar.”, afirmou.

O ministro também reconheceu que chegar ao Supremo é chegar ao máximo do poder humano, em termos jurídicos pelo menos.

O contraste entre “ápice” e “infelicidade” não anula a função pública da Corte. Expõe, isso sim, o risco democrático de confundir cadeira com realização pessoal.

Uma Suprema Corte existe para aplicar a Constituição com imparcialidade, não para devolver ao ocupante uma biografia sem atrito.

Quando o próprio ministro admite sobrecarga “sobre-humana”, o debate correto deixa de ser o conforto do gabinete e passa a ser o dever de prestar contas à sociedade.

Em fevereiro de 2026, o ministro assumiu o caso Master após Dias Toffoli pedir a redistribuição; em março, determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro.

No mesmo seminário, o ministro falou de remuneração. Disse que juiz “não pode ter a pretensão de ficar rico”, porque o salário, “ainda que seja um bom”, exige controle diário de despesa.

Classificou o padrão como “condição média”, “muito acima da média da condição brasileira”, e situou a categoria numa “classe B”.

O salário-base de um ministro do Supremo é de R$ 46.366,19.

Mendonça é pastor presbiteriano e, na sabatina de 2021, resumiu a fronteira que dizia pretender guardar: “Na vida, a Bíblia; no Supremo, a Constituição”, trecho recuperado pelo Correio Braziliense.



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1 comentário em “‘Infeliz’: Mendonça diz que chegou ‘ao ápice do poder’ querendo ‘uma vida mais normal’ (vídeo)”

  1. Só que entre o discurso e a prática, como Ministro, tem tido uma diferença, que é a imparcialidade, na prática da Constituição.

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