Brasília (DF)
26 de setembro de 2026
O O ministro Gilmar Mendes afirmou neste sábado (26/set) que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal confirmou a lisura de Paulo Gonet no caso Banco Master, mas que o dano à reputação do procurador-geral já estava consumado depois do levantamento do sigilo.
A publicação no X, registrada às 9h38 de Brasília, reagiu ao julgamento de sexta-feira (25/set), quando o colegiado do MPF rejeitou, por 5 votos a 4, a abertura de apuração contra o chefe da PGR e, por 9 a 0, manteve-o à frente dos processos do banco no STF.
O decano disse que a deliberação “confirma o que já se sabia”. Segundo o ministro, nada impedia Paulo Gonet de continuar atuando nos processos do Banco Master e nada arranhava “a reputação construída em décadas de serviço público”.
Ele afirmou que o próprio relator, em plenário, já havia reconhecido “a fragilidade das insinuações”. A crítica seguinte foi direta: “Tarde demais, e com uma tranquilidade desconcertante diante da qual não me calei.”
A sequência do texto descreve o mecanismo que, na avaliação do ministro, produziu o prejuízo: “Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e, só então, reconhece-se que nada de grave havia naquelas conversas.”
O ministro classificou o reconhecimento tardio como “reparo tíbio e conveniente para quem causou o dano, mas inútil para quem carrega suas consequências”. O argumento central é temporal: o sigilo já havia caído, as manchetes já haviam circulado e o dano reputacional, segundo ele, já estava consumado.
A publicação também liga o episódio ao calendário político. Gilmar escreveu que o que permanece é “um retrato sem filtro de vazamentos seletivos, em um inquérito que, curiosamente, ganhou tração conforme avançava o ciclo eleitoral”.
O QUE O CONSELHO DO MPF DECIDIU DE FATO?
Na sexta-feira (25/set), o CSMPF julgou duas questões distintas, conforme g1, CNN Brasil e Agência Brasil.
Na primeira, os nove conselheiros votaram contra o afastamento de Gonet dos processos do Master no Supremo. O entendimento majoritário foi o de que o Conselho não tem competência para declarar suspeição ou impedimento do procurador-geral em feitos que tramitam no STF.
Na segunda, o placar foi 5 a 4 contra a designação de um subprocurador-geral para aprofundar apuração sobre a conduta do PGR. Votaram pelo arquivamento Francisco Sanseverino (relator), Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho de Assis, Hindenburgo Chateaubriand e Nicolao Dino, que presidiu a sessão e deu o voto decisivo. Ficaram vencidos Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adônis Callou de Araújo Sá e Ana Borges Coelho Santos.
O relator afirmou que o material da Polícia Federal não traz registro de conversa direta entre Gonet e Daniel Vorcaro. As menções ao procurador-geral aparecem sobretudo em diálogos de Vorcaro com o advogado Ciro Soares. Sanseverino indeferiu o procedimento por “ausência de elementos mínimos de materialidade ou autoria de crime atribuível” ao PGR, segundo a Migalhas e a Deutsche Welle.
A representação que chegou ao Conselho partiu, entre outras iniciativas, de ofício da bancada do Partido Novo.
IMPORTANTE: A decisão do CSMPF não declara, por si só, o encerramento de toda discussão jurídica sobre o tema. O colegiado recusou abrir apuração interna e recusou afastar Gonet dos processos do Master. Questões de suspeição ou impedimento em feitos do Supremo continuam, segundo o próprio Conselho, na esfera de competência do STF.
DE ONDE VEIO A CONTROVÉRSIA SOBRE GONET?
O nome de Paulo Gonet entrou no centro da disputa depois que a PF extraiu mensagens do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. Reportagens da Veja e da CBN registram foto em que o procurador-geral aparece à mesma mesa que Vorcaro em evento em Londres, além de menções em que o banqueiro e o advogado se referem ao PGR.
