Brasília (DF)
21 de setembro de 2026
@amanpour/X
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21/set), em entrevista exclusiva à âncora Christiane Amanpour, da CNN, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “foi eleito para ser o presidente dos EUA” e “tem o direito de governar”, mas “não tem o direito de governar outros países” nem de “impor sua vontade”. A conversa ocorreu em Nova York, na véspera do discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que Lula fará nesta terça-feira (22/set).
Lula será o primeiro chefe de Estado a falar no debate geral, conforme tradição diplomática desde 1955. Trump discursará em seguida. O presidente brasileiro disse que fará a defesa do multilateralismo e que o unilateralismo, que atribui à preferência de Trump, é “muito perigoso porque sempre existe a possibilidade de o mais forte prevalecer”. Segundo ele, “a melhor forma de manter o mundo em harmonia é fortalecer o multilateralismo”.
O petista declarou que não concorda com o estilo de governar do americano. “Ele tem uma forma de governar… ‘eu sou o mais poderoso, eu sou o mais rico, posso fazer tudo e todos os outros têm de obedecer’. Eu não concordo com isso.” Lula acrescentou: “Gosto de ser respeitado e de mostrar respeito.”
O presidente afirmou que já pediu a Trump que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras de outubro. “Falei para o Trump que é bastante importante para os EUA não interferirem nas eleições brasileiras, porque temos uma relação diplomática de mais de 200 anos. O povo brasileiro não é antiamericano. Nós temos uma relação muito sofisticada com os EUA.” Ele repetiu que “a eleição nos EUA é um assunto do povo americano” e que “as eleições brasileiras são um assunto do Brasil”.
Lula disse que Trump já declarou que não interferirá e que esse é o comportamento esperado. O presidente brasileiro também mencionou preocupação com declarações e proximidade do secretário de Estado americano, Marco Rubio, com a família Bolsonaro, mas afirmou esperar que não haja interferência.
Sobre a disputa eleitoral, Lula reconheceu que “toda eleição preocupa”, mas se disse confiante na vitória contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da oposição. “O que está em risco hoje é uma escolha: ou nós temos a democracia ou nós temos a barbárie; ou nós temos a política de conservação da natureza ou de desmatamento; a política de inclusão social ou deixar o pobre abandonado.” Ele afirmou que “vamos vencer as eleições mais uma vez”.
O presidente também comentou a situação da Venezuela. “É muito grave o que os EUA fizeram com a Venezuela. A soberania do país acabou. Isso não é bom. Não é bom para os EUA, não é bom para a Venezuela e não é bom para a democracia.” Lula sugeriu que a presidente interina Delcy Rodríguez convoque eleições nacionais para que o povo escolha o próximo mandatário.
Em outro trecho, Lula questionou o papel do Conselho de Segurança da ONU diante do que descreveu como o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. “Qual é o uso ou o propósito do Conselho de Segurança da ONU? Quando a humanidade alcançará a paz?” Aos 80 anos e com 50 anos de vida política, o presidente afirmou que “tudo o que vejo acontecer está piorando”, citando violações da integridade territorial de países e a crise climática.
A entrevista foi realizada na residência do embaixador do Brasil na ONU, em Nova York, onde Lula também se reuniu no mesmo dia com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, e tinha agenda com o presidente do Uruguai e, à noite, com o senador Bernie Sanders.
O QUE LULA DISSE SOBRE MULTILATERALISMO E UNILATERALISMO
Lula argumentou que o fortalecimento das instituições multilaterais é o caminho para evitar que a lei do mais forte prevaleça nas relações internacionais. A declaração ocorre em um momento de tensões comerciais e diplomáticas entre Brasília e Washington, incluindo tarifas impostas pelos Estados Unidos no ano passado.
ELEIÇÕES BRASILEIRAS E RELAÇÃO COM OS ESTADOS UNIDOS
O presidente reiterou que o Brasil não interfere na política interna americana e espera reciprocidade. Fontes da campanha petista vinham alertando para o risco de intromissão americana em favor de Flávio Bolsonaro. Lula entregou documentos a Trump em encontro anterior e espera conversa nos bastidores da ONU.
VENEZUELA E CONSELHO DE SEGURANÇA
As críticas à atuação americana na Venezuela e o questionamento sobre a eficácia do Conselho de Segurança da ONU antecipam temas que devem aparecer no discurso de terça-feira, segundo assessores, embora sem menções nominais a países.
FAQ Rápido
O que Lula disse sobre o direito de Trump governar?
Lula afirmou que Trump foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos e tem o direito de governar aquele país, mas não tem o direito de governar outros países nem de impor sua vontade.
Por que a entrevista ocorreu agora?
A conversa aconteceu em Nova York nesta segunda-feira (21/set), na véspera do discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, que Lula fará nesta terça-feira (22/set).
O que Lula espera em relação às eleições brasileiras?
O presidente disse que pediu a Trump que os Estados Unidos não interfiram no pleito de outubro e que as eleições brasileiras são assunto do povo brasileiro.
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