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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    22 de setembro de 2026

    O ministro André Mendonça voou em agosto de 2025 em helicóptero de empresa ligada a Lucas Kallas, ex-parceiro de Daniel Vorcaro, para evento em Itabira. A mesma holding aportou R$ 5,2 milhões no Instituto Iter, fundado pelo magistrado.

    A informação foi publicada nesta terça-feira (22/set) pela coluna de Daniela Lima no UOL. O deslocamento ocorreu em 4 de agosto de 2025, quando Mendonça participou da I Jornada Jurídica de Itabira, promovida pela 52ª Subseção da OAB e pelo Sindicato Metabase.

    O voo saiu do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com destino a Itabira. Segundo a reportagem, o ministro embarcou em hangar operado por empresa do grupo Cedro Participações. O helicóptero tem prefixo vinculado à Extrativa Mineral, companhia adquirida pela Cedro em 2020.

    Além da aeronave, a coluna afirma que todo o trajeto, de Belo Horizonte a Itabira, foi organizado pelo grupo.

    O FATO E O CONTEXTO COM A CEDRO

    Lucas Kallas, empresário mineiro à frente da Cedro Participações, é descrito nas apurações como ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A Cedro atua em mineração, agronegócio e logística.

    Cinco dias antes, o próprio UOL revelou que a holding firmou em abril de 2024 um contrato de mútuo conversível com o Instituto Iter, fundado por Mendonça. Do valor previsto de R5,9milho~es,R5,9milho~es,R 5,2 milhões chegaram à entidade. Os repasses foram interrompidos em janeiro de 2026, e o instituto iniciou a devolução. Em fevereiro, Mendonça foi sorteado relator das investigações do Master no STF. Em setembro, deixou a sociedade do Iter.

    A Cedro afirmou, na ocasião do aporte, que Vorcaro “jamais teve qualquer relação societária ou vínculo empresarial com os negócios da Cedro Participações ou de suas controladas”. Disse ainda que participação em companhias de capital aberto, nas quais também figuram fundos e instituições como BNDES e BDMG, “não configura sociedade comercial”.

    O QUE DIZEM O GABINETE E A EMPRESA

    A assessoria de Mendonça informou que o ministro participou do evento a convite, “de natureza estritamente acadêmica e institucional, sem qualquer remuneração, cachê ou pagamento de honorários”. Segundo o gabinete, “toda a logística de deslocamento ficou a cargo da organização do evento” e o ministro “não participou da definição, da escolha ou da contratação dos fornecedores envolvidos”.

    A Cedro, em nota reproduzida pelo UOL, afirmou que disponibilizou a aeronave “a pedido da OAB-MG e do Sindicato Metabase” para uso da organização da jornada. “O helicóptero foi utilizado para o transporte de participantes do evento, cuja lista fora definida pelos organizadores. A Cedro não teve responsabilidade ou interferência no planejamento e na execução do evento.”

    COMUNICAÇÃO AO AEROPORTO

    Comunicações à autoridade aeroportuária da Pampulha, obtidas pela coluna, mostram e-mail de 3 de agosto de 2025, de conta vinculada à Cedro Aviações, avisando o desembarque de uma autoridade no dia seguinte e pedindo expediente especial de vistoria e escolta por se tratar de figura de “relevância pública”.

    O comunicado foi encaminhado à Polícia Federal. O órgão não identificou pedido formal de autoridade para apoio no aeroporto e determinou procedimento padrão. No dia 4, o passageiro identificado foi André Mendonça.

    Houve ainda pedido para que os carros da escolta entrassem sem parada na guarita e sem baixar os vidros das viaturas.

    ANTECEDENTES

    A I Jornada Jurídica de Itabira ocorreu nos dias 4 e 5 de agosto de 2025, no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. Mendonça palestrou sobre “Trabalho Decente e Liderança”. A presença do ministro havia sido anunciada em julho pelos organizadores locais.

    O episódio se insere na sequência de revelações sobre contatos, voos e relações financeiras envolvendo o entorno do Banco Master e ministros do STF. Mendonça é o atual relator das investigações na Corte. O voo de Itabira antecedeu em meses a assunção da relatoria.

    A análise indica que o conjunto de informações — aporte da Cedro no Iter, parceria comercial anterior entre Kallas e o entorno de Vorcaro, e o uso da aeronave do grupo no deslocamento do ministro — amplia o escrutínio sobre os elos entre o magistrado, o instituto que fundou e empresários ligados ao caso Master. Não há, nas fontes localizadas, decisão judicial que qualifique o voo como irregular.

    FAQ Rápido

    O que aconteceu?
    André Mendonça voou em 4 de agosto de 2025, de Belo Horizonte a Itabira, em helicóptero vinculado à Extrativa Mineral, empresa do grupo Cedro Participações, de Lucas Kallas, para participar da Jornada Jurídica organizada pela OAB local e pelo Sindicato Metabase.

    Por que o fato é relevante?
    A mesma Cedro aportou R$ 5,2 milhões no Instituto Iter, fundado por Mendonça, e Kallas é apontado como ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, alvo das investigações do Banco Master das quais o ministro é relator.

    O que dizem as partes?
    O gabinete afirma que a logística ficou a cargo dos organizadores e que a participação foi acadêmica e sem remuneração. A Cedro diz ter cedido a aeronave a pedido da OAB-MG e do Metabase, sem interferir no evento.

     



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