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    Diplomatas se irritam e veem sombra nas eleições após fala de Flávio sobre urnas

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    Flávio Bolsonaro e diplomatas

    📷 O senador Flávio Bolsonaro e diplomatas na reunião em que mentiu sobre processo eleitoral brasileiro / Foto: Raul Spinassé / Novo Selo Comunicação via Jovem Pan |•| Arte Urbs Magna

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    24 de julho de 2026

    Diplomatas presentes em evento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na terça-feira (21/jul), em Brasília, avaliaram que a fala do pré-candidato propagando informações falsas sobre as urnas eletrônicas foi inadequada e pode lançar sombra sobre as eleições brasileiras.

    O episódio importa porque toca diretamente a confiança no processo eleitoral a poucos meses do pleito de outubro.

    À plateia estrangeira, Flávio Bolsonaro afirmou que as urnas utilizadas na Venezuela são da mesma empresa que fornece equipamentos ao Brasil, o que não é verdade.

    Ele disse também que, segundo um relatório da CIA, a Smartmatic estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.

    A declaração foi feita durante a série “Debatendo o Brasil”, promovida pela consultoria Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, que reuniu lideranças e representantes diplomáticos de mais de 40 países.

    Para um embaixador participante, ouvido pela Folha de S.Paulo sob condição de anonimato, a declaração não foi ideal, ainda que o senador tenha ponderado não ter a intenção de questionar a legitimidade do processo brasileiro.

    Na visão desse interlocutor, não caberia ao pré-candidato fazer comparações entre a situação da Venezuela e do Brasil.

    Uma apresentação recente do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a representantes estrangeiros reforçou a percepção de que as urnas eletrônicas brasileiras são seguras.

    Boatos relativos à Smartmatic já foram desmentidos em 2020.

    A Justiça Eleitoral declarou, em nota daquele ano, que a empresa venezuelana nunca vendeu urnas ou softwares utilizados em urnas para o Brasil, apesar de ter fornecido outros serviços, como treinamento de pessoas para suporte técnico e operacional.

    O TSE reiterou a informação após a fala de Flávio Bolsonaro, destacando que todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela própria Justiça Eleitoral.

    Outro diplomata contou que, em um primeiro momento, pensou que Flávio Bolsonaro tentou defender a posição de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deslegitimando as eleições de 2022.

    Em um segundo momento, questionou-se se o pré-candidato estava tentando deslegitimar as próximas eleições.

    Em caso de reeleição de Lula, Flávio Bolsonaro poderia usar a fala para afirmar que alertou sobre a possibilidade de fraude, lançando sombra sobre o pleito de outubro.

    Questionar a confiabilidade do sistema de votação brasileiro, na visão desse interlocutor, equivale a questionar a democracia, o que seria nocivo para o país.

    Na terça-feira (21/jul), o senador afirmou que a fala “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”.

    “O convite para a presença de observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”, diz a nota.

    Horas depois, a campanha divulgou outra nota afirmando que “não é verdade” que o pré-candidato tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil e que ele se limitou a relatar fatos públicos, como o relatório da CIA.

    “Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’”. A nota reafirma “sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.

    Segundo o g1, Flávio Bolsonaro disse: “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”.

    Ele pediu que os países enviem “a maior quantidade de observadores possíveis” e pessoas com conhecimento sobre a tecnologia.

    O relatório da CIA citado, conforme UOL e BBC News Brasil, trata de capacidades venezuelanas entre 2004 e 2020 e não menciona o Brasil nem afirma que as urnas dos dois países são da mesma origem.

    Alguns participantes relataram que Flávio Bolsonaro demonstrou domínio limitado de assuntos internacionais, concentrando-se em investimentos estrangeiros.

    O tarifaço imposto pelos Estados Unidos não foi mencionado.

    A repetição de narrativas já desmentidas pelo TSE, em ambiente diplomático, reacende preocupações sobre a estabilidade institucional às vésperas das eleições.

    A confiança no sistema de votação constitui pilar central da democracia brasileira e qualquer sombra lançada sobre ele exige resposta clara das instituições.

    FAQ Rápido

    O que Flávio Bolsonaro afirmou sobre as urnas?
    Que muitas máquinas usadas no Brasil teriam a mesma origem da Smartmatic, empresa citada em relatório da CIA sobre a Venezuela. O TSE desmente o vínculo.

    Qual a reação dos diplomatas?
    Avaliaram a fala inadequada e com potencial de efeito negativo sobre a legitimidade das eleições de outubro.

    O senador questionou o sistema brasileiro?
    Ele e sua campanha afirmam que não. Notas oficiais reiteram confiança integral no processo e pedido por mais observadores internacionais.

    Atualização: A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) protocolou representação no TSE contra Flávio Bolsonaro por disseminação de informação falsa.



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