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RESUMO
URBS MAGNA


Brasília (DF)
29 de setembro de 2026

O PlatôBR publicou nesta terça-feira (29/set) mensagens, notas fiscais e registros guardados por Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio de Flávio Bolsonaro na chocolateria Bolsotini. O material descreve um Rolex de R$ 305 mil, encontros pagos no Grand Hyatt e um alerta de intermediação no gabinete de Kassio Nunes Marques. A revelação chega na reta final da campanha presidencial e recoloca sob exame a fronteira entre amizade, negócio e acesso a órgãos de Estado.

O QUE O PLATÔBR APRESENTOU NESTA TERÇA-FEIRA (29/SET)?

Segundo a reportagem de Rodrigo Rangel, Santini acompanhou de perto um trecho decisivo da vida pública do hoje candidato do PL e, a partir de 2023, passou a usar o arquivo que havia acumulado para cobrar o que chamou de “acerto de contas”. Parte dessa guerra já havia sido relatada pelo mesmo jornalista no Metrópoles em 9 de novembro de 2023. A edição atual reúne documentos que o portal trata como inéditos neste recorte: a nota do relógio e a mensagem que cita o ministro do STF.

A loja Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen em shopping da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi o ponto de partida da sociedade. Promotores do Ministério Público do Rio investigaram a chocolateria no contexto das rachadinhas do gabinete de Flávio na Alerj. Em 28 de setembro de 2023, Santini enviou notificação extrajudicial cobrando cerca de R$ 1,4 milhão. O documento registrou que o então sócio havia aportado R$ 1,4 milhão. O mesmo documento registrou que o sócio havia aportado R$ 200 mil em dinheiro vivo.

À época, Flávio Bolsonaro classificou o ex-parceiro como “ex-sócio e ex-amigo” e disse ao Metrópoles: “Ele tem mandado uns recados esquisitos para mim. Já me pediu dinheiro e eu não dei. Não quero dar linha para maluco.” Também tratou as acusações como “infundadas”.

COMO A CHOCOLATERIA VIROU PALCO DE COBRANÇA?

O litígio da loja atravessou advogados e intermediários. Santini afirmou que o escritório de Willer Tomaz o procurou em nome de Flávio. As tratativas, segundo o próprio ex-sócio, avançavam e recuavam. Em paralelo, o senador chegou a negociar, no papel de vendedor, uma encomenda de chocolates para associação de funcionários do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Em mensagem reproduzida pelo PlatôBR, escreveu: “A caixa de bombons São Paulo realmente não é apenas chocolate, é sim um presente elegante, muito bonito e bem gostoso! rs” e ofereceu desconto de 7,5%, sacolas de presente e pagamento de R$ 50 mil “por transferência bancária, cartão, cheque ou cash”.

Santini também guardou áudios em que Fabrício Queiroz, ex-assessor central na investigação das rachadinhas, pedia dinheiro e pedia que o recado chegasse a Flávio. Trecho reproduzido pelo portal: “Tô passando uma dificuldade muito grande, e eu tô precisando de um dinheiro, tá?”

O QUE AS MENSAGENS DIZEM SOBRE O GRAND HYATT?

Outro bloco do arquivo trata de encontros com garotas de programa no Grand Hyatt, hotel da Barra da Tijuca. Em uma das mensagens atribuídas a Santini e dirigidas a uma agenciadora, lê-se: “Vamos marcar outra festinha igual a do grand hyatt. Com os mesmos amigos meus… meu filho + João Pedro. Vc arruma as meninas?” Em outra, o remetente pede sigilo “pois nessa época de eleição tá Fodaaaa”.

O portal afirma que fotos da varanda do hotel, feitas no começo de 2022, integraram o material mostrado a Fernanda Bolsonaro. Depois do constrangimento doméstico, Flávio teria escrito ao ex-amigo uma mensagem longa de arrependimento, reproduzida na íntegra pela reportagem. Nela, pede que Santini se afaste da mulher, deixe Brasília e declara: “Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com a minha família.”

IMPORTANTE: As mensagens e notas fiscais descritas pelo PlatôBR são alegações e documentos apresentados por um ex-sócio em litígio. Não equivalem, por si sós, a condenação judicial. A chocolateria foi alvo de apuração do Ministério Público do Rio no ciclo das rachadinhas; o alcance penal de cada item agora publicado depende de investigação própria, e não da reportagem.

QUEM PAGOU O ROLEX DE R$ 305 MIL?

