| Brasília (DF)
🔴07 de setembro de 2026
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou o pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na noite deste domingo (6/set), véspera do 7 de Setembro, para apresentar a soberania nacional como condição para a independência do Brasil.
Em uma fala de 3 minutos e 43 segundos, Lula afirmou que o país não deve se submeter a interesses estrangeiros e declarou que “não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”.
Ao iniciar a mensagem, Lula ampliou o significado histórico da Independência para além do episódio protagonizado por Dom Pedro I às margens do rio Ipiranga.
Segundo o Presidente, a construção da independência brasileira envolveu homens e mulheres que lutaram contra a tirania, a escravidão e a injustiça social.
Ele citou personagens históricos como Tiradentes, Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica e afirmou que defender a Independência significa, atualmente, defender a soberania e a democracia.
Riquezas brasileiras devem gerar desenvolvimento:
Um dos principais pontos do pronunciamento foi a defesa do controle brasileiro sobre os recursos naturais. Lula destacou que o país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, uma das maiores reservas de água doce e mencionou a descoberta recente de uma nova reserva de petróleo.
Na avaliação apresentada pelo Presidente, essas riquezas devem ser utilizadas para produzir desenvolvimento econômico e melhorar as condições de vida da população brasileira.
Lula também mencionou a aprovação, pelo Congresso Nacional, do marco legal relacionado aos minerais críticos e às terras raras. Segundo ele, a exploração desses recursos deve permitir ao país avançar na produção de tecnologia de ponta e na geração de empregos de qualidade.
A defesa dos recursos estratégicos aparece em um momento de forte disputa internacional por minerais considerados essenciais para setores tecnológicos e para a transição energética.
Recado às potências estrangeiras:
A defesa da soberania ganhou tom mais contundente quando Lula afirmou que o Brasil não pode “baixar a cabeça” diante de potências estrangeiras interessadas em transformar novamente o país em uma colônia.
Sem citar diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, o presidente afirmou que nenhuma potência deve determinar os rumos do Brasil.
A mensagem também abordou as relações comerciais. Lula defendeu o livre comércio e afirmou que nenhum governante estrangeiro tem o direito de decidir de quem o Brasil pode comprar ou para quem pode vender.
A declaração ocorre em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e às discussões sobre tarifas impostas a produtos brasileiros. O tema da soberania passou a ocupar espaço recorrente no discurso de Lula diante das pressões externas.
Independência também é qualidade de vida:
Lula também apresentou uma definição mais ampla de soberania. Para o Presidente, um país soberano não é apenas aquele capaz de proteger seu território, suas fronteiras e seus recursos naturais, mas também aquele que consegue criar oportunidades para que sua população conquiste autonomia.
Nesse trecho, ele associou a independência nacional à independência financeira, ao acesso à educação, à liberdade de escolher profissão e emprego e à possibilidade de ter mais tempo para si e para a família.
O Presidente também mencionou o direito constitucional à saúde pública e à educação gratuita e defendeu um país livre da fome, da pobreza e de outras formas de dificuldade, com direitos assegurados a todos.
A abordagem deslocou parte do discurso da geopolítica para a vida cotidiana, estabelecendo uma relação entre soberania do Estado e autonomia dos cidadãos.
Meio ambiente e paz mundial
Na parte final, Lula destacou a posição brasileira em defesa da paz e da harmonia entre as nações. Também afirmou que o Brasil trabalha pelo livre comércio e pela autonomia de suas decisões.
O presidente ainda exaltou a biodiversidade da Amazônia, a riqueza cultural brasileira e a atuação do país na defesa do meio ambiente.
Lula apresentou o Brasil como referência na transição energética e no enfrentamento da emergência climática, classificando o problema ambiental como uma ameaça ao futuro da humanidade.
Ao encerrar, o presidente voltou-se ao povo brasileiro, que classificou como “extraordinário” e “um dos mais admirados em todo o planeta”.
Um pronunciamento com forte ênfase na soberania
A mensagem de 7 de Setembro foi autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o período eleitoral. O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, considerou que a transmissão tinha interesse público e não apresentava caráter eleitoral.
A Advocacia-Geral da União (AGU) também se manifestou favoravelmente à veiculação.
O conteúdo, entretanto, dialoga diretamente com um dos principais temas políticos do governo Lula em 2026: a defesa da soberania brasileira diante de pressões internacionais.
Ao transformar a Independência em uma discussão sobre controle dos recursos naturais, comércio exterior, desenvolvimento tecnológico, democracia e condições de vida, Lula apresentou a ideia de que a autonomia brasileira não se limita à independência política conquistada no século XIX.
A mensagem central do pronunciamento foi condensada pelo próprio Presidente em uma frase dirigida às potências estrangeiras: o Brasil não deve baixar a cabeça e não voltará a ser colônia de ninguém.
🔴06 de setembro de 2026
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará neste domingo (6/set), daqui a pouco, às 20h30, um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão sobre o 7 de Setembro. O texto, de 3 minutos e 43 segundos, foi autorizado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, a pedido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
A autorização interessa porque o país está nos três meses anteriores às eleições de outubro, período em que a publicidade institucional de agentes públicos sofre restrições da legislação eleitoral. Sem o crivo da Justiça Eleitoral, a mensagem oficial não iria ao ar.
O que aconteceu?
