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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    07 de setembro de 2026

    O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou, no domingo (6/set), que a ministra Cármen Lúcia, do STF, vote pela abertura de investigação formal contra Alexandre de Moraes e afirmou que a magistrada deve se preocupar com a própria biografia.

    A cobrança virou manchete da Folha de S.Paulo e o pesquisador Rafael Viegas classificou o episódio como aula de hipocrisia e de cinismo.

    O que Flávio Bolsonaro disse a Cármen Lúcia?

    Em transmissão nas redes sociais, o candidato disse querer ver o voto da ministra no julgamento que deve analisar a investigação contra Moraes.

    Segundo a CNN Brasil e o O Globo, Flávio afirmou: “Cármen Lúcia, o Brasil está aguardando para ver como vai ser o seu voto na semana que vem, se a senhora vai autorizar que o Alexandre de Moraes seja formalmente investigado ou se a senhora vai passar a mão na cabeça dele com tudo isso que já veio à tona. Vai ficar muito ruim para sua história, para a sua biografia.”

    No mesmo ato, segundo o Estadão e o Correio Braziliense, o senador convocou apoiadores para os atos de 7 de Setembro e associou o tamanho das ruas ao desfecho no Supremo. A Folha registrou a frase “Se no 7 de Setembro as ruas estiverem cheias em todo o Brasil, o julgamento vai ser um; se estiverem vazias, vai ser outro”.

    A tensão no tribunal gira em torno de mensagens entre Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e da disputa interna com o ministro André Mendonça. O Poder360 informou que o voto de Cármen Lúcia é tratado como decisivo num placar dividido.

    Por que a manchete da Folha virou alvo?

    O professor e pesquisador Rafael Viegas, doutor em Administração Pública e Governo pela FGV, ligado ao CEAPG, ao Cedec, ao QualiGov e à Enap, publicou no X um print da manchete “Flávio Bolsonaro cobra voto de Cármen contra Moraes e diz que ela deve se preocupar com biografia” e escreveu:

    “Flávio Bolsonaro dando uma aula de hipocrisia e de cinismo ganha manchete moralizadora na Folha de SP.”

    Na sequência, listou o que chamou de “extensa galeria de personagens condenados, denunciados, investigados ou ligados a investigações criminais que cruzaram a trajetória política de Flávio: Fabrício Queiroz, Adriano da Nóbrega, major Ronald Paulo Alves Pereira, Frederick Wassef, Daniel Vorcaro, Rodrigo Bacellar, TH Joias, Alan e Alex Rodrigues Oliveira, Gutemberg Fonseca, além de Danielle Nóbrega e Raimunda Veras”.

    Fechou o post: “Rachadinha, milícia, Escritório do Crime, Comando Vermelho, Banco Master: para quem construiu a carreira prometendo guerra ao crime, é uma vizinhança política extraordinariamente movimentada e de fazer inveja para qualquer biografia bandida.”


    Quem são os nomes citados por Viegas?

    O Ministério Público do Rio denunciou, em 2020, Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outras pessoas por organização criminosa, peculato e lavagem no esquema conhecido como rachadinha no gabinete da Alerj. A apuração partiu de movimentação atípica apontada pelo então Coaf na conta de Queiroz. Flávio nega participação e, em 2026, classificou o caso como “espuma”, segundo a Folha. Parte da investigação foi anulada pelo STJ sem julgamento de mérito.

    Queiroz foi preso em 2020 em imóvel ligado ao advogado Frederick Wassef, em Atibaia. Wassef seguiu no entorno político do senador e subiu ao palco no lançamento da candidatura, conforme o UOL.

    A mãe de Adriano da Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, e a então mulher do ex-capitão, Danielle Mendonça da Costa (citada por Viegas como Danielle Nóbrega), foram lotadas no gabinete de Flávio. O g1 e a Veja registraram que o MP as tratou como funcionárias fantasmas da rachadinha.

