Brasília (DF)
15 de outubro de 2026
O ator Marcos Palmeira publicou vídeo dirigido a moradores do interior da Amazônia pedindo que enfrentem as dificuldades de deslocamento e votem no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
O QUE O VÍDEO DE MARCOS PALMEIRA DIZ?
No material, reproduzido por contas como a da TV Forte e amplamente compartilhado no X, Palmeira afirma que acompanha com preocupação as notícias de chuvas que não chegam como antes, ouriços de castanha que não crescem e igarapés que quase secam. Ele reconhece que muitos não conseguiram votar no primeiro turno porque ir até a cidade custa tempo, dinheiro, comida e trabalho.
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“A gente precisa que a voz de cada brasileiro que mantém essa floresta em pé chegue às urnas”, diz o ator. Ele convoca um mutirão, pede ajuda a parentes da cidade e sugere que amigos dividam a gasolina. “Nós somos muitos e juntos somos fortes. Vamos vencer mais essa luta juntos.” O vídeo termina com a chamada “Bora votar! Bora!” e a data de 25 de outubro.
O apelo não nomeia candidatos explicitamente, mas ocorre no contexto da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
QUAL A NOTÍCIA SOBRE AMEAÇAS DE INVASÃO?
Reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em torno de 12 de outubro, reuniu oito áudios e relatos segundo os quais fazendeiros e pecuaristas do sudeste do Pará ameaçam invadir a Terra Indígena Apyterewa, onde vivem os Parakanã, caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno.
As mensagens indicam planos de ingresso no território a partir do dia 25 de outubro, com expectativa de que uma eventual vitória de Flávio e a posse do governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), resultem na retirada da área dos indígenas e na entrega a produtores rurais. O material chegou aos órgãos de inteligência do governo federal. O Ministério dos Povos Indígenas informou que monitora o aumento da pressão e deliberou medidas de reforço de segurança. A região tem histórico de conflitos e de desmatamento elevado durante o governo de Jair Bolsonaro.
IMPORTANTE: Os áudios e relatos foram obtidos e publicados pela Folha. Não constituem declaração oficial da campanha de Flávio Bolsonaro. A reportagem registra que a campanha não respondeu ao pedido de posicionamento do jornal no momento da publicação. O governo federal afirma monitorar a situação.
COMO VOTARAM ÁREAS INDÍGENAS E A AMAZÔNIA?
Levantamento da CNN Brasil com dados do TSE mostrou que Lula recebeu 82,93% dos votos válidos em aldeias e terras indígenas no primeiro turno, vencendo em 493 dos 542 locais de votação. Flávio venceu em 48 desses locais, mais da metade deles em Roraima.
Na Amazônia Legal como um todo, mapeamentos do site Sumaúma indicam que Lula venceu na maioria dos municípios (cerca de 425), mas Flávio liderou em oito dos dez municípios com maiores índices de desmatamento recente, segundo reportagens de O Globo e ClimaInfo.
A análise aponta que o vídeo de Palmeira se insere no esforço de mobilizar o eleitorado de difícil acesso da floresta exatamente no momento em que reportagens documentam ameaças concretas de invasão territorial vinculadas à expectativa eleitoral. A questão das terras indígenas permanece central na disputa: enquanto Lula retomou demarcações e criou o Ministério dos Povos Indígenas, Flávio já afirmou publicamente que, se depender de seu governo, nenhuma nova reserva será demarcada.
FAQ Rápido
Marcos Palmeira nomeia Flávio ou as ameaças de invasão no vídeo?
Não. O vídeo foca nas dificuldades logísticas e climáticas para votar e na importância da voz de quem mantém a floresta em pé. A conexão com as ameaças vem do contexto noticioso e dos posts que compartilham o material.
O que é a Terra Indígena Apyterewa?
Território no Pará habitado pelos Parakanã, com histórico de invasões e desmatamento. Foi palco de construção de uma vila por pecuaristas durante o governo anterior e é objeto dos áudios citados pela Folha.
As ameaças foram confirmadas oficialmente?
A Folha publicou os áudios e relatos. O governo federal afirma que os órgãos de inteligência conhecem o material e que a situação é monitorada, com reforço de segurança deliberado.
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