Na sexta-feira (4/set), Nunes Marques autorizou a veiculação da peça gravada no Palácio da Alvorada. Segundo o G1 e o Valor Econômico, o ministro considerou a divulgação de interesse público.
O presidente da Corte escreveu que a data “integra o calendário oficial brasileiro e possui significado histórico e institucional autônomo em relação às funções de governo e, especialmente, às atribuições institucionais de Chefia de Estado”.
A Secom pediu autorização para “dirigir mensagem oficial à população brasileira acerca do significado da Independência do Brasil, da unidade do País e de valores permanentes do Estado brasileiro, em manifestação de caráter cívico, histórico e institucional”, conforme reproduziram o G1 e a CBN.
Neste domingo (6/set), o próprio presidente confirmou o horário no X: “Logo mais, às 20h30, farei um pronunciamento à nação. O 7 de Setembro é uma data para reafirmarmos a nossa soberania e celebrarmos a independência do Brasil.” A publicação está em @LulaOficial.
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Por que o TSE precisou autorizar o texto?
A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) restringe publicidade institucional nos três meses que antecedem o pleito. Há exceção quando a Justiça Eleitoral autoriza pronunciamento em cadeia de rádio e TV, em matéria considerada relevante e própria das funções de governo.
O Valor Econômico informou que o pedido da Secom citou o artigo 73 dessa lei e afirmou que a mensagem não teria “finalidade de divulgação de programas, obras, serviços ou resultados da Administração”. O caso chegou a ser relatado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques e foi redistribuído ao presidente da Corte.
Nunes Marques concluiu que não via “intenção de índole eleitoreira nem de promoção do atual governo federal” e que a veiculação se adequava ao § 1º do artigo 37 da Constituição, que veda publicidade capaz de configurar uso abusivo da máquina pública. O Estadão e o R7 registraram o mesmo fundamento. O R7 acrescentou que a redação final foi submetida ao presidente do TSE e mantida em tom formal.
IMPORTANTE: A autorização do TSE não transforma o pronunciamento em horário eleitoral nem em peça de campanha. O ministro afirmou que o conteúdo apresentado não tinha finalidade eleitoral. A decisão vale para esta mensagem institucional de 3min43s, veiculada em cadeia nacional. Publicações de campanha do presidente em redes sociais seguem regime jurídico distinto e não se confundem com o texto autorizado para rádio e TV.
O que o pronunciamento vai dizer?
O texto protocolado pela Secom e reproduzido pela CNN Brasil, pelo G1, por O Globo e pela Folha de S.Paulo tem como eixo a soberania e o controle nacional sobre recursos estratégicos.
Lula afirma que defender a independência é defender “nossa soberania e nossa democracia” e que “mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso”. Cita a segunda maior reserva de terras raras do mundo, a maior fonte de água doce e “uma nova e rica reserva de petróleo” descoberta no último mês — referência, segundo a CNN e o Correio Braziliense, à descoberta da Petrobras na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, no Amapá.
O texto liga esses recursos ao marco legal dos minerais críticos aprovado no Congresso Nacional, para transformar reservas em desenvolvimento, tecnologia e emprego no país. A Folha registrou que a norma prevê incentivos fiscais e conselho com poder de veto a parcerias internacionais.
O trecho mais repetido pelas redações é este: “Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos, e não seremos colônia de ninguém.”
Há ainda defesa explícita do livre-comércio: “Nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém.” G1, CBN, Valor e O Globo trataram a formulação como crítica indireta ao tarifaço dos Estados Unidos. O nome de Donald Trump não consta do texto submetido ao TSE.
A mensagem também associa independência a direitos previstos na Constituição: saúde pública, educação gratuita, tempo para a família e um país “livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade”. Fecha com menções à Amazônia, à biodiversidade, à transição energética e à bênção a um “feliz Dia da Independência”.
O recado nas redes é outro texto
Horas antes do anúncio das 20h30, Lula publicou vídeo de campanha no X associando o 7 de Setembro ao voto de outubro: “esse ano o seu voto define se teremos um Brasil que se levanta para proteger a nação ou um país que se apequena para outros países”.
O Correio Braziliense e a Veja distinguiram essa peça — que contrapõe falas de Flávio Bolsonaro e trata de tarifas, Pix e “traidores da pátria” — do pronunciamento institucional autorizado pelo TSE.
Análise
A distinção importa para o leitor: o texto da cadeia nacional foi filtrado para não configurar promoção de governo ou campanha; o material de rede social circula no terreno eleitoral e não substitui a mensagem de 3min43s.
Antecedentes e o que vem depois
Lula fez pronunciamento de 7 de Setembro em todos os anos deste mandato, segundo a CNN Brasil. Em 2026, a equipe consultou o TSE precisamente porque o calendário eleitoral apertou a regra.
A mesma CNN lembrou o contraste com 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro usou a data para ato na Esplanada dos Ministérios depois tratado pela Justiça Eleitoral como campanha. Nesta segunda-feira (7/set), Lula deve participar do desfile cívico-militar em Brasília, conforme o R7.
O mote da soberania sobre minerais e comércio exterior já vinha sendo usado pelo governo em foros internacionais e em medidas como o Plano Brasil Soberano. O pronunciamento de hoje recoloca esse eixo no feriado da Independência, sob supervisão da Justiça Eleitoral.
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