| Brasília (DF)
07 de setembro de 2026
O Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou nesta segunda-feira (07/set) do desfile cívico-militar do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ao lado da Primeira-Dama do Brasil e socióloga Rosângela Lula Silva (PT) e dos chefes dos Três Poderes.
A presença completa a 12ª participação do petista como presidente na celebração da Independência na capital federal, marca isolada na história de Brasília.
O que aconteceu no desfile desta segunda-feira (07/set)?
Lula e Janja da Silva abriram o percurso em carro aberto — o Rolls-Royce presidencial — pela Esplanada, antes de seguir à tribuna de honra. A chegada ocorreu por volta das 9h10.
O presidente foi recebido pelo ministro da Defesa, José Múcio, e pelos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Parte do público saudou o casal com o coro “olê olá, Lula” e com pedidos pelo fim da escala 6×1.
Na tribuna, acompanharam a cerimônia o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Ministros do governo também ocuparam o palanque, entre eles Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Wellington Lima e Silva (Justiça), José Múcio (Defesa), Jorge Messias (AGU), Alexandre Padilha (Saúde) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social). O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, igualmente esteve na tribuna.
Quais foram os eixos do desfile de 2026?
A programação, que durou cerca de duas horas, organizou-se em três eixos:
- Soberania, a força que une o Brasil;
- Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres;
- A Copa do Mundo Feminina 2027 é no Brasil.
Estudantes de escolas públicas desfilaram com as bandeiras das 27 unidades da Federação. Em seguida passaram as tropas a pé das Forças Armadas, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, o desfile motorizado, a pirâmide humana do Batalhão de Polícia do Exército, o desfile hipomóvel e a apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Um momento emocionante foi o salto de paraquedistas das Forças Armadas com a bandeira nacional.
O governo homenageou pioneiras do futebol feminino brasileiro, entre elas Miraildes Maciel Mota, a Formiga. O mote visível na Esplanada foi “A Força que Une o Brasil”.
Lula não discursou no palanque, decisão alinhada ao período eleitoral. Na véspera, em pronunciamento em rede nacional autorizado pelo TSE, o presidente afirmou: “Não somos, e não seremos colônia de ninguém”. No mesmo texto, ligou a Independência à capacidade de o trabalhador ter “mais tempo para si mesmo e para a sua família”.
Ao fim da parada, o presidente desceu da tribuna e cumprimentou parte do público nas arquibancadas.
Por que a 12ª participação de Lula é um recorde em Brasília?
Em 2023, ano em que assumiu seu terceiro mandato presidencial, Lula registrou o nono desfile como presidente — oito entre 2003 e 2010 e o primeiro do terceiro mandato. Com a cerimônia desta segunda-feira (07/set), a série chega a 12 presenças na capital.
Nenhum outro presidente superou essa marca nos desfiles realizados em Brasília:
- João Figueiredo: 6 vezes (1979 a 1985);
- Fernando Henrique Cardoso: 8 vezes (1995 a 2002);
- Luiz Inácio Lula da Silva: 12 vezes (2003–2010 e 2023–2026).
IMPORTANTE: O recorde de 12 participações vale para as comemorações do 7 de Setembro realizadas em Brasília. Não se confunde com o tempo total de governo na história do país, nem com desfiles ocorridos no Rio de Janeiro quando aquela cidade era a capital.
Getúlio Vargas presidiu a Independência, mas nunca em Brasília
Getúlio Vargas governou o Brasil em dois períodos — de 3 de novembro de 1930 a 29 de outubro de 1945 e de 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954 —, cerca de 18 anos e meio no cargo. Presidiu os desfiles da Independência no Rio de Janeiro, então capital da República. Morreu em 1954, seis anos antes da inauguração de Brasília. Por isso, jamais comandou a cerimônia na Esplanada.
Se a conta considerar todas as capitais e toda a história republicana, o tempo de Vargas o colocaria no topo do exercício do mandato. Restrito à capital federal, o quadro muda: Lula passa a ser, de forma isolada, o presidente que mais vezes liderou o rito cívico-militar da Independência.
Os cinco mandatários com mais tempo no cargo, somados todos os períodos, seguem nesta ordem aproximada: Getúlio Vargas (cerca de 18 anos e meio), Luiz Inácio Lula da Silva (mais de 11 anos e meio, incluído o mandato em curso), Fernando Henrique Cardoso (8 anos), João Figueiredo (6 anos) e Dilma Rousseff (cerca de 5 anos e 8 meses). Tempo de governo e número de desfiles em Brasília são grandezas distintas.
A 12ª presença de Lula na Esplanada consolida uma continuidade institucional rara: o mesmo chefe de Estado atravessa duas eras democráticas e volta a ocupar, na capital planejada, o lugar ritual da Independência. O paralelo com Vargas serve para medir a diferença entre longevidade no poder e o palco específico de Brasília, inaugurada em 1960.
A escolha dos eixos — soberania, proteção de meninas e mulheres e a Copa Feminina de 2027, primeira na América do Sul — articula memória cívica com políticas públicas em curso.
A reunião dos presidentes dos Três Poderes na mesma tribuna, no feriado que celebra a ruptura com o estatuto colonial, reforça a leitura de que a Independência se renova quando Executivo, Legislativo e Judiciário compartilham o mesmo espaço público.
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