ARRASTE 0%
Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo
    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    30 de setembro de 2026

    OPresidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (30/set) que Flávio Bolsonaro “não tem biografia”, “nunca trabalhou na vida” e chegou à política aos 21 anos “já apoiado pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelos milicianos”. A declaração, feita a comunicadores digitais a quatro dias do primeiro turno, reabre o debate sobre o que o candidato do PL tem a oferecer e sobre os elos históricos da família com milícias no estado.

    O QUE LULA DISSE SOBRE FLÁVIO?

    A fala surgiu quando o historiador Kenge, do canal Normose, perguntou como dialogar com jovens capturados pela extrema direita. Lula respondeu que parte dessa juventude está sendo “despolitizada”, lembrou a própria rebeldia aos 23 anos e, em seguida, passou da educação ao voto conservador de diplomas universitários.

    “Você já reparou que quanto mais as pessoas são graduadas, mais elas são conservadoras? Você não fica com pena disso? Eu, quando vejo um cara com diploma universitário, economista, cientista, votar no Bolsonaro, eu fico pensando: o que é que esse cara espera da vida? O que é que esse cara aprendeu de política na vida? Qual é o compromisso que essa gente tem?”

    O alvo seguinte foi nominal:

    “Vou pegar esse Flávio. Qual é o compromisso com qualquer seriedade que esse cara tem? Nenhuma, nenhuma. Ele não tem biografia. Ele nunca trabalhou na vida. Ele foi eleito vereador com 21 anos de idade, já apoiado pelos, pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelo miliciano, e nunca mais parou, desde os 21 anos.”

    Lula estendeu a crítica ao pai. Disse que Jair Bolsonaro “nunca trabalhou”, “foi pro Exército, tentou estourar um quartel”, “foi expulso” e viveu “29 anos” de mandato parlamentar. Contrapôs os quatro anos em que ele próprio foi constituinte e não quis permanecer na Câmara. Chamou de “abominável” a lógica familiar de mandatos sucessivos e perguntou o que Flávio teria a oferecer.

    “Eu queria que alguém me dissesse o que é que esse cara tem para oferecer no presente, sabe, e no futuro. Nada. Nada. Não tem conteúdo, não tem nada a oferecer.”

    Fechou o raciocínio com a frase que o subtítulo desta matéria recupera: “Quanto menos ele oferece, mais os bolsonaristas são fanáticos.”

    Antes, havia formulado a dúvida que, segundo ele, cerca o eleitorado adversário: “É desinformação? É narrativa? Ou a sociedade está embevecida, está entorpecida, num momento de inlucidez?” — palavra que o próprio presidente disse ter inventado ali.

    Flávio Bolsonaro tem um histórico público de discursos, homenagens e relações com personagens depois associados a milícias no Rio. Flávio não estreou como vereador. Nasceu em 30 de abril de 1981 e foi eleito deputado estadual em 2002, aos 21 anos, o mais jovem daquela legislatura da Alerj, conforme O Globo e a ficha da própria Assembleia. Quem se elegeu vereador do Rio dois anos antes foi o irmão Carlos Bolsonaro.

    QUE FATOS PÚBLICOS CERCA A FALA SOBRE MILÍCIA?

    A carreira de Flávio no Legislativo fluminense cruzou, de forma documentada, o avanço das milícias na Zona Oeste e na Baixada.

    Em 2003, ainda deputado estadual, ele apresentou moção de louvor ao então tenente Adriano Magalhães da Nóbrega. Em 2005, com Adriano preso por homicídio, concedeu-lhe a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Alerj. Anos depois, o ex-capitão do Bope foi apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo chamado Escritório do Crime. A mãe e a mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio. O episódio está registrado em reportagens da Agência Pública e em matéria recente do Diário Carioca.

    Em 7 de fevereiro de 2007, nos anais da Alerj, Flávio disse que não se podia “simplesmente estigmatizar as milícias, em especial os policiais envolvidos nesse novo tipo de policiamento”. Descreveu esses grupos como policiais organizados “sob uma certa hierarquia e disciplina” para “expurgar” criminosos das comunidades. O trecho foi recuperado pela CartaCapital e voltou a circular em 2026.

    A CartaCapital também mostrou, em 2020, que votos e patrimônio de Jair e Flávio cresceram no mesmo período em que as milícias saíram de seis comunidades, em 2004, para mais de cem.

    Flávio nega vínculo. Em 18 de setembro, depois de Lula dizer à Rádio Tupi que um candidato à Presidência era “ligado aos milicianos” do Rio, o senador respondeu que classificaria PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas e afirmou que “Lula está gagá”, conforme o GP1 e o Times Brasil.

