Brasília (DF)
04 de outubro de 2026
Com a apuração avançada neste domingo (4/out), Flávio Bolsonaro (PL) lidera a disputa presidencial e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirma ida ao segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Nos estados, Fernando Haddad (PT) perdeu o governo de São Paulo para Tarcísio de Freitas (Republicanos), Gleisi Hoffmann (PT) não se elegeu ao Senado no Paraná e Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito na Bahia.



O QUE A APURAÇÃO PRESIDENCIAL MOSTRA?
A contagem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não estava encerrada quando os principais veículos registraram a tendência. Às 21h01, com 96,78% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 47,48% dos votos válidos (55.825.882) e Lula 44,63% (53.223.914). Com 98,67% das seções, trazia Flávio com 47,26% e Lula com 44,89%.
Nenhum dos dois chegou à maioria absoluta. Augusto Cury (Avante) aparecia com 2,90%, Renan Santos (Missão) com 2,26% e Ronaldo Caiado (PSD) com 2,20%, segundo o SBT News. Brancos somavam 1,84% e nulos, 2,93%, no mesmo recorte.
Mais cedo, a liderança de Flávio chegou a aproximadamente 52%, em parciais iniciais, quando estados em que ele ia à frente estavam mais avançados na totalização. A diferença diminuiu à medida que a apuração incorporou regiões em que Lula tem votação mais forte, sem alterar a ordem dos dois primeiros.
POR QUE A ELEIÇÃO VAI AO SEGUNDO TURNO?
A regra é objetiva. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa de mais de 50% dos votos válidos, excluídos brancos e nulos. Com a apuração perto do fim e os dois primeiros abaixo desse patamar, a definição fica para 25 de outubro.
Os percentuais desta matéria são de apuração avançada, não de totalização oficial encerrada. A fonte primária é o TSE. Números podem sofrer ajuste residual até o fechamento das seções. A ida ao segundo turno, porém, já estava matematicamente configurada nos recortes superiores a 96% das urnas.
Esta é a terceira eleição presidencial seguida decidida em duas etapas, depois de 2018 e 2022. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad. Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro. Em 2026, o nome da direita na cédula é o filho mais velho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro.
Na véspera, pesquisas de Datafolha e Quaest ainda colocavam Lula numericamente à frente no primeiro turno, dentro ou perto da margem de erro. A urna inverteu essa ordem, sem dar a nenhum dos dois a vitória imediata. A análise aponta que o dado relevante não é só a liderança parcial de Flávio: é a permanência de uma disputa curta, em que o voto dos candidatos menores e o comparecimento de 25 de outubro podem mover o resultado.
O QUE ACONTECEU EM SÃO PAULO?
Tarcísio de Freitas foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno. Com 99,84% das urnas, eram 62,65% para o republicano (14.467.926 votos) e 36,42% para Fernando Haddad (8.411.020). Em recorte anterior de 90,02%, já trazia 62,85% a 36,22%.
É a primeira vez desde 2014 que o governo paulista se resolve sem segundo turno. Haddad, ex-ministro da Fazenda, ex-ministro da Educação e ex-prefeito da capital, volta a perder para Tarcísio, agora sem a prorrogação de 2022.
No auditório de um hotel da Avenida Paulista, o petista disse, segundo O Globo: “Nós fizemos um grande resultado, um resultado parecido com o que fizemos no primeiro turno de 2022. Foi uma eleição diferente, só tinham dois candidatos dessa vez, e isso estreitou um pouco as condições de a gente fazer ainda melhor.” Ele afirmou ainda ter telefonado a Tarcísio às 19h11 e desejado “o melhor para o nosso estado”.
Haddad estava com Marina Silva, candidata ao Senado, e Márcio França, candidato a vice. O Globo também registrou a frase: “Sigo na luta, como sempre, somos seres políticos e estamos aqui para tentar melhorar o Brasil, a nossa cidade e o nosso Estado.”
GLEISI HOFFMANN FOI DERROTADA NO PARANÁ?
Sim. A ex-ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais e ex-presidente nacional do PT não se elegeu senadora pelo Paraná. Com 97,86%, a apuração ds urnas apontava Filipe Barros (PL) com 27,35%, Deltan Dallagnol (Novo) com 25,24%, Alexandre Curi (Republicanos) com 16,75% e Gleisi Hoffmann com 13,29%. Na parcial de 89,94%, o resultado já colocava Barros e Dallagnol eleitos e a petista em quarto.
Gleisi Hoffmann foi senadora pelo Paraná de 2011 a 2019, dirigiu a campanha presidencial de Lula em 2022 e deixou a articulação política do governo em abril de 2026 para disputar o Senado. A chapa vitoriosa está alinhada a Sergio Moro (PL), eleito governador no mesmo estado.