O trecho de maior impacto patrimonial aponta o advogado Alan Belaciano, amigo de Flávio, como comprador de um Rolex Submariner Date em ouro branco. A aquisição, segundo nota fiscal em nome do advogado, ocorreu em 10 de fevereiro de 2022 e saiu por R$ 305 mil. Mensagens guardadas por Santini, de acordo com o PlatôBR, indicam que o relógio era destinado ao senador.

O mesmo círculo aparece no pagamento de equipamentos de academia, avaliados em cerca de R$ 90 mil, para a casa que Flávio havia comprado em Brasília por valor declarado de R$ 5,9 milhões. Belaciano montara, em 2021, uma casa no Lago Sul descrita na reportagem como ponto de lobby. O portal registra ainda que o advogado fora detido após se apresentar como juiz, condição que não possuía.

Belaciano permanece na órbita política e esportiva do senador. Em agosto de 2026, o Amado Mundo informou que ele assumiu a coordenação da recuperação judicial do Vasco, clube que recebeu emenda de R$ 4 milhões destinada por Flávio e hoje sob exame da Polícia Federal.

O QUE A MENSAGEM DIZ SOBRE KASSIO NUNES MARQUES?

O ponto mais institucional do dossiê é uma mensagem em que Santini afirma que Flávio teria falado diretamente com Kassio Nunes Marques sobre processo de um cliente no gabinete do ministro, com atuação de Belaciano. Haveria, segundo o recado, jantar posterior com o chefe de gabinete. O texto atribuído a Santini diz: “Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso. Vc é maluco ou inconsequente! Brasília não tem muros e seu amiguinho está sendo observado…”

Kassio foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro. Nesta campanha, o ministro, na presidência do TSE, suspendeu jingle da coligação de Lula que citava Daniel Vorcaro, Queiroz e o miliciano Adriano da Nóbrega, conforme a CartaCapital em 27 de setembro. O Urbs Magna já havia registrado decisão anterior do mesmo magistrado contra pesquisa da AtlasIntel.

Depois do recado sobre o STF, Flávio teria respondido no mesmo dia: “Terça às 15:00 no meu gabinete ok”. O PlatôBR não descreve o conteúdo do encontro. Em seguida, Santini comunicou a interlocutores que o assunto estava “encerrado”. Hoje, o ex-sócio faz campanha pelo senador. A bio citada pelo portal traz: “Sou e sempre serei FLAVIO BOLSONARO”.

POR QUE O EPISÓDIO INTERESSA AGORA?

A reportagem não prova, isoladamente, tráfico de influência no STF. Ela documenta, porém, o modo como um círculo íntimo misturava chocolateria sob suspeita, presentes de luxo, acesso a gabinetes e silêncio negociado. Esse padrão já atravessou o caso das joias de Jair Bolsonaro, o financiamento do filme Dark Horse com recursos ligados a Daniel Vorcaro e a própria investigação das rachadinhas.

A análise aponta que o eleitor precisa distinguir três camadas. A primeira é factual: existem nota fiscal, datas e mensagens descritas por fonte jornalística identificada. A segunda é declaratória: Santini acusa; Flávio, em 2023, negou. A terceira é institucional: um candidato à Presidência que conviveu com operadores investigados e com um ministro que hoje preside o TSE amplia o dever de transparência, não o reduz.

O desfecho amigável entre os antigos sócios não apaga o arquivo. Apaga, quando muito, o interesse imediato de quem o guardava. O interesse público permanece.

FAQ Rápido

O Rolex de R$ 305 mil foi comprado em nome de Flávio Bolsonaro?
Não. Segundo o PlatôBR, a nota fiscal de 10 de fevereiro de 2022 está em nome de Alan Belaciano. Mensagens guardadas por Santini indicariam que o relógio era para o senador.

Kassio Nunes Marques comentou a alegação de lobby?
Até o fechamento desta matéria, não foi localizada manifestação pública do ministro sobre o recado específico publicado nesta terça-feira (29/set).

Alexandre Santini é o mesmo coordenador de campanha que comprou mansão no Lago Sul?
Não. O dossiê trata de Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio da Bolsotini. A mansão de R$ 14,5 milhões relatada em junho de 2026 pelo ICL Notícias envolve José Vicente Santini, outro advogado, coordenador da pré-campanha.



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1 comentário em “O Rolex de R$ 305 mil e o recado sobre Kassio que Flávio preferia calar”

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