    Na terça-feira (29/set), o ministro Nunes Marques, presidente do TSE, concedeu ao candidato direito de resposta contra um site da campanha de Lula que resumia sua trajetória como “rachadinha, milícia e corrupção”. O ministro escreveu que os fatos narrados não demonstram participação de Flávio nos crimes atribuídos a terceiros, segundo o Metrópoles.

    POR QUE A FALA IMPORTA AGORA?

    O primeiro turno é no domingo (4/out). O g1 lembrou que a Quaest de terça-feira (29/set) apontou, entre os mais escolarizados, vantagem de Flávio sobre Lula (49% a 34%). A entrevista de quarta-feira (30/set) é a resposta discursiva do petista a esse recorte: não discute programa ponto a ponto, vai na biografia.

    O núcleo jornalístico não é o adjetivo “abominável”. É o contraste entre duas linhas que o eleitor pode checar. De um lado, o histórico legislativo de 2003 a 2008 — medalha a Adriano da Nóbrega, discurso que recusou “estigmatizar” milícias, gabinete que empregou parentes do miliciano. De outro, a campanha de 2026, que promete tratar milícia como terrorismo e aciona o TSE quando a palavra aparece colada ao currículo. A democracia pede que essa contradição seja lida com documentos, não com slogan.

    Até o fechamento, não foi localizada resposta específica de Flávio à entrevista desta quarta-feira (30/set).

    O QUE MAIS LULA DISSE NA ENTREVISTA COM OS PODCASTERS

    A conversa teve Ricardo Melo (Explicador Geral da República), Lawani Schulz (Política Essencial), Kenge (Normose) e Bárbara Carine, educadora da escola afro-brasileira Maria Felipa. Lula se apresentou como torneiro mecânico de 80 anos e presidente da República.

    Sobre política externa, disse manter “boa relação” com Donald Trump, tratar todos os chefes de Estado “no mesmo tom” e ter avisado ao americano: “Não se meta nas eleições do Brasil, que você vai perder.” Falou em “complexo de vira-lata” na América Latina e citou Chico Buarque: nem grosso com a Bolívia, nem fino com os Estados Unidos.

    Na pauta doméstica, afirmou que a escala 6×1 “vai ser aprovada ainda este ano”, criticou o Congresso com “50% do orçamento da União”, disse ter passado a ser contra o fundo partidário e defendeu reforma política e reforma do Judiciário, com mandato para ministro do STF e escolha menos unipessoal.

    Nas bets, repetiu a decisão de acabar com as plataformas, citou R$ 141 bilhões retirados do país, casos de endividamento no Palácio e o anúncio do Desenrola 3, descrito como compra de até R$ 157 bilhões em dívidas de quem ganha até R$ 10 mil, com desconto estimado de 95%. Ligou o endividamento das famílias ao jogo on-line e disse que o adversário é contra o fim das apostas.

    Em educação, Bárbara Carine narrou a própria trajetória — filha de empregada doméstica quilombola, duas graduações, mestrado, doutorado — como fruto do Reuni e das políticas de permanência. Lula falou em 111 institutos federais neste mandato diante de 140 em um século, 16.800 pontos de cultura, Pé-de-Meia, ECA Digital, supercomputadores fora do eixo Rio-São Paulo e o sonho de escola de tempo integral até o ensino médio.

    Também acusou Eduardo Bolsonaro de “conspirar contra o Brasil” e de viver nos Estados Unidos com dinheiro de Daniel Vorcaro ligado ao filme Dark Horse. Chamou o deputado Nikolas Ferreira de “imbecil de marca maior” por fake news. No encerramento, recebeu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com água do Rio Negro e defendeu respeito a todas as religiões.

    O prazo acabou com ameaça de chuva. Ricardo Melo encerrou pedindo nova conversa “quem sabe no quarto mandato”.

    FAQ Rápido

    Lula disse que Flávio é miliciano?
    Não usou essa palavra como cargo. Disse que Flávio foi eleito “já apoiado pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelo miliciano”, e que “nunca mais parou”. É acusação política.

    Flávio foi vereador aos 21 anos?
    Não. Foi eleito deputado estadual em 2002, aos 21. O vereador da família, na eleição municipal de 2000, foi Carlos Bolsonaro.

    Flávio respondeu a esta entrevista?
    Até o fechamento, não. Em 18 de setembro, após outra fala de Lula sobre milícias, o senador negou vínculo e disse que o presidente “está gagá”.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

     

    Comente com moderação

    文

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading