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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    24 de setembro de 2026

    Flávio Bolsonaro tentou falar com Daniel Vorcaro nos quatro dias que antecederam a prisão do então dono do Banco Master. Os registros, extraídos pela Polícia Federal do celular do banqueiro, voltaram à cena nesta quinta-feira (24/set) e importam porque documentam insistência de contato na véspera da Operação Compliance Zero.

    O que o Estadão apresentou nesta data, repercutido em seguida por veículos como o Diário Carioca, é uma sequência de mensagens e chamadas entre 13 e 16 de novembro de 2025. Vorcaro foi preso no dia 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar deixar o país. A liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central ocorreu no dia 18 de novembro de 2025.

    A existência dos contatos está documentada nos registros citados pela investigação. Isso, por si só, não comprova que as tentativas de ligação tenham relação causal com a prisão.

    OS QUATRO DIAS ANTES DA PRISÃO

    Segundo o material atribuído à extração do celular de Vorcaro, a sequência começou em 13 de novembro de 2025. Às 9h13, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu perguntando se o banqueiro poderia atender. Vorcaro respondeu que retornaria em cerca de meia hora. No recorte publicado nesta quinta-feira, não há registro de que essa ligação tenha ocorrido.

    Em 14 de novembro, Flávio fez uma chamada de voz às 12h36, que não foi atendida. Em 15 de novembro, Vorcaro disse estar em deslocamento e voltou a ser procurado pelo senador. O g1, com base nas mensagens já divulgadas em maio, registrou às 15h46 daquele dia a frase de Vorcaro “Fala irmao Tava trânsito voo o tem” e, um minuto depois, a resposta de Flávio: “Fala mermao Pode atender?”.

    A última tentativa ocorreu em 16 de novembro. Depois de chamada perdida, Vorcaro escreveu às 10h37 que estava na igreja e que ligaria depois: “Fala irmaozao ro na igreja terminando te chamo”. Às 15h38 e às 15h43, Flávio enviou duas imagens de visualização única. Às 15h46, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Vorcaro respondeu com imagem de visualização única. Flávio concluiu com “Amém!”.

    No dia seguinte, por volta das 22h, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em jato particular com destino ao exterior. Na manhã de 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero.

    O QUE JÁ SE SABIA SOBRE O CONTEÚDO DAS MENSAGENS

    Parte das mensagens de 15 e 16 de novembro não é nova. O The Intercept Brasil publicou em 13 de maio de 2026 o áudio e a troca de textos em que Flávio cobra recursos para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O Estadão confirmou, à época, com fontes com acesso à investigação, que os diálogos fazem parte da extração do primeiro celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero.

    No áudio de 8 de setembro de 2025, Flávio afirmou que a produção estava em fase decisiva e que havia parcelas em atraso. Segundo o Intercept, Vorcaro se comprometeu a um aporte da ordem de US24milho~es,cercadeR24milho~es,cercadeR 134 milhões na cotação da época. Documentos citados pela reportagem e referidos depois pelo Estadão e pelo g1 apontam que pelo menos US10,6milho~es,cercadeR10,6milho~es,cercadeR 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025.

    Flávio admitiu o pedido de recursos. Em nota de maio, classificou o episódio como “um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, com “zero de lei Rouanet”. Também afirmou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024 e negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro pessoalmente.

    ANTECEDENTES DA RELAÇÃO

    Relatórios da PF tornados públicos em setembro de 2026 descrevem Flávio como “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas do filme. A cronologia policial aponta registros de interlocução direta a partir de agosto de 2025, com indícios de encontros presenciais em agosto e setembro daquele ano, além de ligações e cobranças de parcelas.

    Em março de 2026, quando o número do senador apareceu na agenda do banqueiro, Flávio disse que “nunca teve contato” com o dono do Master e que o telefone dele “não é propriamente um segredo”. Depois da reportagem do Intercept, passou a admitir o pedido de patrocínio. Em 19 de maio de 2026, confirmou ter ido à casa de Vorcaro em São Paulo após a primeira prisão, quando o banqueiro usava monitoramento eletrônico e não podia deixar a cidade. Segundo o senador, o encontro serviu para “botar um ponto final nessa história”.

    O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, deu versão diferente em 25 de maio: disse que Flávio visitou Vorcaro “para ver se conseguia o restante do dinheiro”. A declaração está registrada em matéria anterior do Urbs Magna.

    Vorcaro foi solto em 28 de novembro de 2025, por decisão do TRF-1, com entrega de passaportes e uso de tornozeleira. Voltou à prisão em 4 de março de 2026, por ordem do ministro André Mendonça, do STF. Em 22 de julho de 2026, Mendonça incluiu Flávio na investigação sobre o financiamento de Dark Horse. A Agência Brasil registrou a decisão em 11 de setembro de 2026. Eduardo Bolsonaro também figura no mesmo eixo investigativo.

    CONSEQUÊNCIAS E DESDOBRAMENTOS

    O material do celular de Vorcaro voltou ao centro do debate no STF. Em 15 de setembro, o plenário começou a analisar questão de ordem ligada à PET 16.662, originada de relatório da PF sobre dados extraídos do aparelho. A discussão sobre tramitação conjunta com a PET 16.704 foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino. O mérito não foi julgado naquela sessão. A PF afirmou, em setembro de 2026, que o material original permanece sob custódia da corporação, com cadeia de custódia documentada, e que cópias idênticas foram enviadas a gabinetes do STF mediante solicitação.

    A análise indica que o novo recorte de 13 a 16 de novembro reforça um ponto já documentado: o contato entre o então senador e o banqueiro não se encerrou quando as suspeitas sobre o Master se tornaram públicas, entre agosto e setembro de 2025. O que os registros não autorizam, com as fontes disponíveis, é transformar a insistência das ligações em prova autônoma de aviso prévio, combinação de fuga ou participação na fraude do banco.

    No terreno eleitoral, Flávio disputa a Presidência pelo PL. O caso Master e o financiamento de Dark Horse passaram a integrar o debate público desde maio, com pedidos de investigação no STF e na PGR e com a própria campanha do senador pedindo apuração de vazamentos. Nenhum desses desdobramentos, até esta quinta-feira, altera o conteúdo objetivo das mensagens: houve tentativas sucessivas de contato e, na véspera da prisão, um pedido de “luz” acompanhado da frase “estou e estarei contigo sempre”.

    FAQ Rápido

    Qual foi o principal acontecimento?
    Registros extraídos pela PF do celular de Daniel Vorcaro mostram que Flávio Bolsonaro tentou contato nos quatro dias anteriores à prisão do ex-dono do Banco Master, em 17 de novembro de 2025.

    Por que o fato é relevante?
    As mensagens documentam proximidade e cobrança de resposta na véspera da Operação Compliance Zero, em meio à investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse e ao inquérito que passou a incluir Flávio em 2026.

    O que pode acontecer agora?
    O material do celular segue sob custódia da PF e integra discussões no STF. Não há, nas fontes consultadas, decisão nova nesta quinta-feira que altere o status jurídico dos envolvidos a partir só dessas ligações.



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