Novo artigo nesta segunda-feira reformula trechos centrais de sua apuração sobre o ministro e a instituição financeira, após três jornalistas apontarem inconsistências em sua matéria

Brasília (DF) · segunda-feira, 29 de dezembro 2025
A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, apresentou nesta segunda-feira (29/dez) um novo artigo que reformula trechos centrais de sua apuração sobre o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master.
A mudança de tom ocorre após semanas de alta tensão e cobranças por provas materiais que sustentassem a tese de interferência direta do magistrado no Banco Central (BC).
O “Recuo”: A Comparação de Narrativas
A principal alteração na cobertura da jornalista reside na qualificação das interações entre o ministro e o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
| Ponto de Comparação | Narrativa Inicial (22 a 28 de Dezembro) | Narrativa Atual (29 de Dezembro) |
|---|---|---|
| Natureza do Contato | Afirmava que Moraes exerceu “pressão” sobre Galípolo em favor do Banco Master. | Admite que não houve “pressão” direta ou coação institucional. |
| Frequência e Meios | Relatava ao menos quatro contatos (três por telefone e um presencial) para interceder pelo banco. | Passa a descrever as interações como “pedidos” ou “consultas” informais sobre o andamento dos negócios. |
| Postura do Ministro | Sugeria uma atuação voltada a beneficiar o banqueiro Daniel Vorcaro, cliente do escritório da esposa do ministro. | Reconhece que, ao ser informado sobre fraudes bilionárias, o ministro se posicionou a favor da investigação. |
Contexto e Repercussão
O caso ganhou tração após a revelação de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro.
Enquanto as notas oficiais de Moraes e do Banco Central sustentavam que os encontros tratavam apenas da Lei Magnitsky — sanções americanas que afetaram o ministro meses antes —, Malu Gaspar inicialmente contestou essa versão, afirmando que suas fontes indicavam pautas distintas.
A modulação no discurso da jornalista no dia 29 de dezembro foi recebida por setores da mídia como um ajuste estratégico diante da ausência de registros oficiais de telefonemas ou reuniões que comprovassem a tese de “pressão”.
Apesar do recuo no uso de termos mais graves, a colunista mantém a informação de que os contatos ocorreram, alimentando o debate sobre os limites éticos das interações entre membros do Judiciário e órgãos reguladores.
No Congresso, a oposição ainda avalia se os “pedidos” agora admitidos pela jornalista são suficientes para sustentar os pedidos de impeachment protocolados na última semana.
Ao menos três jornalistas de peso desmentiram Gaspar
Essa modulação no discurso de Malu Gaspar foi interpretada por diversos observadores como um ajuste estratégico diante da ausência de registros oficiais de telefonemas ou reuniões que comprovassem a tese inicial de “pressão“.
O recuo veio após intensa polêmica desencadeada por suas reportagens anteriores, incluindo críticas contundentes de jornalistas que questionaram a solidez das fontes anônimas e o enquadramento dos fatos.
Entre as vozes críticas destacam-se:
Daniela Lima, que desmontou a narrativa de pressão, afirmando que o foco central das conversas era a Lei Magnitsky (sanções americanas que afetaram Moraes e sua família), com o Banco Master mencionado apenas como exemplo prático em um contexto mais amplo de fluxos ilícitos. Lima classificou como “leviano” sugerir coação institucional e destacou que reuniões envolveram múltiplas instituições financeiras, não lobby privado.
Eduardo Guimarães, que rebateu as alegações sobre o contrato de R$ 129 milhões entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master, qualificando-as como “ficção factual” baseada em rascunho sem validade jurídica. Ele criticou o que chamou de “mau jornalismo” e defendeu que não há provas de pressões ou blindagem, alinhando-se às notas oficiais de Galípolo e da PF.
Esmael Morais, que contextualizou a cobertura como parte de um ataque coordenado da “velha mídia corporativa” e da Faria Lima contra Moraes, motivado por sua atuação firme em condenações relacionadas ao 8 de janeiro e investigações que expõem práticas do setor financeiro.
Contexto e Repercussão
O caso ganhou tração após a revelação de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro.
Enquanto as notas oficiais de Moraes e do Banco Central sustentavam que os encontros tratavam apenas da Lei Magnitsky, Malu Gaspar inicialmente contestou essa versão com base em fontes anônimas.
Apesar do recuo no uso de termos mais graves, a colunista mantém a informação de que contatos ocorreram e menciona o contrato, alimentando o debate sobre os limites éticos das interações entre membros do Judiciário e órgãos reguladores.
No Congresso, a oposição ainda avalia se os “pedidos” agora admitidos são suficientes para sustentar os pedidos de impeachment protocolados na última semana, embora a falta de provas concretas de irregularidades tenha enfraquecido o ímpeto inicial.

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