Moro ultrapassou 50% dos votos válidos. Com 99,72% das seções e dados do TSE, registrava 50,13% (3.120.839 votos), à frente de Sandro Alex (PSD), com 25,34%, e de Requião Filho (PDT), com 23,47%.
Há uma ressalva institucional sobre Dallagnol. Sua candidatura chegou a ser derrubada e foi recolocada na cédula por decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, neste domingo (4/out), conforme reportou o Urbs Magna. Os votos foram computados, mas a validade definitiva ainda depende de desfecho no plenário da Corte, conforme o mesmo veículo. Não se trata, portanto, de um registro livre de controvérsia jurídica.
JERÔNIMO RODRIGUES FOI REELEITO NA BAHIA?
Sim. Jerônimo Rodrigues derrotou ACM Neto (União Brasil) e assegurou novo mandato no primeiro turno. Com 96,50%, as urnas traziam 55,38% para o petista (4.427.795 votos) e 44,14% para o adversário (3.528.899). A Bahia está entre os estados definidos ainda nesta etapa. A reeleição teve base na apuração do Datafolha.
A Bahia repete o confronto de 2022 e permanece como um dos principais redutos do PT no Nordeste, ao lado do Piauí, onde Rafael Fonteles (PT) foi eleito com mais de 70%, e do Ceará, onde Elmano de Freitas (PT) também está entre os eleitos no primeiro turno.


QUAIS ESTADOS JÁ DEFINIRAM GOVERNADOR?
Ao todo, 19 governadores eleitos no primeiro turno e sete disputas foram estendidas para 25 de outubro. A posse está marcada para 6 de janeiro de 2027.
Eleitos no primeiro turno:
Dr. Furlan (PSD) no Amapá; Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia; Elmano de Freitas (PT) no Ceará; Daniel Vilela (MDB) em Goiás; Eduardo Braide (PSD) no Maranhão; Otaviano Pivetta (Republicanos) em Mato Grosso; Eduardo Riedel (PP) em Mato Grosso do Sul; Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas Gerais; Dr. Daniel (Podemos) no Pará; Lucas Ribeiro (PP) na Paraíba; Sergio Moro (PL) no Paraná; Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco; Rafael Fonteles (PT) no Piauí; Zucco (PL) no Rio Grande do Sul; Marcos Rogério (PL) em Rondônia; Arthur Henrique (PL) em Roraima; Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina; Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo; e Fábio Mitidieri (PSD) em Sergipe.
Seguem para o segundo turno: Acre, com Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos); Amazonas, com Omar Aziz (PSD) e a professora Maria do Carmo (PL); Espírito Santo, com Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB); Rio de Janeiro, com Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD); Rio Grande do Norte, com Allyson (União Brasil) e Cadu de Lula (PT); Tocantins, com a professora Dorinha (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB); e Distrito Federal, com Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT).
O QUE ACONTECE AGORA?
O calendário nacional fica concentrado em três semanas. Presidente, governadores de sete unidades e eventuais pendências de registro seguirão em campanha até 25 de outubro. A regra de maioria absoluta continua valendo no segundo turno: vence quem tiver mais votos válidos.
A análise aponta um mapa desigual. O PT segura redutos no Nordeste, como Bahia e Piauí, mas perde o maior colégio eleitoral do país, São Paulo, por margem larga, e não elege Gleisi Hoffmann no Paraná, onde Moro assume o governo. No plano nacional, a vantagem de Flávio Bolsonaro não se converteu em vitória no primeiro turno. A democracia brasileira volta a resolver a Presidência em uma segunda votação, com o TSE como fonte oficial da contagem.
Atualização: a totalização oficial do TSE ainda podia receber seções residuais na noite de domingo (4/out). Novas informações poderão ser acrescentadas quando o tribunal consolidar o resultado final.
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