Jussara Bonfim da Silva sendo imobilizada e algemada pela Polícia Militar na Avenida Paulista, na frente da filha de 5 anos, enquanto chora e grita por socorro. Imagem capturada do vídeo viralizado, sexta-feira (10/abr). Reprodução de redes sociais
São Paulo (SP) · 15 de abril de 2026
O vídeo de uma mãe algemada pela Polícia Militar de São Paulo na Avenida Paulista enquanto a filha de 5 anos chorava ao lado tornou-se o conteúdo mais compartilhado no WhatsApp nos últimos dias.
O caso, ocorrido na sexta-feira (10/abr), expõe tensões entre o exercício da segurança pública e o respeito à dignidade de trabalhadores, especialmente mães.
Jussara Bonfim da Silva, auxiliar de limpeza, dirigiu-se ao escritório localizado no número 1776 da Avenida Paulista, bairro Bela Vista, para cobrar R$ 350 referentes a quatro dias de serviço prestado.
🔵A MILITÂNCIA PIRA NESSES CASOS
— Pasquim do Saci (@pasquimdosaci) April 13, 2026
Uma diarista foi detida por policiais militares na Av. Paulista, em São Paulo, na sexta-feira (10), enquanto estava acompanhada da filha de 7 anos. A mulher foi identificada como Jussara Bonfim Silva. Segundo relatos divulgados após o caso, ela… pic.twitter.com/vdPA2EUrer
Conforme relato reproduzido pelo Folha de S.Paulo, ela assinou o documento de rescisão, mas a secretária informou que não haveria pagamento. “Trabalhei na empresa, fiquei quatro dias e pedi as contas. Falaram que era para eu receber, e por isso fui chamada lá. Quando eu cheguei lá, eu assinei o papel e a moça falou que não podia me pagar. Eu fiquei nervosa, chutei a porta”, declarou a trabalhadora.
A empresa acionou a Polícia Militar, que atendeu ocorrência por dano e ameaça. Segundo o boletim registrado no 78º Distrito Policial, Jussara Bonfim da Silva resistiu à abordagem, o que levou os agentes a imobilizá-la, algemá-la e colocá-la na viatura. Imagens registradas por testemunhas mostram a cena: a mulher contida no chão e a criança pequena ao lado, em prantos.
A corporação informou que as algemas foram retiradas assim que ela se acalmou no interior do veículo.A diarista afirmou sentir-se “humilhada” e anunciou processo contra o Estado.
O episódio ganhou dimensão nacional com a entrada de Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Nesta quarta-feira (15/abr), ele recebe Jussara Bonfim da Silva em seu gabinete no Palácio do Planalto para tratar do caso, conforme colunista Mônica Bergamo no Folha de S.Paulo.
O ministro articulou ainda encontro com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho para discutir indenização por danos morais contra a Polícia Militar e questões laborais.
Entidades ligadas a direitos humanos acompanham o desenrolar. A deputada estadual Ediane Maria (PSOL) protocolou pedido de investigação junto à Secretaria de Segurança Pública e à ouvidoria das polícias, classificando a ação como desmedida.
O caso reacende o debate sobre o equilíbrio entre ordem pública e proteção à maternidade e aos direitos dos trabalhadores, especialmente em contextos de cobrança legítima de salários.
Sob o governo de Tarcísio de Freitas, episódios como este alimentam discussões sobre os limites da atuação policial e o fortalecimento de mecanismos de justiça social.
A sociedade brasileira, ao valorizar a democracia, cobra que o Estado aja com proporcionalidade, evitando que a busca por violência estatal desnecessária comprometa a confiança nas instituições.
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