    Ainda deputado estadual, Flávio apresentou moção de louvor e, depois, a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, depois apontado como líder do grupo conhecido como Escritório do Crime. Em depoimento ao MP, o senador disse que o ex-capitão lhe deu instrução de tiro, segundo O Globo. Adriano morreu em confronto com a polícia na Bahia, em fevereiro de 2020.

    O major Ronald Paulo Alves Pereira, homenageado por Flávio em 2004 com moção de louvor, foi preso em 2019 na Operação Intocáveis e, em fevereiro de 2026, condenado pelo STF a 56 anos no caso Marielle Franco, segundo a CNN Brasil. A homenagem de 2004 foi relembrada por Lauro Jardim / O Globo.

    Os PMs gêmeos Alan e Alex Rodrigues Oliveira foram presos em 2018 na Operação Quarto Elemento, acusados de integrar organização criminosa ligada a extorsão e loteamento irregular. Apareceram em foto com Flávio e Jair Bolsonaro em 2017, com a legenda “essa família é nota mil!!!”. Flávio disse ao Metrópoles que eles não trabalhavam com ele. A irmã dos dois, Valdenice de Oliveira Meliga, foi tesoureira do PSL-RJ e assinou cheques da campanha, segundo a Agência Estado / UOL.

    Em maio de 2026, o Intercept Brasil, repercutido pela CNN e pela Agência Brasil, revelou negociação de cerca de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) entre Flávio e Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Documentos apontaram pagamentos de cerca de US$ 10,6 milhões. Flávio admitiu o pedido, tratou o dinheiro como patrocínio privado e negou crime. O Estadão criticou versões sucessivas do senador sobre o fluxo do recurso. O próprio Flávio já chamou Vorcaro de “irmão” em mensagem revelada pelo Intercept.

    O artigo “Não, Joel”, de Celso Rocha de Barros, discute o uso político do ataque ao STF.

    Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, ex-deputado estadual, foi preso em setembro de 2025 na Operação Zargun, acusado de favorecer o Comando Vermelho. Gutemberg Fonseca, indicado por Flávio à Secretaria estadual de Defesa do Consumidor no governo Cláudio Castro, aparece em interceptações da PF sobre tratativas com integrantes da facção; ele nega encontro com o traficante Índio do Lixão. A Veja o descreveu como homem de confiança do senador.

    Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj e aliado político de Flávio no Rio, foi citado em investigações sobre favorecimento ao CV e tornou-se réu, segundo reportagens da Revista Fórum. Fotos públicas reúnem Flávio, Bacellar, TH Joias e Gutemberg em agendas no estado.

    IMPORTANTE: Listar ligações políticas e investigações não equivale a afirmar que Flávio Bolsonaro foi condenado ou figura como réu em todos esses inquéritos. Em junho de 2026, o TSE determinou a remoção de posts que o associavam diretamente à Operação Unha e Carne, registrando que o pré-candidato “não figura como investigado, indiciado ou denunciado” naquele procedimento específico, segundo o Correio Braziliense. O que as fontes comprovam, caso a caso, são denúncias, homenagens, empregos de gabinete, fotos, mensagens e alianças públicas — não uma sentença única que una todos os nomes.

    O que a cobrança a Cármen Lúcia coloca em disputa?

    Cármen Lúcia ainda não anunciou voto. A Folha informou que a ministra vê erros tanto de Moraes quanto de Mendonça na crise interna do tribunal. Flávio transformou esse voto em peça de campanha e em teste de rua no 7 de Setembro.

    O contraste factual que Viegas isolou: o mesmo candidato que cobra biografia alheia construiu carreira sob a bandeira da guerra ao crime e acumula, em fontes jornalísticas e ministeriais, uma cadeia longa de proximidades com investigados. Isso não decide o mérito do inquérito sobre Moraes. Decide o padrão de quem se apresenta como fiador moral da Corte.

    O ponto que permanece aberto é o voto de Cármen Lúcia e o modo como a campanha de Flávio tentará converter pressão de rua em resultado no plenário.

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