📷 Gleisi Hoffmann / Foto: Wilton Junior/Estadão | Flávio Bolsonaro / Foto: reprodução redes sociais |•| Arte URBS MAGNA
| Brasília (DF)
19 de julho de 2026
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em publicação no X, afirmando que ele teria classificado a Lei Maria da Penha como “um pedaço de papel” e defendido um programa baseado em tecnologia para proteger as mulheres.
A reação surge dias após o lançamento do plano Brasil por Elas pelo pré-candidato à Presidência da República.
Na postagem, Gleisi Hoffmann disse que “esse Flavio Bolsonaro” é “ignorante” ao afirmar que a Lei Maria da Penha é “um pedaço de papel”.
O senador afirmou ainda que “ele, sim, vai ter programa efetivo, usar tecnologia para proteger as mulheres.”
Gleisi Hoffmann ressaltou que a lei completou vinte anos e criou mecanismos concretos de proteção às mulheres com Patrulhas, Delegacias, Juizados Especiais e prisão de agressores, sendo reconhecida pela ONU como uma das melhores legislações do mundo.
Dias antes, em 16 de julho, Flávio Bolsonaro apresentou o programa Brasil por Elas durante live com a economista Danielle Marques.
O plano prevê, entre outras medidas, oferta de internet para pelo menos 70 milhões de mulheres, criação de uma inteligência artificial chamada MarIA (pronuncia-se Mariá) para auxiliar em denúncias anônimas de agressão, agendamento de serviços de saúde e acesso a microcrédito, além de plataforma digital “Central da Mulher”.
Uma reportagem do O Globo detalha as 12 propostas do pacote.
Dados oficiais mostram que o feminicídio permanece elevado no país, reforçando a necessidade de políticas integradas que combinem prevenção, proteção imediata e autonomia feminina.
O plano Brasil por Elas inclui ainda vouchers para creches, incentivo ao empreendedorismo feminino e expansão de serviços da Caixa Econômica em periferias.
Flávio Bolsonaro destacou que o acesso à internet permitiria denúncias diretas às delegacias e maior autonomia financeira para as mulheres.
A violência contra a mulher continua sendo um desafio central para a democracia brasileira.
LULA E A LEI MARIA DA PENHA
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após uma ampla mobilização de movimentos feministas e da pressão da OEA devido à negligência do Estado no caso da biofarmacêutica Maria da Penha.
O texto-base foi elaborado por um consórcio de ONGs, revisado pela recém-criada Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do governo federal e enviado ao Congresso Nacional, onde foi aprovado por unanimidade antes da assinatura presidencial.
Assim, sob o governo Lula, a Lei Maria da Penha representou avanço institucional ao transformar a violência doméstica em questão de interesse público e não apenas familiar, com atualizações recentes significativas, como o Alerta Mulher Segura e tornozeleira imediata para agressores, por exemplo.
Propostas que priorizam tecnologia podem complementar, mas não substituir, estruturas legais já consolidadas.
Atacar a legislação sem propor aprimoramento dos mecanismos existentes pode enfraquecer o reconhecimento social e jurídico do problema.
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Já está dito tudo, é muita ignorância para um senador da República e ainda “advogado”.