Gonet declarou publicamente que o contato com Vorcaro foi “brevíssimo e banal” e que não havia proximidade capaz de comprometer a atuação da PGR. A minoria do Conselho, contudo, sustentou que pontos objetivos — quem pagou o evento, se houve outras ligações, o sentido de expressões usadas por Ciro Soares — ainda mereciam esclarecimento preliminar.
COMO O EPISÓDIO SE LIGA AO AFASTAMENTO DE ANDREI RODRIGUES?
Gilmar costurou o caso Gonet a outro capítulo da mesma crise. Em 8 de setembro, o ministro André Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, sob a alegação de monitoramento irregular contra o próprio relator, segundo o g1 e a CNN Brasil.
No dia seguinte, 9 de setembro, o ministro Flávio Dino reintegrou Andrei e Almada. Dino apontou ilegitimidade do Partido Novo para pedir a medida, atropelo de competência e risco de o relator decidir em causa própria, conforme a Agência Brasil e o Estadão.
No texto deste sábado (26/set), Gilmar chamou aquele afastamento de “medida desproporcional, de efeitos institucionais imprevisíveis”, que “desarticulou, ainda que por breve período, o comando do órgão responsável pela segurança das nossas fronteiras e pela repressão a crimes graves de caráter transnacional”. A “pronta reversão”, escreveu, “evitou dano maior”.
O QUE O DECANO PEDE AGORA NO STF?
Os dois episódios, disse o ministro, “lançam luz sobre o mesmo problema”: decisões individuais de grande alcance, tomadas “de afogadilho na fase de investigação”, com efeitos “irreparáveis” sobre reputações e instituições.
A conclusão retomou tese que Gilmar já havia sustentado na Corte: a figura do juiz de garantias também deveria valer para o Supremo Tribunal Federal. A proposta, no recorte do ministro, serve para separar a condução da investigação da decisão sobre medidas cautelares de alto impacto.
Ao final, reafirmou solidariedade a Paulo Gonet — “homem íntegro, que dedicou a vida ao país e às instituições” — e a Andrei Rodrigues, “delegado de carreira com mais de 20 anos de serviços prestados ao país na área de segurança pública”.
QUAL É O PANO DE FUNDO INSTITUCIONAL?
A fala de sábado (26/set) não nasce isolada. Em 17 de setembro, o mesmo ministro já havia escrito que Gonet teve “a honra injustamente manchada” e chamado o relator de “pixuleco eleitoral”, texto coberto pelo Urbs Magna. André Mendonça rebateu, sem citar o colega pelo nome, e disse que a preocupação com a exposição alheia seria “seletiva”, segundo o UOL.
A tensão no Supremo atravessa o caso Vorcaro, a relatoria fragmentada do Master, pedidos de esclarecimento feitos pelo presidente Edson Fachin e o calendário das eleições de 2026. Decisões monocráticas que alteram o comando da PF ou expõem o chefe do Ministério Público federal deixam de ser apenas incidente processual: passam a medir o equilíbrio entre investigação, presunção de inocência e paridade institucional em ano eleitoral.
A análise aponta que o núcleo do texto de Gilmar não é apenas a defesa pessoal de duas autoridades. É a tese de que o timing da publicidade investigativa, quando dissociado de um filtro colegiado, produz um veredito social antes do veredito jurídico. O Conselho do MPF fechou a porta interna. A pergunta que o decano deixa aberta é outra: quem responde, no STF, pelo dano que já não se recolhe.
FAQ Rápido
O Conselho do MPF afastou Paulo Gonet do caso Master?
Não. O placar foi 9 a 0 contra o afastamento. O colegiado entendeu que não lhe cabe declarar suspeição do procurador-geral em processos do STF.
Houve investigação criminal aberta contra o PGR?
Não. Por 5 votos a 4, o Conselho rejeitou designar subprocurador-geral para aprofundar a apuração. O relator não viu elementos mínimos de crime atribuível a Gonet.
O que Gilmar Mendes pede depois dessa decisão?
Que medidas individuais de grande alcance na fase de investigação — como levantamento de sigilo e afastamento de dirigentes — sejam submetidas a um filtro próximo ao do juiz de garantias, inclusive no próprio Supremo.
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