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Governo nega visto a enviados de Trump que iriam questionar as urnas no Brasil

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Mauro Vieira e Marco Rubio

📷 Ministro Mauro Vieira em evento no Palácio do Itamaraty, em dezembro de 2024 / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, equivalente a um MRE, durante uma coletiva de imprensa à margem da Reunião dos Ministros das Relações Exteriores da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Pasay, nas Filipinas |22.7.2026| Foto: Brendan Smialowski/Pool via REUTERS |•| Arte Urbs Magna

RESUMO
URBS MAGNA

| Brasília (DF)
25 de julho de 2026

O governo brasileiro negou a entrada de dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam viajar a Brasília para questionar o sistema eleitoral às vésperas da disputa presidencial de outubro, em decisão do Itamaraty que a diplomacia nacional trata como resposta direta a uma tentativa de interferência externa.

O que aconteceu

O pedido de visto foi protocolado no Consulado brasileiro em Washington no dia 20 de julho, segundo apurou o Metrópoles junto a fontes do governo. A comitiva seria formada por Riley M. Barnes, secretário assistente de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário adjunto da mesma pasta — ambos indicados políticos do governo de Donald Trump.

As fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que os dois funcionários pretendiam se reunir com o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com “autoridades eleitorais” para tratar de liberdade de expressão e do pleito de outubro.

O episódio é um desdobramento direto da reportagem publicada pelo Washington Post na sexta-feira (24/jul) — já noticiada há pouco pelo Urbs Magna — segundo a qual a missão americana tinha como objetivo lançar dúvidas sobre a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro.

Bloco de Notícias – Urbs Magna

Na ocasião, diplomatas brasileiros ouvidos pelo jornal sob anonimato classificaram a iniciativa como um “estratagema totalmente incompatível com a democracia brasileira” e prometeram agir para barrar a entrada dos enviados — promessa que, dois dias depois, se confirmou na prática.

A conexão com a fala de Flávio sobre as urnas

Chamou atenção das autoridades brasileiras o fato de a missão ter sido programada logo após Flávio Bolsonaro repetir, em reunião com embaixadores estrangeiros na terça-feira (21/jul), a alegação infundada de que as urnas brasileiras teriam a mesma origem da empresa venezuelana Smartmatic — versão já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a sequência de eventos reforça a leitura de que a viagem dos dois diplomatas fazia parte de um esforço coordenado para influenciar o resultado da eleição presidencial.

Essa mesma leitura foi reforçada pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), que classificou a movimentação como uma ação conjunta entre a Casa Branca e a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro contra a credibilidade das urnas.

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A Casa Branca confirmou a viagem de Barnes e Samson ao Brasil, mas se recusou a divulgar a agenda de compromissos ou a esclarecer os motivos da missão.

A negativa de visto marca uma mudança de postura em relação ao episódio anterior: até aqui, o governo brasileiro vinha reagindo por meio de notas e declarações à imprensa; agora, usa um instrumento concreto — o controle de fronteira — para impedir que a disputa se transfira para o território nacional antes da eleição.

Sob a ótica deste portal, o caso também expõe uma assimetria já identificada pelo próprio Washington Post: quando um candidato de direita alinhado a Trump venceu a eleição na Colômbia recentemente, o governo americano rejeitou publicamente qualquer alegação de fraude feita pelo lado derrotado — postura oposta à adotada agora em relação ao Brasil, onde o discurso de fraude é hoje sustentado justamente pelo campo mais próximo de Washington.

Nem o Departamento de Estado nem a pré-campanha de Flávio Bolsonaro haviam se manifestado, até a publicação desta matéria, sobre a negativa de visto.



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2 comentários em “Governo nega visto a enviados de Trump que iriam questionar as urnas no Brasil”

  1. Reinaldo Gonçalves da Cruz

    O Brasil está mostrando para o Trump, que o Brasil não é a extensão do seu quintal, Aqui respeitamos e exigimos respeito

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